SAÚDE

Relação intestino-cérebro é identificada em demência frontotemporal e ELA

Pesquisa revela que açúcares produzidos por bactérias intestinais podem desencadear inflamações que atingem o cérebro e o mesmo causador pode virar potencial alvo terapêutico

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O intestino é um dos órgãos mais complexos e fundamentais do corpo humano. Muito além de processar alimentos, ele é considerado por muitos cientistas como o “segundo cérebro”, por influenciar diretamente a imunidade, o metabolismo e até o humor.

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Pesquisadores da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, identificaram que o eixo intestino-cérebro pode estar relacionado não apenas ao Alzheimer e ao Parkinson, mas também à esclerose lateral amiotrófica (ELA) e à demência fronto-temporal (DFT). A descoberta reforça ainda mais evidências de que o intestino pode ter um papel importante na compreensão de doenças neurodegenerativas.

O estudo, publicado recentemente, apontou açúcares produzidos por bactérias intestinais podem desencadear respostas imunológicas prejudiciais ao organismo. Segundo os pesquisadores, essas reações inflamatórias podem acabar afetando o cérebro.

A ELA e a DFT ainda não têm causas totalmente definidas. Alguns estudos indicam fatores como a hereditariedade, mas até o momento não há cura conhecida, apenas tratamentos que retardam a progressão das duas doenças e ajudam a aliviar os sintomas. Ambas são progressivas e levam à perda da autonomia. O físico Stephen Hawking foi um dos casos mais conhecidos de ELA.

De acordo com o investigador principal do estudo, Aaron Burberry, professor assistente do Departamento de Patologia da Escola de Medicina da Case Western Reserve University, bactérias intestinais nocivas produzem formas inflamatórias de glicogênio (um tipo de açúcar), capazes de ativar respostas imunológicas que danificam o cérebro.

O professor relatou que alguns dos pacientes analisados apresentavam níveis elevados desse glicogênio. Esse “açúcar prejudicial” não está relacionado ao açúcar consumido na alimentação, como a glicose ou a sacarose, mas, sim, a uma forma alterada de glicogênio produzida por determinadas bactérias do intestino.

Para entender quando e por que esse glicogênio microbiano prejudicial é produzido, a equipe pretende realizar estudos mais amplos, analisando o microbioma intestinal de pacientes com ELA e DFT antes e após o surgimento da doença.

Esse mesmo mecanismo, por ser identificado e compreendido, pode se tornar um alvo terapêutico: ou seja, se conseguirmos neutralizar ou degradar esses açúcares nocivos, podemos reduzir a inflamação e proteger os neurônios em doenças.

Esse avanço abre caminho para o desenvolvimento de terapias que atuem diretamente no intestino com o objetivo de proteger o cérebro, apontando novas possibilidades de tratamento para doenças neurodegenerativas.

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*Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer 

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