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Estado de Minas FRIO EM BH

Altura máxima e temperatura mínima: o trabalho no alto da Serra do Curral

Com a chegada antecipada do frio, vigias do Parque da Serra do Curral, em BH, contam como é o cotidiano de quem 'bate ponto' nas alturas


18/05/2022 20:06 - atualizado 18/05/2022 21:18

Vigia do Parque da Serra do Curral no mirante mais alto do local
Paulo Roberto usa quatro camadas de agasalhos, mas ainda assim batalha contra o vento do alto da serra (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Em Belo Horizonte, o frio é assunto desde o início da semana e deverá seguir assim pelos próximos dias. Se os moradores da capital sentem na pele a queda brusca de temperatura, que pode cair até a 5º C nesta quinta-feira (19), imagine estar na rotina de quem ‘bate ponto’ em um dos pontos mais gelados da cidade. O Estado de Minas foi conhecer um pouco da rotina dos vigias do Parque da Serra do Curral, que trabalham a mais de 1.100 metros de altura.

Quem sobe pela trilha do parque até os mirantes se depara com uma vista exuberante de Belo Horizonte de um lado e, de outro, a típica paisagem mineira com um mar de montanhas verdes esburacadas aqui e acolá. Os visitantes mais atentos podem perceber também, uma pequena sala no meio dos cartões-postais. É onde trabalha Paulo Roberto da Silva.

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Com quase 40 anos de trabalho nos parques da capital, a maior parte no Parque das Mangabeiras, há meia década, Paulo Roberto ocupa o posto de vigia no mirante mais alto da Serra do Curral. Mesmo com uma paisagem agradável de pano de fundo, os dias mais frios exigem dedicação extra para o homem de 57 anos.

“Já peguei alguns invernos aqui, mas esse ano começou mais cedo e bem mais rigoroso. Moro em Sarzedo e inclusive comecei a sentir o tempo um pouquinho mais gelado quando cheguei aqui em BH”, conta Paulo Roberto.

O vigia contou à reportagem sobre sua rotina em dias frios como esta quarta-feira (18). Uma bebida quente e muitos agasalhos não podem faltar.

“Eu pego serviço mais ou menos 7h, chego lá embaixo, tomo um café quente para quebrar a friagem do peito e subo até aqui. Hoje foi um dos dias mais frios do ano, mas, geralmente, no inverno mesmo é pior. Como você pode ver, estou bem agasalhado, tem umas quatro camadas aqui”, brinca mostrando quantas peças de roupa acumula para se proteger das baixas temperaturas.
 
Vigia do Parque da Serra do Curral enche copo com café para aguentar o frio
Café quente para tirar a 'friagem do peito' é uma das estratégias de Paulo Roberto (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 

A situação não é muito diferente para quem trabalha ao sopé da serra. Colega de Paulo, Filipe Domingos, de 31 anos, é vigia da portaria principal do parque. O vento não sopra tão forte no ‘andar de baixo’, mas o frio está longe de poupar quem sai cedo da cama para ir até uma das regiões de maior altitude da cidade.

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“Esse tempo me pegou de surpresa, hoje para acordar foi uma luta. Para nós essa temperatura em maio é uma novidade. Chegando no Centro é totalmente diferente, a gente fica aqui com touca, com luva e temos que guardar. Eu chego aqui por volta das 6h30 e aí a gente vem naquela luta, né. Até dói até o coração sair debaixo da coberta. Se está assim agora, tenho medo de junho e julho.
 
Vigia do Parque da Serra do Curral na entrada principal
Filipe fica na parte de baixo do parque, mas garante que não escapa do frio (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 

Frio de uns, verão de outros


Se o inverno chegou mais cedo para os mineiros, há quem aproveite o dia ensolarado para colocar pernas e braços de fora. Foi o caso do engenheiro mecânico holandês Redmar van der Werf, que não achou a temperatura no Parque da Serra do Curral nem um pouco baixa.

“Isso é um clima para churrasco para nós, cerca de 16 º C quando saímos. É o que temos de mais próximo de um tempo de verão, por isso estou de camiseta e bermuda. Se o sol está no céu e eu vou caminhar, então não preciso de casaco. Nem trouxe um, na verdade, porque o Brasil é o país do sol”, brincou Redmar, que chegou a dizer que estava suando.

O holandês visita BH pela segunda vez e aproveitou para conhecer o parque acompanhado da esposa mineira Marcela Honorato. O casal vive na Alemanha, onde já chegaram a enfrentar - 13ºC durante o inverno.

Ainda assim, a consultora tributária brinca que não abandonou as raízes belo-horizontinas e tirou o casaco do armário para subir a serra.

“A gente veio ficar aqui duas semanas de férias. Meu marido é da Holanda e estava rindo que aqui quando faz zero grau, vira notícia no jornal e ele achou super engraçado.Eu ainda sinto um pouco de frio, a gente sempre traz um biquíni na esperança de nadar e vem esse tempo”, disse.
 
Casal faz trilha no Parque da Serra do Curral
Mineira e holandês curtem passeio no parque: roupas indicam como cada um lida com a temperatura de BH (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 


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