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Estado de Minas EM MINAS

A eleição municipal e as línguas estranhas

Bolsonaro não vive os seus melhores dias. Mas luta para recuperá-los. E quer fazê-lo em Minas Gerais, onde perdeu para presidente da República


10/10/2023 04:00 - atualizado 10/10/2023 08:19
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Bolsonaro na Praça da Liberdade
Bolsonaro na Praça da Liberdade (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A)

Quem usou o “waze” neste domingo, para se deslocar em trecho da capital mineira nas imediações da Praça da Liberdade, não foi orientado a buscar rotas alternativas. Sem congestionamento.

A chamada marcha contra a descriminalização do aborto esteve longe de alcançar a dimensão esperada. Do alto de um trio elétrico, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) media, com os olhos, o tamanho do público. Ao lado da esposa, Michelle Bolsonaro (PL), parece não ter gostado do que viu. Arranjou em quem lançar a culpa: “Eu passei por aqui no ano passado, essa praça estava completamente cheia. Creio que a diminuição do número de pessoas vai pelo temor do que aconteceu no 8 de janeiro, agora. Lá eram brasileiros, patriotas que foram se manifestar e entraram em uma arapuca, em uma armadilha patrocinada pela esquerda”.

É uma visão particular dos atos promovidos por hordas violentas, que saquearam e depredaram o patrimônio público, numa fracassada tentativa de golpe de estado. Tudo dentro do script. É a narrativa.

Bolsonaro não vive os seus melhores dias. Mas luta para recuperá-los. E quer fazê-lo em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, onde perdeu a eleição presidencial.

O governador Romeu Zema (Novo), que vivera dias de tensão, apanhando nas mídias digitais dos filhos do ex-presidente, aceitou a reaproximação. Ambos fizeram cara de contente. Bolsonaro, porque precisa de Zema, neste momento em que “as portas do inferno” se abriram para ele. E Zema porque ainda aposta que será o candidato à Presidência da República de seu “mito”.
Alinhavaram uma aliança para as eleições municipais de 2024, em que, em tese, estarão juntos numa campanha que se pretende plebiscitária em relação ao governo federal.

Há alguns detalhes nesse projeto. Bolsonaro disse a Zema: “Vamos discutir 2026, depois de 2024”. Nenhum compromisso. Em política, não é bom prognóstico. Além disso, há ainda outro detalhe que parece passar despercebido: nas disputas às prefeituras municipais, os eleitores querem resolver os problemas à porta de sua casa. Línguas estranhas, exoterismos, questões do Oriente Médio, delírios narrativos, tendem a ter alcance muito limitado.

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