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Estado de Minas Educação prejudicada

Brasil integra ranking mundial de fechamento de escolas durante a pandemia

Com paralisação das escolas por 178 dias, Brasil está na lista de nações mais afetadas no ensino pelo coronavírus. Prejuízo vai dos níveis maternal ao médio


17/09/2021 06:00 - atualizado 17/09/2021 07:46

Segundo a OCDE, até mesmo em países nos quais as escolas se adaptaram às restrições, acesso ficou travado
Segundo a OCDE, até mesmo em países nos quais as escolas se adaptaram às restrições, acesso ficou travado (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

O drama vivido por milhares de famílias brasileiras com uma pandemia marcada pelo fechamento de estabelecimentos de ensino tem destaque no mundo. O Brasil integra o ranking de países com o maior número de dias letivos, 178 ao todo, nos quais as escolas ficaram totalmente fechadas. Esse pódio é composto por 46 nações ligadas à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – 38 membros e oito parceiros. Os dados estão no relatório “Estado da educação mundial: 18 meses de pandemia”, divulgado ontem em Paris.

O documento destaca que no mundo foram implementadas medidas para impedir a propagação da COVID-19, sendo uma delas o fechamento das salas de aula. Embora estabelecimentos de todos os níveis de ensino tenham sido fechados nos primeiros meses da pandemia em 2020, as escolas infantis tiveram suas atividades interrompidas por menos tempo na média geral. No Brasil, os 178 dias letivos fora da sala de aula foram vivenciados igualmente, do maternal ao ensino médio.

Entre os países da OCDE, a média de fechamento de escolas ano passado foi de 44 dias letivos para os alunos do infantil. No ensino fundamental esse período chegou a 58 e, no médio, a 65 dias. Mas, há diferenças significativas: no Brasil, Colômbia, Costa Rica e México, as escolas infantis ficaram fechadas por 140 dias ou mais, em 2020. Na outra ponta, permaneceram abertas ao longo de todo o ano na Áustria, República Tcheca, Estônia, Finlândia, Hungria, Japão, Letônia e Suécia.

Os dados do relatório foram recolhidos e produzidos em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Banco Mundial. “Um ano e meio depois, a reatividade impressionante do poder público na maior parte dos países da OCDE permitiu uma melhora significativa da situação sanitária e econômica. São muitos os países a gerir uma nova onda de contaminação, graças a uma campanha vacinal de amplitude inédita. Mas, apesar dos avanços encorajantes e mesmo se as escolas se adaptaram à limitação sanitária, a propagação da COVID-19 continuou a travar o acesso à educação em presencial em muitos países do mundo”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em coletiva de imprensa.

O relatório sobre a situação do ensino no mundo integra a publicação anual Education at a glance 2021 (Olhares sobre a educação 2021 na tradução livre), que inclui dados atualizados sobre funcionamento, organização, evolução dos sistemas de ensino e investimentos associados, principalmente no quesito recursos humanos. Mathias Cormann destacou a necessidade de evitar que a equidade e acesso a uma educação de qualidade num contexto tão particular como o atual se agrave nos próximos anos.

“Equidade é o tema central desta edição de ‘Olhares sobre a educação’. A pandemia pôs em evidência a importância da equidade na educação, que já faltava nessa área e que não necessariamente recebeu o tratamento adequado no passado. São os alunos mais vulneráveis e marginalizados que, infelizmente, foram mais uma vez duramente afetados”, ressaltou. Segundo a analista da OCDE no Brasil Manon Costinoti, os países com piores resultados escolares fecharam as escolas por mais tempo.

Ela lembrou que o Brasil e outros países da América Latina, como Costa Rica, Colômbia e México, apresentaram baixo desempenho em leitura nos critérios do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018 e foram justamente as nações onde os alunos passaram mais longo período fora da sala de aula.

Graduação 


Ao tratar da educação superior, a publicação deixa em evidência outras desigualdades. Nesse nível, em expansão nas últimas décadas, em 2020, as mulheres com 25 a 34 anos tinham mais possibilidade de chegar à graduação em todos os países da organização. O Brasil seguia a tendência mundial já em 2018, quando 27% delas tinham diploma de ensino superior, contra 20% dos homens. Na média do conjunto da OCDE, o percentual feminino é de 52% e o masculino, de 39%.

Contudo, se as mulheres têm mais chance de qualificação, isso não se traduz em participação equivalente no mercado de trabalho. Na média de países da OCDE, 80% das mulheres com graduação estavam empregadas em 2018 – entre os homens, o índice subia a 87%. No Brasil, a diferença é ainda maior: 77%, ante 85%, respectivamente.

A situação se agrava quando o nível de estudos se limita à educação básica: 35% das mulheres brasileiras que completaram o ensino médio estão empregadas. Entre os homens, são 69%. Nos outros países da OCDE essa desigualdade também é gritante: o mercado de trabalho se abre para 43% das mulheres e 69% dos homens. “Isso também mostra que as mulheres podem ter incentivo importante para chegar ao ensino superior, porque para elas há uma diferença em termos de emprego muito importante”, avalia Manon Costinot.

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