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Estado de Minas PANDEMIA

Espanha 'congela' número de mortos por COVID-19 e cria incerteza

Ministério da Saúde informava entre 50 e 100 novos mortos diariamente; número caiu para menos de 5 por dia e para zero há vários dias


postado em 13/06/2020 11:13 / atualizado em 13/06/2020 12:13

Uso de máscaras em locais públicos permanecerá obrigatório no país até que seja encontrada uma vacina contra o vírus (foto: ANDER GILLENEA/AFP)
Uso de máscaras em locais públicos permanecerá obrigatório no país até que seja encontrada uma vacina contra o vírus (foto: ANDER GILLENEA/AFP)
A Espanha, um dos países mais atingidos pelo coronavírus, mantém "congelado" seu número de mortos há dias, criando incerteza sobre o estado real de uma epidemia que já provocou mais de 27 mil mortes oficiais.


Fernando Simón, especialista que todos os dias explica a evolução da pandemia no país, reconheceu a "confusão" gerada pelos boletins do Ministério da Saúde desde a mudança, em 25 de maio, da metodologia das estatísticas sobre novos casos e mortes.


Até então, com a pandemia em clara remissão, o ministério informava entre 50 e 100 novos mortos diariamente. Mas, desde então, o número caiu para menos de 5 por dia e para zero há vários dias.


Uma situação que levou o presidente do governo, o socialista Pedro Sánchez, a comemorar no Congresso "zero mortes", mas também deu munição à oposição de direita e extrema direita, que acusam o executivo de esconder o verdadeiro número de mortos.


O "maior perigo é comunicar e transmitir a ideia de que a epidemia acabou, porque o vírus está presente em nosso país, embora em níveis mais baixos", alertou à AFP Salvador Macip, professor de ciências da saúde da Universidade Aberta da Catalunha.


Simón, diretor do centro de emergências de saúde do ministério da Saúde, explicou que o novo sistema permite detectar e isolar os surtos mais rapidamente, uma vez que as regiões, que fornecem os dados compilados pelo governo, devem enviar casos individualizados e não agregados como antes.


Mas o especialista reconheceu na semana passada que o número de mortos havia sido "congelado" diante de "discrepâncias", que ele acredita serem devidas a atrasos em algumas regiões.


Desde 7 de junho, o número de mortos permanece inalterado em 27.136, enquanto "as comunidades autônomas revisam as informações de óbitos", apontou.


Mas algumas regiões asseguraram que forneceram seus dados, mas que estes não foram refletidos nos balanços, como no caso da Andaluzia, cujo secretário de Saúde, Jesús Aguirre, descreveu nos últimos dias como "total falta de respeito pelos mortos" que "o governo central coloque números mais baixos" do que os apresentados pela região.


Um problema do novo sistema é que "enfatiza excessivamente os dados do dia anterior e, portanto, se chegam das regiões após o horário limite, não são adicionados ao total", explica Kiko Llaneras, analista de dados do jornal El País.


Isso se tornou "uma fonte de grande desinformação e em termos de comunicação obscureceu todo o debate", diz Llaneras.


Excesso de mortalidade 


A situação ficou ainda mais confusa depois que nos últimos dias o Instituto Nacional de Estatística e o Instituto de Saúde Carlos III registraram entre 43.000 e 44.000 mortes acima da média nos últimos meses na Espanha.


Um "excesso de mortalidade" que, para a oposição, mostrou que o governo baixa os dados.


O governo rejeita a acusação e afirma que esses números incluem pessoas que não morreram de COVID-19, mas que não foram submetidas a um teste PCR, que eram escassos no início do surto na Espanha e são um requisito essencial para que um caso seja adicionado à contagem oficial.


"É normal que o número de mortes não coincida com o excesso de mortalidade", diz Ildefonso Hernández, porta-voz da Sociedade Espanhola de Saúde Pública, explicando que isso também ocorre em períodos de gripe sazonal ou durante ondas de calor.


"Meu resumo hoje é: o governo esconde os mortos debaixo do tapete? Não. O governo se comunica claramente? Não", diz Llaneras.


"Uma das questões subjacentes é que o gerenciamento de informações e a comunicação de dados na epidemia não foram suficientemente claros", acrescenta o especialista em dados.

 


O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.


Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

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