Influenciador investigado por coação ao proibir voto de funcionários no PT
Rico Melquíades aparece em vídeo questionando funcionárias sobre preferência política e ameaçando demitir uma delas após associá-la ao PT
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A menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o Ministério Público Eleitoral no estado de Alagoas instaurou um procedimento para investigar uma possível prática de coação eleitoral cometida pelo influenciador digital Rico Melquíades contra funcionárias que demonstraram apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT). O caso será encaminhado à Polícia Federal (PF) para apuração na esfera criminal, diante da possível incidência do artigo 301 do Código Eleitoral.
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Rico publicou um vídeo nas redes sociais no último sábado (12/9) em que aparece ao lado de quatro mulheres, com a legenda do vídeo "Minha casa minhas regras". Durante a gravação, ele questiona quem paga o salário delas e pergunta sobre suas preferências políticas e partidárias.
Em determinado momento, ao associar uma das trabalhadoras ao PT, o influenciador afirma que ela está demitida. Ele manda que pegue seus pertences e volte com a carteira de trabalho e repete que é responsável pelo pagamento do salário.
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“Não quero petista aqui dentro [de casa] também. Você é PT, Manuela? Responda. Você vai ser PT, Manuela? Está demitida. Traga a sua carteira [de trabalho]. Vai para a rua, viu? Pode trazer a sua carteira”, disse o influenciador no vídeo.
Manuela responde aos questionamentos apenas com um “aham”. Outra funcionária, que não teve o nome revelado na gravação, afirma que era petista, mas que deixou de apoiar candidatos do partido por causa do trabalho.
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Segundo o MP Eleitoral, a conduta pode configurar coação eleitoral e será investigada também pela Polícia Federal. O artigo 301 do Código Eleitoral prevê como crime o uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido, mesmo que a finalidade não seja alcançada.
Para o procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, o emprego e o salário não podem ser usados como justificativa para interferência na escolha política de trabalhadores.
“É inaceitável que alguém se valha da posição de empregador, do poder econômico e da dependência decorrente da relação de trabalho para constranger trabalhadores em razão de suas escolhas políticas. Emprego e salário não podem ser usados como instrumentos para impor, direcionar ou tentar interferir no voto de ninguém”, afirmou.
O procurador também afirmou que uma eventual alegação de que a situação seria uma brincadeira não afastaria a gravidade da conduta. Segundo ele, quando existe uma relação de poder e o emprego é colocado em jogo por causa da posição política do trabalhador, não se trata de uma brincadeira.
Voto livre e secreto
O MP Eleitoral reforçou que o voto é livre e secreto e que nenhum trabalhador é obrigado a informar ao empregador em quem pretende votar. Segundo o órgão, a relação de emprego também não pode ser usada para impor ou tentar impor determinada escolha política.
Além da investigação criminal, o Ministério Público Eleitoral informou que levará o caso à Justiça Eleitoral para buscar a cessação desse tipo de comportamento.
O artigo 301 do Código Eleitoral prevê pena para quem usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato ou partido. O encaminhamento à Polícia Federal permitirá a apuração dos fatos e a reunião de elementos para a adoção das medidas cabíveis.
“Estou amedrontado”
Em publicação no Instagram, Rico relatou que está sofrendo ameaças e que está com medo de sair de casa. “Eu só saio de casa com segurança agora. Eu nunca fui tão ameaçado como estou sendo. Estou amedrontado de sair na rua”, alegou em um story.
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A reportagem tenta contato com a defesa de Rico Melquíades. Esta matéria será atualizada assim que houver qualquer retorno.