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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Clube-empresa e nova liga podem salvar o Cruzeiro do seu calvário

Presidente pediu R$ 9 milhões a empresários, que se negaram a emprestar ao clube


16/10/2021 04:00 - atualizado 16/10/2021 07:24

Jogadores do Cruzeiro reunidos no gramado
Jogadores estão em greve desde quarta-feira por causa de atraso de salários mas até ontem pela manhã ninguém da diretoria tinha se pronunciado (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

O Cruzeiro tem R$ 9 milhões em salários atrasados, e, segundo uma fonte, o presidente tentou conseguir isso com alguns empresários, em reunião, hoje cedo, que se negaram a ajudar, pois não teriam a menor garantia de receber de volta.

Ano que vem o orçamento do Cruzeiro vai girar em torno de R$ 70 milhões, e, tão logo o clube se transforme em SAF, imediatamente, 4 empresários estão dispostos a colocar, cada um, R$ 50 milhões, com a garantia de receberem quando o clube tiver um fundo de investimento.

Outra coisa que se discute é a criação de uma Liga de Futebol, com os principais clubes cuidando dela.

Há uma informação de uma fonte, que prefere não ter o nome revelado, de que o Cruzeiro seria convidado a integrar essa Liga, que teria 24 clubes. Nesse caso, não necessariamente o clube tem que estar na Série A, pois vão escolher pelo número de torcedores e pela história.

A informação é de que um Fundo de Investimento já teria 1 bilhão de dólares, cerca de R$ 5,5 bilhões, para dar o start na Liga. Tudo, porém, segundo a fonte, em fase embrionária.

O Cruzeiro vive seu calvário, seu inferno astral há 3 anos. Desde que foi usurpado por malfeitores, e caiu para a Segundona, em 2019, o clube tem passado os piores momentos de sua centenária história.

Isso não lhe tira o posto de um dos gigantes do nosso futebol, com conquistas importantíssimas, sendo as principais, 4 Brasileiros, 2 Libertadores e 6 Copas do Brasil. Dizem, alguns ignorantes (ignorante é quem ignora algo, não é uma colocação pejorativa, por exemplo: eu sou ignorante em engenharia, pois não entendo nada da matéria), que “quem vive de passado é museu”. Discordo de forma veemente.

Passado significa história, que muitos não têm para contar. Um clube e sua grandeza são medidos pela força de sua torcida e pelas taças conquistadas. Qualquer coisa que fuja disso, é inveja ou intriga.

O atual presidente pegou um avião caindo, tentando ajustá-lo, em pleno voo. Lembro-me da única vez em que o entrevistei, assim que assumiu, quando ele disse que: “O Cruzeiro vai subir tranquilamente. Outras equipes sobem com orçamento bem menor. Não tenho dúvidas disso”. Disse também que tinha fórmulas para transformar o Cruzeiro e estabilizá-lo financeiramente.

Na verdade, nem uma coisa, nem outra ele conseguiu. O que vimos foi o clube perder 6 pontos na Fifa, vários treinadores e diretores de futebol contratados, e nenhuma solução. São dois anos na Segunda Divisão, e mais 2022, que espera o Cruzeiro, de braços abertos. Não há como iludir o torcedor, com pouco mais de 1% de chances de acesso.

Não acho o dirigente culpado, mas, ele assumiu sabendo de todos os problemas que enfrentaria, prometeu soluções, e não conseguiu cumprir a promessa.

Quando a gente percebe que funcionários que ganham salário mínimo estão há seis meses sem receber, e que os atletas, mais privilegiados, porém, merecedores de suas remunerações, também não recebem, é claro que o presidente tem de dar satisfação e tentar solucionar tais problemas. Ele foi eleito para isso.

Não entro no mérito de suas viagens particulares, é um problema dele. Porém, no momento em que tem funcionários passando necessidade, o mínimo que se espera é que o dirigente dê a cara a tapa.

Desde a manifestação dos jogadores, fazendo greve por falta de salários, até o momento em que eu escrevi essa coluna, ninguém da diretoria havia se manifestado, oficialmente, o que é um ato de covardia, já que a carta do goleiro Fábio, endossada por vários jogadores, se tornou pública na quarta-feira. 48 horas, depois, ninguém havia de manifestado.

Entrevistei, recentemente, o advogado Bruno Volpini, que cuida da parte jurídica da transformação do clube em empresa. Ele foi taxativo ao dizer que “se o clube não virar empresa, em dezembro, a falência será decretada”.

É uma realidade que todos estamos vendo, há tempos. A solução, então, pode estar na SAF e na possível criação de uma Liga, conforme antecipei acima. A verdade é que do jeito que está, não pode ficar. São milhões de torcedores sofrendo, gente humilde passando necessidade, e jogadores sem receber seus salários. Um descalabro, uma vergonha, uma tristeza!

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