Na semana passada, o suplemento Turismo do jornal Estado de Minas publicou um especial empolgante destacando como visitar as cidades dos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein a bordo do moderno MSC Euribia — um roteiro por destinos considerados seguros, luxuosos e cheios de contrastes entre tradição e modernidade, com paradas em Dubai, Abu Dhabi, Doha e Manama promovidas como joias imperdíveis do Golfo Pérsico.

Poucos dias depois, esse sonho de viagem virou pesadelo: o conflito escalado no Oriente Médio, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã nesse sábado (28/2) — que resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei —, desencadeou uma resposta retaliatória iraniana com drones e mísseis balísticos contra alvos em Israel e em vários países do Golfo. Essa onda de ataques atingiu diretamente hubs turísticos e de aviação como Dubai, Doha, Abu Dhabi, Bahrein e Kuwait, revertendo drasticamente o setor de turismo da região, que vinha registrando recordes em 2026.

O que era o destino dos sonhos de milhões de brasileiros — Dubai com suas ilhas artificiais, Doha com museus de ponta, Abu Dhabi com o Louvre — virou zona de alto risco em menos de 48 horas. Operadoras de turismo no Brasil já suspenderam todos os pacotes para o Golfo até junho e preparam reembolsos em massa. O sonho do turismo de luxo no Oriente Médio acordou, de repente, em meio a sirenes e colunas de fumaça. A recuperação, se vier, será lenta e custará caro a todos os envolvidos.

A retaliação iraniana causou danos à infraestrutura civil, incluindo aeroportos, hotéis de luxo e instalações portuárias. Em Dubai, ícones como o Burj Al Arab pegaram fogo devido a destroços de drones interceptados, enquanto o Fairmont Hotel e partes do aeroporto internacional sofreram impactos diretos. Explosões foram registradas em Abu Dhabi (com pelo menos uma morte e feridos), Doha e Manama, abalando a percepção de segurança que os países do Golfo cultivavam como destino premium.




Impacto na aviação: cancelamentos em massa de voos

Um dos prédios que mais impressionam pela imponência é Museu do Futuro, construído em Dubai, no Emirados Árabes Unidos

MSC Cruzeiros/Divulgação

O fechamento temporário de espaços aéreos no Irã, Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein, Iraque, Jordânia e Síria gerou um caos inédito na aviação global desde a pandemia. Dados preliminares apontam:

- Mais de 1.400 voos cancelados ou afetados apenas no domingo (1º de março de 2026) em destinos do Oriente Médio, segundo análises da Cirium.

- No aeroporto de Dubai (DXB), hub mais movimentado para voos internacionais, cerca de 70% dos voos (747 operações) foram cancelados em um dia, com mais de 1 mil cancelamentos reportados em 24 horas.

- Nos sete principais aeroportos da região, mais de 3.400 voos cancelados no domingo, conforme o FlightRadar24.

- Companhias como Emirates, Qatar Airways, Lufthansa, British Airways, Turkish Airlines, KLM e Air France suspenderam ou redirecionaram rotas, com impactos em conexões do Brasil (voos de Guarulhos e Galeão para Dubai e Doha retornaram ou foram cancelados, totalizando pelo menos 18 operações afetadas entre Brasil e região).

Estima-se que mais de 20 mil voos foram cancelados ou atrasados globalmente nos primeiros dias, deixando centenas de milhares de passageiros retidos ou desviados.

Perdas no setor hoteleiro e turístico

O hotel Burj Al Arab, em Dubai, foi atingido por um drone iraniano neste sábado (28/2)

Redes sociais/Reprodução

O turismo, pilar econômico de países como Emirados Árabes Unidos e Catar, enfrenta perdas bilionárias imediatas. Dubai, que recebia cerca de 260-270 mil passageiros diários (com pico de 324 mil em um dia recente), viu o fluxo interrompido abruptamente. Relatórios indicam:

- Perdas diárias potenciais de até US$1 milhão por minuto em Dubai durante shutdowns prolongados do aeroporto, considerando receitas de taxas, duty-free, hotéis e comércio.

- Hotéis icônicos como Burj Al Arab e Fairmont (vendido recentemente por US$325 milhões) sofreram danos, simbolizando o golpe no setor de luxo.

- Reservas de viagens na região atingiam quase US$101,2 bilhões no início de 2026 (23% acima dos níveis pré-pandemia), mas analistas projetam quedas de 30-50% nas reservas e no fluxo turístico no segundo trimestre se o conflito persistir.

- Setor de hospitalidade e varejo em aeroportos enfrenta perdas diárias pesadas, com eventos e turismo de lazer cancelados.

Especialistas alertam para impactos de longo prazo na imagem de porto seguro do Golfo, ameaçando o modelo econômico baseado em turismo, expatriados e aviação.

Recomendações do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) emitiu alerta consular urgente em 28 de fevereiro de 2026, desaconselhando viagens não essenciais a 11 países da região devido ao risco elevado de escalada militar, fechamento de espaços aéreos e ataques à infraestrutura civil. A lista inclui:

- Irã

- Israel

- Catar

- Kuwait

- Emirados Árabes Unidos

- Bahrein

- Jordânia

- Iraque

- Líbano

- Palestina

- Síria

Para quem já está na região, a orientação é clara: ficar em casa ou no hotel, seguir alertas locais, baixar o aplicativo de alertas de Israel (se aplicável) e manter contato com as embaixadas brasileiras. Telefones de emergência: Embaixada em Abu Dhabi (+971 2 813 1000) e em Doha (+974 4487 1500).

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia



compartilhe