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Estado de Minas #PODCAST

De que forma a violência patrimonial afeta vida das mulheres

Especialistas explicam características e impactos da violência patrimonial, um tipo de crime recorrente, mas que muitas vezes ocorre de forma velada


03/05/2022 04:00 - atualizado 03/05/2022 06:57


A violência patrimonial é uma das formas de violência recorrentes contra mulheres, mas, muitas vezes, os casos não chegam a ser denunciados, pois suas características nem sempre são claras para as vítimas. Neste episódio do podcast DiversEM, conversamos com a advogada e especialista em casos de agressão contra mulheres Maressa Miranda e também com a psicóloga Cláudia Natividade, que atende em seu consultório vítimas desse crime.

A Lei Maria da Penha abrange uma série de agressões, sendo uma delas a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

Em alguns casos, essa agressão é mais fácil de ser identificada, pois é explícita. Mas a agressão pode ocorrer também de formas sorrateiras, se escondendo entre argumentos de que faz parte do bem querer dentro de uma relação.

"Furto, roubo, dano [...] são crimes que a gente percebe muito facilmente como violência patrimonial. Agora, existe um outro lado dessa violência patrimonial, [...] como, por exemplo, quando o homem se nega a gastar o próprio dinheiro na família", explica a advogada Maressa Miranda.

O que é violência patrimonial?

  • Controlar o dinheiro
  • Deixar de pagar pensão
  • Destruir documentos pessoais
  • Privar de bens, valores ou recursos econômicos
  • Causar danos propositais a objetos da mulher

ilustração mostra mão masculina derrubando blocos que lembra imóveis
Podcast DiversEM discute os efeitos da violência patrimonial (foto: Soraia Piva/EM)

No entanto, Maressa alerta para um detalhe: a Lei Maria da Penha não é punitiva. Mas, com a denúncia, pode agir em conjunto com outras leis para tentar reaver os bens perdidos e condenar o agressor, entre outras medidas. Uma atitude importante para retomar a autoestima e a autonomia da vítima.

Aumento de casos durante a pandemia

A violência patrimonial aumentou consideravelmente durante a pandemia. Isso se explica pelo fato de casais e familiares precisarem estar em contato direto quase que por todo o tempo, o que potencializou conflitos que antes eram interrompidos pelo trabalho e outras rotinas fora de casa.

Além disso, a situação econômica do país piorou e o orçamento das famílias sofreu bastante.  Uma pesquisa do site Glassdoor indica que o poder de compra do brasileiro diminuiu 5 vezes em comparação com o ano de 2005.

Vale lembrar que a violência patrimonial não acomete somente as mulheres dependentes financeiramente. Pelo contrário, ela pode ser a única com renda dentro da família e ainda ser vítima. "Muitas vezes os homens perdem seus empregos, as mulheres mantêm os seus empregos e eles ficam querendo controlar esse dinheiro", explica Maressa.

Como denunciar violência contra mulheres?

  • Ligue 180 para ajudar vítimas de abusos.
  • Em casos de emergência, ligue 190.

O mito do amor romantizado

A romantização na sociedade atual de como deve ser uma relação amorosa pode ser extremamente perigosa, principalmente para as mulheres.

A psicóloga Cláudia Natividade explica que essa visão idealizada começa com a pressão para que a mulher se case e avança para o conceito de que ela tenha  de se doar pela família. Um caminho perigoso. E, caso a mulher perceba que está em uma situação desse tipo, o primeiro passo é não se culpar.

"E sim, é sempre possível fazer essa retomada, com o apoio da família, amigos, familiares [...] a gente percebe que muitas mulheres fazem isso de uma forma saudável, cuidando de si mesmas e cuidando daquilo que é delas", comenta a psicóloga.

Ouça e acompanhe as edições do podcast DiversEM





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