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Estado de Minas BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO

Rosto de mortes por COVID-19 em Minas é masculino, negro e idoso

Embora não sejam a faixa de maior contágio, idosos correspondem a 75% das mortes no estado, percentual que supera a média nacional de 71,4%


postado em 08/07/2020 11:15 / atualizado em 08/07/2020 13:55

Idosos usam máscaras para se protegerem da contaminação da COVID-19(foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)
Idosos usam máscaras para se protegerem da contaminação da COVID-19 (foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)

Depois de quatro meses de enfrentamento à COVID-19, as mortes em Minas tem um rosto majoritário: homem, negro e idoso. A maior parte das mortes (75%) corresponde a pacientes com mais de 60 anos. Dos 1.355 óbitos confirmados no boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, nesta quarta (8), 1.017 são idosos.  As estatísticas também demonstram que os negros correspondem à maior parte das mortes pela doença no estado. Os homens são a maioria (56%) dos que foram vencidos pelo novo coronavírus.

 

"Os dados comprovam aquilo que sabíamos. As pessoas de faixa etária menor, mais jovens, adultos e adultos jovens, se expõem mais ao risco, por isso adoecem mais. Por outro lado,  pessoas acima de 60 anos, que, possivelmente, já são mais debilitadas e com doenças associadas têm casos mais graves e obituam mais, portanto, correspondem à maior parte das mortes", afirma o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano.

 

O infectologista aponta a responsabilidade dos jovens neste ciclo de contaminação. "Os mais jovens contraem e levam o vírus para as outras mais velhas que têm mais chances de morte. Um ciclo muito perigoso", conclui.  A maior parte das contaminações está na faixa de 30 a 39 anos, correspondendo a 25,3% dos casos. Na sequência, vem a faixa etária de 40 a 49 anos com 20,04%. As contaminações acima dos 60 anos correspondem a 16,1%.

 

No entanto, há uma mudança significativa no perfil dos mortos pela doença, com maior letalidade entre os idosos. Depois da faixa acima de 60 anos, no perfil de óbitos aparecem pessoas entre 50 e 59 anos, com 180 óbitos, de 40 a 49,  com 99 mortes, de 30 a 39 anos, com registro de 34 mortes. Há duas mortes de crianças na faixa de 1 a 9 anos.

 

Os homens são mais acometidos pela COVID-19 do que as mulheres. Eles representam 54% dos diagnósticos positivos, enquanto elas correspondem a 46%.  Os homens são 56% dos mortos, enquanto elas 44%.

 

 

 

A doença não faz uma distinção por raça ou etnia. No entanto, oprofessor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cristiano Rodrigues destaca que as mortes entre negros ocorrem devido às condições desiguais de acesso à saúde.

 

"A COVID-19 não tem preferência racial. A doença atinge a todas as pessoas, mas, os dados indicam condições desiguais de acesso à saúde e comorbidades. As comorbidades estão relacionadas também a acesso desigual à saúde e ao racismo estrutural, que indicam que as doenças afetam desproporcionalmente as pessoas negras", afirma. 

Tendência nacional 

No Brasil, pessoas com mais de 60 anos representam 71,4% das mortes. O que também se apresenta em outros países. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, que incluem faixa etária, 71,4% dos óbitos estavam na faixa etária acima dos 60 anos, com prevalência para homens (59%). Logo em seguida, vem a faixa etária de 50 a 59 anos, com 14,7%.

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

 



 

 


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