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Estado de Minas MANIFESTAÇÃO

Profissionais da saúde reivindicam melhores condições de trabalho e homenageiam colega morto pela COVID-19

Em frente à UPA Barreiro, trabalhadores da linha de frente pedem segurança e prestam homenagem a colega que morreu no último domingo


28/07/2020 11:44 - atualizado 28/07/2020 13:58

Manifestação reuniu profissionais da saúde(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Manifestação reuniu profissionais da saúde (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Sob o mote de "nenhuma vida a menos", os profissionais da saúde, por meio do Sindibel (Sindicado dos Servidores e Empregados Públicos de Belo Horizonte), realizaram, na manhã desta terça -feira (28), uma manifestação reivindicando melhores condições de trabalho na linha de frente.

A motivação do protesto é a morte de Gerônimo Batista Pires, técnico de enfermagem vítima da COVID-19, falecido no último domingo (26). O protesto aconteceu em frente à UPA Barreiro, onde Gerônimo, de 53 anos, trabalhava.

Os manifestantes realizaram um minuto de silêncio em homenagem a ele. Segundo o Sindicato, a morte foi motivo de indignação para os profissionais do SUS, já que a unidade se encontra em "situação caótica". Ainda de acordo com a representação da categoria, o técnico de enfermagem era um dos servidores que prestava serviços na unidade em 28 de junho, quando "mais de oito pacientes com suspeita de COVID-19 aguardavam leitos de UTI por mais de 12 horas".

"Nossa reivindicação é que os governos criem possibilidade de desafogar as UPAs. Elas estão superlotadas e é onde a população mais procura, o que, indiretamente, aumenta a possibilidade de contaminação dos profissionais de saúde. Algumas sequer têm estrutura adequada para a situação da pandemia, são pequenas, apertadas e propícias para a propagação do vírus tanto para os profissionais quanto para os pacientes", argumenta Israel Arimar de Moura, presidente do Sindibel.

Ainda de acordo com o Sindicato, foi registrado um aumento de 130% no número de trabalhadores contaminados com o novo coronavírus nos últimos 30 dias, totalizando 299 infectados - sendo, a maioria desses, técnicos de enfermagem.  "Eles é quem são a real linha de frente", completa Moura.

A solução proposta pelo sindicato é a abertura do Hospital de Campanha do governo do estado, montado no Expominas e concluído em abril. "Além de abrí-lo, é preciso que ele tenha leitos de UTI e que também faça o atendimento primário a quem apresenta sintomas. Só assim ele será efetivo para desafogar as UPAs", alega o presidente do Sindibel. A unidade foi projetada para oferecer 740 leitos de enfermaria e 28 de estabilização.

A Secretaria de Estado de Saúde afirma, em nota, que o Hospital de Campanha é uma "reserva técnica", com conceito de "hospital de porta fechada" - utilizado apenas após deliberação em caso de necessidade. Completa que o governo está "disponível para atender todas as demandas das prefeituras" e que, no caso de BH, "aguarda contato para auxiliar o sistema tão logo acionado".

Informa, ainda, que "tem trabalhado diaramente para ampliar o número de leitos no estado, mantendo estável as taxas de ocupação". De fevereiro pra cá, a ampliação de disponibilidade foi de 76,3% nos de UTI e 77,8% nos de enfermaria.
 


 
Já a Prefeitura garantiu, em nota, que a UPA Barreiro "funciona normalmente em plena condição material e de pessoal", seguindo todos os protocolos de segurança e com infraestrutura adequada para atendimento. Lembra que a unidade passou por reformas e adequações, além da instalação do Centro Especializado em COVID-19 (Cecovid).

Informa, ainda, que 487 profissionais tiveram a jornada ampliada temporariamente para oferecer suporte, além de 1.171 que foram contratados e outros 302 em vias de contratação. Desses, 264 foram destinados às UPAs. Diz, ainda, que todos os agentes públicos com sintomas da COVID-19 são testados, assim como os assintomáticos que tenham contato com a doença. Por fim, assegura que mantém diálogo constante com o sindicato.

Com relação aos casos de COVID-19, a PBH afirma que há monitoramento contínuo da incidência da doença, repassando recomendações de acordo com a especificidade de cada situação. No caso da UPA Barreiro, informa que não há infecções de trabalhadores desde maio. 

Profissionais de saúde prestam homenagem a Gerônimo(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Profissionais de saúde prestam homenagem a Gerônimo (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)

Homenagens


Os profissionais de saúde não esconderam a emoção durante as homenagens a Gerônimo. "Ele gostava muito de fazer o que fazia. Eu posso ficar aqui o dia inteiro falando que não conseguiria descrever a grandeza que ele foi e segue sendo em nossas vidas", disse, em comoção, a técnica de enfermagem Rosana Martins.

"Era uma pessoa muito bacana. Tinha um carinho muito grande pelo usuário, além de ter feito várias coisas que marcaram a UPA. Chamava ele até de Doutor Gerônimo, de tão dedicado que ele era no que fazia", relembra Wellington de Bessa, líder comunitário


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