As críticas duras feitas ao senador Flávio Bolsonaro pelos ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), bateram firme em setores da direita que ainda não se convenceram da inviabilização da candidatura ao Planalto do filho de Jair Bolsonaro, impactada pela divulgação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
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Como consequência, os dois governadores passaram a encontrar mais resistência dentro da direita aos seus projetos presidenciais, o que dificulta a união do grupo em torno de seus nomes. Nesta quarta-feira, 20, as reclamações sobre o comportamento de Zema e Caiado foram bastante difundidas entre apoiadores de Flávio que ainda têm dúvidas se ele terá condições de seguir na candidatura.
“Deveriam ter esperado pelo menos 24 horas para reagir”, criticou um deputado do PSD, do grupo mais à direita, em conversa com o PlatôBR. Um parlamentar do PL, de origem evangélica, usou um ditado comum entre religiosos. “Reino dividido não prospera e Caiado e Zema deveriam saber disso”, afirmou ao PlatôBR, sob reserva. “Nem Lula assumiu o papel de acusador, como fizeram os dois nomes da direita que poderiam esperar uma possível recuperação”, concluiu.
A revolta com os dois pré-candidatos parte do pressuposto de que Flávio ainda pode ter a chance de se recuperar nas pesquisas e ser o candidato do bolsonarismo “se não sair mais nada contra ele nos próximos 10 dias”, especificou um aliado.
Oportunidade
Caiado e Zema aproveitam o desgaste do pré-candidato do PL como uma oportunidade para ganhar terreno no eleitorado de direita. Nesta quarta-feira, 20, os dois usaram os discursos que fizeram na 18ª Marcha da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), em Brasília.
Caiado falou com os prefeitos pela manhã. “Vorcaro contaminou todos os poderes”, disse o ex-governador de Goiás. “A vida do candidato deve ser pública, a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República”, continuou, sem citar o nome de Flávio. Mais tarde, ao ser questionado se as “indiretas” eram dirigidas ao senador, ele disse que nunca falou de forma indireta. “Cada um tem o direito de se explicar das acusações que pesam sobre ele. O que eu disse são condicionantes para o exercício da profissão de presidente da República. Tem que estar lá com a posição de independência moral para governar o país e, com isso, resgatar a ordem institucional”, disse.
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À tarde, Zema foi na mesma linha de Caiado dizendo que um presidente da República precisa ter “credibilidade”. “Quem quer mudar o Brasil precisa, acima de tudo, ter credibilidade. Credibilidade para liderar, para unir, para tomar decisões difíceis, para ouvir de verdade as vozes de todos vocês aqui que estão fazendo essa marcha, afirmou o ex-governador de Minas.
