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Estado de Minas ELEIÇÕES 2022

Nina Espaguete: PCB lança pré-candidata travesti à Câmara dos Deputados

Nina é estudante da UFMG, capoeirista, comunista, vegana e (trans)feminista classista


24/05/2022 17:21 - atualizado 24/05/2022 19:30

Nina é uma travesti negra. Seus cabelos são longos, castanhos e cacheados. Ela usa um óculos e uma camisa preta com um botton que possui a bandeira trans. Ela segura um microfone enquanto fala
Nina Espaguete é a pré-candidata a deputada federal mais jovem de Minas Gerais (foto: @espaguete/Instagram/Reprodução)
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a pré-candidatura de Nina Rosa Lía, mais conhecida como Nina Espaguete, à Câmara dos Deputados. Com 20 anos, ela é a pré-candidata mais jovem a deputada federal de Minas Gerais.

Nina é uma travesti negra, que nasceu em 2001, em Belo Horizonte, onde vive até hoje. Já aos 12 anos, começou a se interessar por política, uma vez que questões relacionadas à LGBTfobia e ao racismo começaram a ser um incômodo e motivo de inquietações pessoais. Atualmente, é popularmente conhecida por “Espaguete”, apelido de luta que recebeu na capoeira.
 
 
Estudante do curso de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a pré-candidata é católica militante e luta pelas causas comunista, vegana e (trans)feminista. Em 2019, juntou-se à União da Juventude Comunista (UJC) no movimento secundarista, já tendo participado de debates importantes no meio acadêmico, como “Transfobia como obstáculo para a construção de uma Universidade Popular: casos no meio acadêmico”, organizado pelo Movimento por uma Universidade Popular (MUP) de Belo Horizonte.

A pré-candidatura de Nina Espaguete foi lançada juntamente com as de outras seis pessoas: Lívia Flor, Tuani Guimarães, Júlia Rocha, Daniel Cristiano, Amaury Alonso e Thomás Carrieri. Nas redes sociais, as divulgações começaram a ser feitas no início deste mês.
 
Para Bruna Benevides, diretora da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), a participação crescente de pessoas trans e travestis na política não é um fenômeno, mas a consolidação de um projeto político do movimento trans.

Um relatório da Antra mostra que, nas eleições de 2020, 30 pessoas trans saíram vitoriosas do pleito. Também naquele ano, o Brasil registrou um recorde de pessoas LGBTQIAP+ eleitas: 78 ao todo.

“Pessoas trans e travestis são muito aptas a ocupar espaços políticos, e não se limitam a uma pauta de diversidade focada em questões de gênero, como direitos LGBTQIAP+. A educação, a reforma agrária, o enfrentamento do racismo ambiental, os direitos humanos, entre outras pautas que são transversais também vêm sendo colocados na perspectiva dessas pessoas”, explica Bruna Benevides em entrevista à Agência Pública de Jornalismo Investigativo.
 


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