Por que a ansiedade afeta o intestino? Gastroenterologista explica
Dor abdominal, diarreia, prisão de ventre e sensação de estômago embrulhado podem estar relacionadas à conexão entre cérebro e sistema digestivo
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Quem nunca sentiu um “frio na barriga” antes de uma situação importante ou percebeu alterações intestinais durante períodos de maior estresse? Embora pareçam reações pontuais, esses sintomas refletem uma conexão entre o cérebro e o sistema digestivo, conhecida como eixo cérebro-intestino.
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Segundo especialistas, o intestino possui uma extensa rede de neurônios e mantém comunicação constante com o sistema nervoso central. Por isso, alterações emocionais podem impactar diretamente o funcionamento gastrointestinal.
“O intestino e o cérebro estão conectados por uma via de comunicação permanente. Quando passamos por situações de ansiedade ou estresse, o organismo libera substâncias que podem alterar os movimentos intestinais, aumentar a sensibilidade abdominal e desencadear sintomas digestivos”, explica Américo de Oliveira Silvério, gastroenterologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
Entre as manifestações mais comuns estão dor abdominal, sensação de inchaço, excesso de gases, diarreia, constipação e náuseas. Em algumas pessoas, os sintomas aparecem apenas em momentos específicos de tensão. Em outras, podem se tornar frequentes e impactar a qualidade de vida.
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Uma das condições mais associadas a essa relação é a síndrome do intestino irritável (SII), doença caracterizada por dor abdominal recorrente e alterações no hábito intestinal.
“A ansiedade e o estresse não são as únicas causas da SII, mas podem funcionar como gatilhos para o surgimento ou agravamento dos sintomas. Por isso, é importante que a avaliação do paciente considere não apenas aspectos físicos, mas também fatores emocionais”, afirma o especialista.
Nos últimos anos, estudos também passaram a investigar o papel da microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que vivem naturalmente no intestino, nessa comunicação entre cérebro e sistema digestivo.
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“Os estudos tem demonstrado que a microbiota participa ativamente nessa interação complexa entre saúde digestiva e bem-estar emocional. Ainda há muito a ser pesquisado, mas os avanços nessa área têm ampliado nossa compreensão sobre o funcionamento do organismo”, destaca o especialista.
A FBG reforça que sintomas intestinais persistentes não devem ser ignorados. Quando recorrentes, eles merecem avaliação médica para investigação adequada e definição do diagnóstico e do melhor tratamento.
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“Nem toda alteração intestinal está relacionada apenas à alimentação. O funcionamento do intestino é influenciado por diversos fatores, incluindo aspectos emocionais e a microbiota intestinal. Por isso, uma avaliação completa é fundamental para identificar a origem dos sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma.