A extensão da repercussão negativa do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Carnaval do Rio, surpreendeu o Palácio do Planalto. A avaliação inicial era de que o desgaste diminuiria ainda no feriado, logo após a apresentação da escola de samba. Entretanto, o que ocorreu foi o contrário. A alegoria que trazia famílias em latas de conserva, numa alusão aos “neoconservadores”, produziu uma enxurrada de críticas que deram munição à oposição para além do esperado, na avaliação de auxiliares do petista.

Segundo interlocutores do presidente, as críticas ressoaram rapidamente diante do engajamento de líderes religiosos, sobretudo de pastores, que não gostaram da forma como a família foi tratada pela escola de samba. Na mesma ala, havia menção também aos próprios evangélicos. A avaliação é de que os esforços do governo para se aproximar e construir pontes com o eleitor protestante ao longo dos últimos três anos podem ter ruído.

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Apesar de admitirem que o dano ao governo foi maior que o esperado, auxiliares de Lula também afirmam que a decisão que levou a primeira-dama, Janja da Silva, a desistir do desfile foi acertada, assim como a orientação para que ministros não pisassem na avenida. O próprio presidente cumprimentou participantes da escola, mas evitou dar entrevistas no sambódromo para afastar o risco de ser acusado de fazer propaganda extemporânea, o que caracterizaria crime eleitoral.

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