Nota de produtora contraria fala de Flávio sobre parcelas atrasadas
Internautas questionam divergência entre fala de Flávio Bolsonaro sobre parcelas atrasadas e versão da Goup Entertainment
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A nota divulgada pela produtora Goup Entertainment para negar o recebimento de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriu uma frente de questionamentos nas redes sociais envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Internautas passaram a apontar contradições entre a versão apresentada pela empresa e a declaração do parlamentar sobre pagamentos relacionados à produção do longa-metragem.
A controvérsia surgiu após o vazamento de um áudio divulgado pelo The Intercept Brasil em que Flávio cobra R$ 134 milhões de Vorcaro para a realização do filme. Em nota publicada depois da repercussão do caso, o senador confirmou a negociação e afirmou que voltou a procurar o banqueiro devido ao “atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.
A declaração passou a ser confrontada com a posição da Goup Entertainment, responsável pela produção. Em comunicado à imprensa, a empresa afirmou que “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário” entre os recursos recebidos para o longa-metragem.
A divergência entre as duas versões rapidamente repercutiu nas redes sociais. Usuários passaram a questionar como Flávio Bolsonaro menciona parcelas em atraso se, segundo a produtora, nenhum valor ligado a Vorcaro foi destinado ao filme.
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“Fica claro que algumas parcelas do acerto entre Flávio e Vorcaro já haviam sido pagas. Mas a GOUP diz que não recebeu nenhum centavo. Fica, portanto, a questão: quem recebeu esse dinheiro?”, escreveu um usuário no X.
A mesma publicação cita trecho da reportagem do Intercept Brasil segundo o qual os valores teriam sido direcionados ao fundo Havengate, sediado no Texas e representado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL).
Eu sei que a galera tem que defender e tal. Mas a defesa vai ter que responder a essas perguntas, né?
— Silvio Grimaldo (@silviogrimaldo) May 14, 2026
Então fica aí de treino.
No áudio, 1) fica claro que algumas parcelas do acerto entre Flavio e Vorcaro já haviam sido pagas. Mas 2) a Goup (quantos trocadilhos cabem em um…
Outros comentários também exploraram a inconsistência percebida entre os posicionamentos. “E como alguém que nunca conversou com o Vorcaro afirma que conversou sobre doação com ele?”, questionou outro perfil.
“Meu voto está suspenso! Quero esclarecimentos que até agora não vieram. Muitas contradições e não explicam direito”, publicou um internauta. “Muitos questionamentos que o amigo do Vorcaro precisará responder”, escreveu outro usuário.
E como alguém que nunca conversou com o Vocaro afirma que conversou sobre doação com ele? https://t.co/qrPoEA1yTh
— Jose Silva (@sts_jose) May 14, 2026
Meu voto está suspenso!Quero esclarecimentos que até agora não vieram. Muitas contradições e não explicam direito.
— steceliac (@steceliac) May 14, 2026
Muitos questionamentos que o amigo do Vorcaro precisará responder. https://t.co/e0vXMI45wT
— Delirante (@DeliranteAgain) May 14, 2026
Houve também manifestações em defesa do senador. Um usuário afirmou que a interpretação sobre o áudio estaria distorcida. “O que fica claro no áudio é que algumas parcelas do financiamento do filme estão atrasadas, jamais fala que são pagamentos do Vorcaro em atraso. Mas como você odeia os Bolsonaros, distorce os fatos e o contexto”, escreveu.
Outro rebateu as críticas dizendo: “Meu amigo, seja independente uma vez na vida. Pense com sua própria cabeça e veja com seus próprios olhos”.
Não só disse como repetiu no vídeo que postou explicando a coisa toda
— Paulo Bezerra (@paulotbezerra) May 14, 2026
Meu amigo, seja independente uma vez na vida! Pense com sua própria cabeça e veja com seus próprios olhos.
Na nota divulgada após o vazamento do áudio, Flávio Bolsonaro negou ter recebido vantagens ou intermediado interesses em favor do banqueiro. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou o senador.
Já a Goup Entertainment, embora negue o recebimento de recursos de Vorcaro, admite que pode ter havido conversas preliminares sobre o projeto. “Apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos”, declarou a produtora.
Confira a nota de Flávio Bolsonaro
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”
Confira a nota da produtora
“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.
Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.
Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.
A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.
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A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.”