André Janones aponta estratégia de Flávio Bolsonaro no exterior após derrota eleitoral
Deputado analisa desmobilização da extrema-direita e revela o impacto que uma eventual prisão do senador causaria na coesão do grupo político bolsonarista
compartilhe
O deputado federal André Janones (Rede) afirmou que a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil integra uma estratégia para articular a extrema-direita após a derrota para Lula (PT). Em avaliação das redes sociais nas primeiras 48 horas pós-eleição, o parlamentar apontou desmobilização do grupo adversário.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Para Janones, uma ordem de prisão contra Flávio representaria o único elemento capaz de reunir novamente essa base sob a justificativa de perseguição. Sem um mandado judicial, o discurso ficaria restrito, segundo ele, “ao campo da teoria da conspiração - acelerando o ostracismo do grupo nos próximos quatro anos”.
Espero que Flávio não tenha sua prisão decretada, pois todo esse teatro é para construir uma narrativa! Ao contrário de quando perderam em 2022, agora eles não estão conseguindo se manter unidos e nem mobilizados após a derrota. Minhas análise das redes deles nas primeiras 48 horas depois do resultado das eleições comprovam isso. A direita ressurgirá com força nos próximos 4 anos, ocupando o lugar da extrema direita e, com isso, eles serão definitivamente varridos do Brasil! A única coisa que pode mudar isso é um fato que consiga uni-los novamente, algo pintado como uma injustiça e que mantenha viva a figura do inimigo em comum. A única coisa no momento que tem esse potencial é um mandado de prisão contra Flávio. Se isso não acontecer, a narrativa se perde: “fugiu” ? “Do que”? Claro que eles ainda manteriam a narrativa mesmo sem o mandado, porém ficará só no campo da teoria da conspiração, uma vez que nenhuma ordem de prisão terá sido emitida. O “inimigo a ser combatido” deixa de existir, a gente não dá mais palco pra ele, elegemos novos adversários, eles caem no ostracismo, pra sempre !
— André Janones (@AndreJanonesMG) October 28, 2026
Leia Mais
Declarações e reação ao desembarque
Já em entrevista ao "SBT News", no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Janones qualificou a atitude do senador como covardia. O deputado declarou: "tipo de coisa de gente covarde. Foi para lá para criar uma falsa narrativa de perseguido. Mas isso não cola mais não. Extrema direita no Brasil está enterrada. Nós matamos em 2022 e enterramos agora".
Questionado sobre impactos no início do novo governo, Janones citou o grupo "Exército do Lula", coordenado por ele, como garantia de proteção ao presidente eleito na defesa da democracia. O parlamentar relatou que tem evitado entrevistas e decidiu descansar longe de Brasília.
Roteiro da viagem aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28/10). O avião partiu da Argentina na noite de terça-feira (27/10) e fez escala em Guayaquil, no Equador. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou na terça-feira que desconhecia o paradeiro do aliado, enquanto integrantes do grupo cogitavam busca por asilo.
No domingo (25/10), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal cancelasse os passaportes brasileiros do parlamentar e cobrou a entrega de documento estrangeiro. A corporação comunicou o descumprimento a Moraes. Não existia mandado de prisão nem monitoramento policial quando Flávio deixou sua residência em Brasília.
Cenário jurídico e pronunciamentos
Com o término do mandato em fevereiro, Flávio enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial. Após o resultado eleitoral, o senador declarou que pediria a anulação do pleito, recuou da medida em gravação divulgada na segunda-feira (26/10) e afirmou que permaneceria no país para liderar a oposição.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O aliado Paulo Figueiredo informou que Flávio concederá entrevista coletiva em Miami nesta quinta-feira (29/10) e comunicou que o senador descansa com familiares em segurança. Na terça-feira, Donald Trump afirmou que autorizaria a entrada do parlamentar nos Estados Unidos, embora não soubesse o local exato onde ele se encontrava.