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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Presidente do Cruzeiro pediu R$ 9 mi a empresários, que negaram empréstimo

Uma fonte do clube revelou a informação a este colunista; só clube-empresa e nova liga podem salvar o Cruzeiro


15/10/2021 11:47

Sérgio Santos Rodrigues na Toca da Raposa
Sérgio Santos Rodrigues não conseguiu cumprir as promessas que fez em campanha (foto: Reprodução/Youtube)


O Cruzeiro tem R$ 9 milhões em salários atrasados, e, segundo uma fonte, o presidente tentou conseguir isso com alguns empresários, em reunião, hoje cedo, e eles se negaram a ajudar, pois não teriam a menor garantia de receber de volta.

Ano que vem o orçamento do Cruzeiro vai girar em torno de R$ 70 milhões, e, tão logo o clube se transforme em SAF, imediatamente, 4 empresários estão dispostos a colocar, cada um, R$ 50 milhões, com a garantia de receberem de volta o valor, quando o clube tiver um fundo de investimento.

Outra coisa que se discute é a criação de uma Liga de Futebol, com os principais clubes cuidando dela. Há uma informação de uma fonte, que prefere não ter o nome revelado, de que o Cruzeiro seria convidado a integrar essa Liga, que teria 24 clubes. Nesse caso, não necessariamente o clube tem que estar na Série A, pois vão escolher pelo número de torcedores e pela história. A informação é de que um Fundo de Investimento já teria 1 bilhão de dólares, cerca de R$ 5,5 bilhões, para dar o start na Liga. Tudo, porém, segundo a fonte, em fase embrionária.

Cruzeiro vive seu calvário, seu inferno astral há 3 anos . Desde que foi usurpado por malfeitores, e caiu para a Segundona, em 2019, o clube tem passado os piores momentos de sua  centenária história . Isso não lhe tira o posto de um dos gigantes do nosso futebol, com conquistas importantíssimas, sendo as principais, 4 Brasileiros, 2 Libertadores e 6 Copas do Brasil.

Dizem alguns ignorantes (ignorante é quem ignora algo, não é uma colocação pejorativa, por exemplo: eu sou ignorante em engenharia, pois não entendo nada da matéria), que “quem vive de passado é museu”. Discordo de forma veemente. Passado significa história, que muitos não têm para contar. Um clube e sua grandeza são medidos pela força de sua torcida e palas taças conquistadas. Qualquer coisa que fuja disso, é inveja ou intriga.

O atual presidente pegou um avião caindo, tentando ajustá-lo, em pleno voo. Lembro-me da única vem em que o entrevistei, assim que assumiu, quando ele disse que "o Cruzeiro vai subir tranquilamente. Outras equipes sobem com orçamento bem menor. Não tenho dúvidas disso”. Disse também que tinha fórmulas para transformar o Cruzeiro estabiliza-lo financeiramente.

Na verdade, nem uma coisa nem outra ele conseguiu. O que vimos foi o clube perder 6 pontos na Fifa, vários treinadores e diretores de futebol contratados, e nenhuma solução. São dois anos na Segunda Divisão,  e mais 2022, que espera o Cruzeiro, de braços abertos . Não há como iludir o torcedor, com pouco mais de 1% de chances de acesso.

Não acho o dirigente culpado, mas, ele assumiu sabendo de todos os problemas que enfrentaria, prometeu soluções, e não conseguiu cumprir a promessa. Quando a gente percebe que funcionários que ganham salário mínimo estão há seis meses sem receber, e que os atletas, mais privilegiados, porém, merecedores de suas remunerações, também não recebem, é claro que o presidente tem de dar satisfação e tentar solucionar tais problemas. Ele foi eleito para isso.

Não entro no mérito das viagens particulares do presidente, é um problema dele. Porém, no momento em que há funcionários passando necessidade, o mínimo que se espera é que o dirigente dê a cara a tapa. Desde a manifestação dos jogadores, fazendo  greve por falta de salários , até o momento em que eu escrevi essa coluna,  ninguém da diretoria havia se manifestado , oficialmente, o que é um ato de covardia, já que a carta do goleiro Fábio, endossada por vários jogadores, se tornou pública na quarta-feira. 48 horas, depois, ninguém havia de manifestado.

Entrevistei, recentemente, o advogado Bruno Volpini, que cuida da parte jurídica da  transformação do clube em empresa . Ele foi taxativo ao dizer que “se o clube não virar empresa, em dezembro, a falência será decretada”. É uma realidade que todos estamos vendo, há tempos. A solução, então, pode estar na SAF e na possível criação de uma Liga, conforme antecipei acima. A verdade é que, do jeito que está, não pode ficar. São milhões de torcedores sofrendo, gente humilde passando necessidade, e jogadores sem receber seus salários. Um descalabro, uma vergonha, uma tristeza!

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