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Estado de Minas TURISMO E NEGÓCIOS

Overtourism: isso já não cabe no turismo moderno

Saiba como destinos turísticos têm tentado resolver a difícil equação de reduzir o turismo de massa e agradar a turistas e moradores


07/09/2021 07:01

(foto: Reproducao / MF Press Global)
(foto: Reproducao / MF Press Global)
Não é novidade para ninguém que o turismo moderno vai na contramão das experiências de massa, conhecidas também como overtourism. A pandemia acelerou um processo que já vinha sendo pensado em diversos destinos turísticos. Veneza, Roma e Barcelona, são cidades que já estão buscando alternativas para evitar aglomerações há alguns anos. Afinal de contas, independente dos riscos que atualmente corremos quando nos aglomeramos, é fato que um atrativo ou destino lotado compromete muito a experiência turística. Quem nunca se frustrou ao sonhar com uma viagem e ao chegar enfrentou filas quilométricas?!

Entretanto, apesar do nosso desejo pela (quase) exclusividade, muitas vezes nos deparamos com iniciativas ineficazes, ou até mesmo grosseiras para a contenção do avanço do turismo de massa. Essa semana fiz uma enquete no meu perfil no Instagram, com relação à recente inciativa da cidade de Veneza, divulgada pela revista Viagem e Turismo. A cidade pretende implantar até 2022 um sistema de acesso pago ao centro histórico. Será necessário reservar, pagar uma taxa de entrada e passar por catracas posicionadas nos principais pontos de acesso ao centro histórico. Como se fosse um procedimento de entrada num museu.

A medida visa principalmente atingir os turistas que passam apenas um dia na cidade, uma vez que esse tipo de turista movimenta menos a economia local, afinal não se hospeda em hotéis e muitas vezes nem utiliza os restaurantes. Claro que a tal enquete dividiu as opiniões. Pois se de um lado não parece fazer muito sentido cobrar para a utilização de espaços públicos, por outro há de se entender que o turismo de massa, sem (ou com pouca) movimentação da economia em relação à carga de pessoas que o destino recebe, pode comprometer a qualidade de vida de quem mora ali e depredar, ou gerar um custo muito alto de manutenção de prédios históricos, além de danos ambientais.

Outra iniciativa que gerou burburinho na internet, foi a tentativa da ilha de Fernando de Noronha implantar pulseirinhas eletrônicas para facilitar os entraves de pagamento na ilha, uma vez que o sinal de internet e telefone é instável na região. Entretanto, a administração local em parceria com a empresa desenvolvedora resolveu inovar de uma maneira muito infeliz. Seriam distribuídas cinco cores de pulseiras, organizadas por cores, que apontariam o status social e financeiro do usuário. A cor roxa seria distribuída para artistas e influencers, a preta para pessoas que depositassem mais de R$10 mil no sistema de pagamento, a azul para depósitos de até R$10 mil.

E ainda, haveriam as cinzas exclusivas para moradores da ilha e a verde, que deveria ser devolvida na saída da ilha. Claro que a iniciativa gerou muitas críticas, onde muitas pessoas entenderam que o destino estava se transformando em uma grande área vip e segregando moradores e visitantes, de acordo com a renda e status. Não deu outra, o destino voltou atrás e desistiu da estratégia, que agora, ao que parece, trabalhará com apenas duas cores: verde para consumidores e cinza para comerciantes. A adesão não será obrigatória, mas acho que também será necessário um esforço extra para trabalhar um pouco a imagem da gestão do destino. Afinal só a ideia já pegou muito mal.

O fato é que iniciativas neste sentido, precisam ser amplamente pensadas, discutidas e implementadas em fases piloto. Veneza, por exemplo, já realizou o teste das catracas em diversos eventos. O município de Bonito, que sempre cito, vem ao logo de mais de 20 anos implementando ações de melhoria da experiência turística e sustentabilidade ambiental, econômica e social em suas estratégias, como é o caso do voucher único e a limitação diária de número de visitantes por atrativo.

Não é uma equação fácil, pois é uma matemática que envolve a subjetividade das relações humanas, que deve ter como premissa ser positiva tanto para as comunidades locais, como para as pessoas que querem conhecer os destinos. Como positivo, já vejo populações e turistas opinando sobres as iniciativas, ainda que informalmente. Cabe aos destinos ouvir e propor estratégias que agradem às pessoas e contribuam para o desenvolvimento local e regional a partir da atividade turística.

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