A agenda de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro na chamada Papudinha, em Brasília, deixou de ser gesto de solidariedade e passou a funcionar como ativo eleitoral por seus aliados. Cruzar os portões da unidade prisional, ainda que por poucos minutos, pode se converter em munição para redes sociais e para campanha, uma espécie de carimbo público de alinhamento e fidelidade ao principal líder da direita no país.

Conforme mostrado pelo PlatôBR, o desejo pela visita não é suficiente: é preciso que o ex-presidente queira receber o aliado. O rito é simples na forma, mas bastante restritivo na prática. O interessado precisa incluir o nome em uma espécie de lista de espera controlada pelos advogados do capitão reformado do Exército. A partir daí, aguarda o chamado, sem prazo definido. Não há ordem de chegada, nem certeza de que o pedido será atendido.

O senador Flávio Bolsonaro, incorporado formalmente nesta semana à equipe de defesa, agora tem mais facilidade para visitar o pai e acompanha de perto o fluxo das autorizações. Além dos familiares, já estiveram com Bolsonaro o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Guilherme Derrite (PP-SP), ambos considerado peças-chave da direita nas eleições deste ano. Derrite deixou a Papudinha com o nome confirmado na disputa ao Senado por São Paulo. “Sou soldado desse time”, declarou o deputado paulista após a visita.

Da mesma forma, Nikolas aproveitou politicamente a conversa com o ex-presidente logo após receber críticas de Eduardo Bolsonaro pela falta de engajamento na pré-campanha de Flávio. “Eu acho que o Eduardo não está bem. E eu realmente faço questão de não perder meu tempo com essas divergências, porque eu acredito que a gente tem um Brasil pra salvar”, declarou na saída do presídio. Apontado como coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) também articulou com o ex-presidente as chapas conservadoras estaduais.

Os deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Ubiratan Sanderson (PL-RS) também saíram de reuniões na Papudinha com missões dadas pelo ex-presidente: o gaúcho deve concorrer ao Senado no Rio Grande do Sul enquanto Lopes tentará uma cadeira no TCU (Tribunal de Contas da União). Os atuais senadores do PL do Rio de Janeiro Carlos Portinho e Bruno Bonetti (suplente de Romário) estiveram no complexo penitenciário para costurar a chapa da direita nas eleições fluminenses deste ano. 

Para a próxima leva, Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre Moraes, do STF, autorização para receber a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), além dos deputados Zucco (PL-RS), pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), ex-relator do projeto que previa anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro. 

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto e o senador Magno Malta (PL-ES) não nutrem mais expectativa por um encontro com Bolsonaro. Moraes negou pedidos de ambos com a justificativa de que o Partido Liberal é investigado no mesmo processo em que Bolsonaro foi condenado. No caso de Magno Malta, a recusa se deve à tentativa do senador de ingressar no presídio da Papuda sem a prévia autorização. O congressista nega esse episódio.

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