A direção estadual do PT avalia que uma eventual desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa pelo governo de Minas pode alterar significativamente o cenário eleitoral e ampliar as chances de o deputado federal Patrus Ananias (PT) chegar ao segundo turno das eleições de 2026.
A leitura foi apresentada nesta sexta-feira (31/7), durante a convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que oficializou a candidatura de Patrus ao Palácio Tiradentes e confirmou a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) como candidata ao Senado.
Para a presidente estadual do PT, deputada Leninha, a ausência de Cleitinho abriria espaço para o crescimento da candidatura petista.
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"A presença dele (Cleitinho) na disputa é uma presença forte, as pesquisas indicam desde lá atrás o alto percentual de intenção de votos nele. (...) Na minha avaliação, se ele ficar, a nossa aposta é que a gente vai para o segundo turno com o Cleitinho. Agora, a gente tem que ver se é o (Marcelo) Aro, se é o (Mateus) Simões ou o (Alexandre) Kalil. Sem ele, com certeza, o cenário melhora significativamente, nos dá mais tranquilidade, inclusive, de confirmar que, de fato, nós estamos para o segundo turno", afirmou.
Na mesma linha, o presidente estadual do PCdoB, Wadson Ribeiro, avaliou que uma eventual ausência de Cleitinho poderia transferir votos para Patrus. "Se ele não se colocar como candidato, a tendência é fortalecer mais a candidatura do Patrus. Estamos preparados para qualquer cenário, mas, sem ele, temos a possibilidade de dialogar com esse eleitorado para que venha para a nossa candidatura."
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A leitura da federação é de que o desempenho de Patrus nas primeiras pesquisas reforça a viabilidade da candidatura, mesmo após o lançamento considerado tardio pelo partido. Segundo Leninha, o deputado ainda não percorreu o estado como candidato ao governo, mas já alcançou um desempenho que a legenda considera competitivo.
Da esquerda para a direita presidentes estaduais do PV, Osvander Valadão; do PT, Leninha; e do PCdoB, Wadson Ribeiro: federação oficializou nesta sexta (31/7) candidatura de Patrus Ananias (PT)
Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nessa quinta-feira (30/7), simulou cenários sem a participação de Cleitinho. No levantamento, Alexandre Kalil (PDT) aparece com 20% das intenções de voto e Patrus registra 17%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em seguida aparecem o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), com 15%, e o governador Mateus Simões (PSD), com 10%.
Gabriel Azevedo (MDB) soma 8%, enquanto Maria da Consolação (PSOL) tem 3%. Indira Xavier (UP), Ben Mendes (Missão) e Túlio Lopes (PCB) aparecem com 1% cada, e Rafael Duda (PSTU) não pontua. Brancos e nulos representam 8%, e 16% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.
As declarações dos dirigentes petistas ocorrem em meio à indefinição sobre a candidatura de Cleitinho. O senador reafirmou, na quarta-feira (29/7), que pretende disputar o Governo de Minas e descartou a possibilidade de desistir da corrida eleitoral ou apoiar o ex-secretário Marcelo Aro (PP). No mesmo dia, porém, o Republicanos divulgou uma nota cobrando uma definição do parlamentar e sinalizando que poderá adotar outro caminho.
Cleitinho justificou o adiamento do anúncio de sua candidatura pelo luto em razão da morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia em 18 de julho, e afirmou que pretende se reunir com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, para buscar a oficialização de seu nome.
Disputa pelo eleitorado
Além de considerar que a saída de Cleitinho beneficiaria o PT, a legenda já traça uma estratégia para disputar os votos do senador caso ele não concorra ao governo. Leninha afirmou que o partido pretende direcionar esforços às regiões onde Cleitinho apresenta maior desempenho eleitoral e utilizar pesquisas qualitativas para compreender as demandas desse eleitorado.
"O eleitor do Cleitinho provavelmente é beneficiário do Bolsa Família e dos programas sociais do governo Lula. A gente quer chegar nesse eleitor com esse discurso. Nós estamos falando de reorientar o orçamento e colocar a pessoa no centro das prioridades. Tenho certeza de que, conseguindo chegar até esse eleitor, vamos convencê-lo de que a nossa chapa é a melhor para Minas", disse.
Aliança ainda em construção
Apesar da oficialização de Patrus e Marília Campos, a composição da chapa majoritária ainda permanece aberta. O vice de Patrus não foi definido, e as negociações continuam com partidos aliados. A ata da convenção permanecerá aberta até a próxima semana justamente para permitir o fechamento da composição.
Questionada sobre um eventual entendimento envolvendo PSB, Rede/Psol, Leninha afirmou que todas as possibilidades permanecem sobre a mesa. Segundo ela, a definição será guiada por critérios eleitorais e políticos, levando em consideração a necessidade de ampliar a competitividade da chapa e fortalecer as alianças da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nos bastidores, o PSB é favorito para entrar na composição com o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior na segunda vaga para o Senado. Áurea Carolina (Psol) também disputa esse espaço. Já a vaga de vice de Patrus pode ser preenchida pelo empresário Josué Gomes.
"Nós trabalhamos com todos os cenários. Não estamos fechando nenhuma porta. O que vai orientar a decisão é uma análise eleitoral e política. A nossa ata segue em aberto até a semana que vem para fecharmos o restante da composição."
Apesar da declaração, na sequência o presidente estadual do PV, Osvander Valadão, confirmou que o PSB integrará a coligação e indicou que a legenda deve ocupar a segunda vaga ao Senado, mas afirmou que a definição da vice-candidatura permanece em negociação.
Segundo ele, a expectativa é concluir todas as tratativas até o ato político previsto para 5 de agosto. “Até lá vamos trabalhar com várias possibilidades. A presença da Federação Rede/Psol é algo que queremos muito porque representa o nosso campo político no estado."
Relação com Kalil
Embora Alexandre Kalil apareça como principal adversário de Patrus nas pesquisas sem Cleitinho, o PCdoB evitou tratar o ex-prefeito de Belo Horizonte como um alvo político da campanha.
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Para Wadson Ribeiro, os partidos que integram a base de sustentação do presidente Lula tendem a convergir em um eventual segundo turno. "Não vejo a candidatura do ex-prefeito Kalil como um adversário para ser combatido. É um partido que faz parte da base do presidente Lula e precisamos manter todos os canais abertos, porque, em algum momento dessa caminhada, nós vamos nos encontrar para enfrentar um adversário que está na máquina do governo."
