ACUSAÇÃO DE PROPINA

Deputado nega oferta de R$ 10 milhões a Simões e anuncia ação judicial

Deputado diz que acusação de propina é falsa, cobra prova de denúncia formal e afirma que governador tentou atraí-lo para chapa

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O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) negou ter oferecido R$ 10 milhões em propina ao governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) para viabilizar um contrato com o governo de Minas e afirmou que pretende recorrer à Justiça contra o adversário. 

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Em declaração ao Estado de Minas, o parlamentar classificou a acusação como “falsa e inverídica”, questionou a ausência de uma denúncia formal à época do suposto episódio e disse que Simões tentou convencê-lo a integrar sua chapa para retirar Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa pelo governo estadual.

A acusação foi feita por Simões durante o debate da TV Globo, na noite dessa terça-feira (29/9). O governador afirmou que Euclydes lhe ofereceu R$ 10 milhões para facilitar um contrato relacionado a um sistema de gestão de empréstimos consignados. “Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina, e o Euclydes Pettersen tentou me oferecer R$ 10 milhões, no meio de um casamento, para que eu pudesse facilitar um contrato para ele”, afirmou Simões durante o debate.

Ao Estado de Minas, Euclydes negou que a conversa tenha ocorrido. “As gravíssimas acusações feitas pelo candidato Mateus são falsas e inverídicas. Essa conversa nunca aconteceu”, afirmou, por meio de sua assessoria.

O deputado também questionou a conduta de Simões após o episódio em que o governador diz ter ocorrido em novembro de 2024. Euclydes argumentou que, se tivesse recebido uma oferta de propina, Simões deveria ter levado o caso imediatamente às autoridades. “Se isso tivesse ocorrido, ele, como servidor público, tinha o dever de agir imediatamente com os rigores da lei, sob pena de ter praticado o crime de prevaricação”, disse.

Euclydes afirmou que pretende cobrar judicialmente documentos que comprovem eventual registro da denúncia mencionada por Simões. O parlamentar disse ainda que pretende responsabilizar o governador pelas declarações. “Essa suposta denúncia dele à CGE, ao que tudo indica, só está sendo ventilada agora, quase dois anos depois do suposto fato, exatamente para dar credibilidade a essas falsas acusações. Inclusive, vamos exigir na Justiça documentos idôneos de que houve protocolo dessa denúncia lá”, afirmou.

Segundo Euclydes, o fato de a acusação ter sido apresentada durante o debate, às vésperas do primeiro turno, não afastaria eventual responsabilização judicial de Simões. O deputado afirmou que pretende acioná-lo por calúnia, difamação e danos morais.

Contato sobre consignados

Euclydes reconheceu que intermediou um contato relacionado ao assunto posteriormente mencionado por Simões, mas apresentou uma versão diferente sobre a origem da aproximação.

“Pelo que me recordo, houve, sim, uma ocasião em que esse Mateus me pediu para que eu buscasse contato de alguém ou alguma empresa para determinada finalidade. Esse contato eu não tinha, acho que busquei alguém que pudesse ter esse tal contato e, assim que recebi, o repassei”, afirmou.

O parlamentar disse que não acompanhou o que ocorreu posteriormente. “O que ele fez com esse contato eu não sei, pois a tratativa foi dele com o empresário”, acrescentou Mensagens obtidas pelo Estado de Minas mostram que, em 31 de julho de 2024, Saulo de Tasso Dino procurou Simões diretamente e se apresentou como representante de um sistema de gestão de consignados. Dias depois, o então vice-governador informou que encaminharia o assunto à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) para análise técnica.

Os registros mostram também que Euclydes procurou Simões em diferentes ocasiões durante o período em que o assunto estava sob análise. Em 4 de setembro, o deputado perguntou: “Como que faz pra gente encontrar rapidão?”. Questionado por Simões se o assunto poderia ser tratado remotamente, respondeu: “Teria que ser pessoalmente”.

Em outra conversa, depois de Simões afirmar que cobraria uma resposta da equipe técnica, Euclydes escreveu: “Quero te ajudar, vamos encontrar pra organizar o mais rápido possível!”. Na sequência, acrescentou: “Vou ficar te devendo essa gentileza”. As mensagens documentam os contatos e as cobranças por retorno, mas não registram oferta de dinheiro ou de qualquer outra vantagem indevida.

Um documento redigido por Simões e obtido pela reportagem apresenta uma versão diferente sobre a origem das tratativas. Segundo o registro, teria sido Euclydes quem procurou o então vice-governador, em julho de 2024, pedindo que recebesse um amigo com “soluções excepcionais” na área de tecnologia. Simões teria respondido que não recebia fornecedores, mas poderia encaminhar a proposta para avaliação técnica.

A acusação dos R$ 10 milhões se refere a um encontro posterior, que teria ocorrido em 23 de novembro de 2024, durante o casamento do deputado estadual Doorgal Andrada, em Trancoso, na Bahia. Segundo a versão de Simões, Euclydes voltou a tratar do serviço de consignados e teria oferecido o dinheiro depois de ouvir que o governo não pretendia substituir o serviço prestado pela Prodemge.

Simões afirma ainda que a suposta oferta teria sido relacionada às articulações eleitorais. Euclydes teria dito que, caso o assunto fosse “resolvido”, poderia retirar Cleitinho da disputa pelo governo estadual. O deputado nega que essa conversa tenha ocorrido.

Ao Estado de Minas, Euclydes apresentou outra versão para as negociações políticas mantidas entre os grupos. Segundo ele, foi Simões quem buscou uma aproximação para tentar retirar Cleitinho da disputa pelo governo de Minas. “A única negociação que o governador, por ocasião, me propôs foi ser seu vice para retirar o futuro governador Cleitinho, e eu não aceitei”, afirmou.

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Simões alega que comunicou a acusação internamente no governo em dezembro de 2024 e que chegou a ser avaliada uma representação policial.

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