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Estado de Minas CASO LORENZA

Promotor tentou atrapalhar a investigação da morte da mulher, diz MP

Segundo o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, André de Pinho impediu a perícia no dia do crime e não forneceu senha de celulares


30/04/2021 18:34 - atualizado 30/04/2021 19:39

Lorenza de Pinho morreu no dia 2 de abril, no apartamento onde morava com o marido e seus cinco filhos, no Bairro Buritis, em Belo Horizonte(foto: Reprodução do Facebook e MPMG/Divulgação)
Lorenza de Pinho morreu no dia 2 de abril, no apartamento onde morava com o marido e seus cinco filhos, no Bairro Buritis, em Belo Horizonte (foto: Reprodução do Facebook e MPMG/Divulgação)

O promotor André Luiz Garcia de Pinho foi acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais, nesta sexta-feira (30/4), de ter matado sua mulher, Lorenza Maria Silva de Pinho, no dia 2 de abril, no apartamento em que o casal morava com os cinco filhos.


“Lamento informar a todos que estamos diante de um feminicídio", disse o Procurador-Geral do Estado de Minas Gerais, Jarbas Soares, que presidiu o inquérito. 

A falta de cooperação de André com as investigações, desde o dia da morte de Lorenza, chamou a atenção. 

 

Segundo o promotor de justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, as investigações tiveram início às 14h40 do dia 2 de abril de 2021. Foi quando foi formada a força tarefa, por determinação da promotora Eliane Falcão, coordenadora administrativa do TJMG. De imediato, a desembargadora Karen Emmerick emitiu o mandado de prisão temporária.

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Segundo o dr. Marcos Paulo, todos os indícios de que Lorenza tinha sido vítima de uma morte violenta foram confirmados pelo laudo do exame de corpo de delito. E que as investigações não ficaram restritas ao laudo, mas, antes mesmo da conclusão deste, a força tarefa deu início às investigações e enfrentou problemas com a falta de colaboração do promotor André de Pinho.

 

“Ele se opôs, no dia da morte de Lorenza, que fosse feita uma perícia no quarto onde a vítima foi encontrada morta. Ele não deu a autorização para a perícia no apartamento, o que somente foi feito no dia 4”, afirma.

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No entanto, o trabalho da força tarefa reuniu provas nesse período. Segundo o dr. Marcos Paulo, as câmeras de monitoramento registraram o descarte de material, do quarto e do apartamento, na lixeira do prédio, nos dias 2 e 3 de abril. “Ou seja, uma atividade suspeita”.

 

Além disso, o promotor se recusou a fornecer as senhas de dois celulares, o seu particular e o de Lorenza, e também se recusou a fornecer os acessos de WhatsApp. Porém, apesar da recusa, testemunhas ouvidas pela força-tarefa revelaram que, muitas vezes, o promotor André se apossava do celular da esposa e enviava mensagens como se fosse ela.

 

E para ter acesso às mensagens e registros dos dois telefones, a força tarefa está solicitando a ajuda da empresa que fabrica o aparelho, em Israel, e somente depois do desbloqueio que será feito terão acesso às ligações feitas e mensagens, de ambos os aparelhos. O resultado dessa parte da investigação também será anexada ao processo.

 

Outra recusa do promotor, que serviu para aumentar as suspeitas sobre a prática do crime, foi, segundo o dr. Marcos Paulo, a recusa em fornecer material genético para ser examinado, já que foi encontrado material debaixo das unhas de Lorenza, que indicariam que ela tentou lutar contra uma agressão. “Ele dificultou as investigações”, afirma. 

 

Relembre o caso

Lorenza Maria Silva de Pinho morreu em casa no Bairro Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte. O marido alegou que ela havia se engasgasgado durante o sono, após tomar remédios. 

 

No mesmo dia, logo após a confirmação do óbito por um médico, ele levou a esposa direto para a funerária e pagou pelo serviço de cremação. Familiares da vítima, no entanto, acionaram a Polícia Civil, que determinou que o corpo fosse encaminhado ao IML para a realização de exames. Legistas detectaram marcas na região do pescoço.

 

O casal tinha cinco filhos com idades entre 2 e 17 anos. Eles estão sob a guarda provisória do médico da família, Bruno Sander. 

 

Histórico familiar conturbado

Segundo a Polícia Civil, o promotor e a mulher chegaram a registrar ao menos 30 boletins de ocorrência contra o irmão de André Luís, que é advogado, após sofrerem ameaças e violências diversas. Ele teria se tornado hostil pelo fato de não ter sido apoiado durante o processo de separação de sua ex-mulher. 

 

Em 2012, André e Lorenza foram alvejados por tiros durante uma saída de carro. O irmão do promotor foi apontado como suspeito. Lorenza tinha uma medida protetiva contra ele.   

 

O que é feminicídio?

Feminicídio é o nome dado ao assassinato de mulheres por causa do gênero. Ou seja, elas são mortas por serem do sexo feminino.

O Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O país ocupa, desde 2013, o 5º lugar no ranking de homicídios femininos numa lista que inclui 83 países.

A tipificação desse tipo de crime é recente no Brasil. A Lei do Feminicídio (Lei 13.104/15) entreou em vigor em 9 de março de 2015.

O feminicídio é o nível mais alto da violência doméstica. É um crime de ódio, o desfecho trágico de um relacionamento abusivo.

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Especialistas ensinam a identificar sinais de uma relação abusiva, falam sobre sua origem e explicam porque a violência doméstica é questão de saúde pública.

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  • Para denunciar e/ou buscar ajuda, ligue 180
  • Em casos de emergência, ligue 190

Saiba o que é a cultura do estupro

O Brasil tem um caso de estupro a cada oito minutos. Ao contrário do que o senso comum nos leva a acreditar, a violência contra as mulheres nem sempre ocorre de forma explícita.

Os abusos podem começar cedo, ainda na infância. Para tentar entender as origens dessa brutal realidade, o Estado de Minas ouviu especialistas em direito da mulher, ciências social e política, psicologia, filosofia e comunicação para mostrar como a cultura do estupro, da pornografia e da pedofilia fazem parte da nossa sociedade e estimulam, direta e indiretamente, esse ciclo de violência contra mulheres e crianças.

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