ELEIÇÕES 2026

Simões exonera braço direito de Marcelo Aro após rompimento político

Governador também dispensou outros 20 integrantes da Secretaria de Governo e nomeou Juliano Fisicaro Borges para comandar a pasta

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O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), exonerou nesta sexta-feira (31/7) o secretário de Governo, Castellar Neto (PP), um dos principais aliados do ex-secretário Marcelo Aro (PP).

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A demissão ocorre um dia após o rompimento político entre Simões e Aro, que deixou o governo para articular uma possível candidatura ao Palácio Tiradentes nas eleições de 2026. A exoneração foi publicada na edição desta sexta do Diário Oficial do Estado.

Para o comando da pasta, Simões nomeou Juliano Fisicaro Borges, que ocupava o cargo de secretário adjunto de Governo.

Além de Castellar, outros 20 integrantes da Secretaria de Governo foram dispensados.

A mudança na equipe ocorre após Aro comunicar pessoalmente ao governador, na quinta-feira (30/7), que deixaria o governo para construir um projeto eleitoral próprio. Ex-deputado federal, Aro integrou o segundo mandato do ex-governador Romeu Zema (Novo), primeiro como secretário da Casa Civil e, desde o ano passado, à frente da Secretaria de Governo, responsável pela articulação política da administração estadual.

Ruptura política

Após a reunião que marcou o rompimento, Mateus Simões disse que Marcelo Aro "traiu o governo" e "virou as costas para o projeto" liderado por Romeu Zema.

Segundo o chefe do Executivo estadual, Aro informou que negocia sua candidatura ao governo "há algumas semanas" e justificou a decisão pelo descontentamento com a composição da chapa governista, especialmente pela presença do senador Carlos Viana (PSD).

Inicialmente cotado para uma das vagas ao Senado na chapa de Simões, Aro passou a demonstrar insatisfação após a filiação de Viana ao PSD, em abril deste ano. Com isso, a possibilidade de disputar o governo ganhou força nas últimas semanas.

Durante entrevista, nessa quinta-feira, Simões disse que recebeu a decisão com "decepção" e criticou a trajetória do ex-secretário dentro da administração estadual.

"Marcelo Aro traiu o governo, traiu o governador Romeu Zema depois de parasitar o governo", declarou. O governador também afirmou que Aro foi acolhido pela gestão após ser derrotado nas eleições de 2022 e ocupou cargos estratégicos antes de decidir deixar o grupo político.

Simões ainda relatou ter questionado se a decisão era definitiva e ouviu que a movimentação dependeria da definição da candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Para o governador, a resposta evidencia que a estratégia de Aro está condicionada ao espaço político disponível no campo da oposição ao governo.

Saída do grupo político

Com o rompimento, o grupo ligado a Marcelo Aro deixa a administração estadual. Antes de ser exonerado, Castellar Neto havia sido encarregado de identificar os ocupantes de cargos indicados pelo ex-secretário que permaneciam na estrutura do Executivo.

Aro é considerado um dos principais articuladores políticos de Minas Gerais, com influência sobre deputados, prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Nas últimas semanas, sua possível candidatura ganhou força após reuniões com dirigentes do PL e aliados em Brasília, em meio à indefinição sobre a participação de Cleitinho na disputa pelo governo estadual.

Impacto na estratégia eleitoral

A saída de Aro amplia as dificuldades da estratégia eleitoral do governador. Na quarta-feira (29/7), o União Brasil já havia comunicado que deixaria a aliança com Simões. A decisão foi informada pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Rodrigo de Castro, que disse ter sido "voto vencido" dentro do partido.

Com a saída do União Brasil e do PP, o governador perde cerca de 20% do tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão correspondente à federação formada pelas duas legendas. A expectativa no governo é que partidos menores alinhados a Marcelo Aro, como o Podemos em Minas, também passem a integrar o novo bloco político.

A redução representa um revés para a estratégia de Simões, que apostava na formação de uma ampla coalizão para ampliar sua presença no horário eleitoral. O aumento do tempo de televisão era considerado um dos principais instrumentos para elevar seu nível de conhecimento entre os eleitores mineiros e impulsionar sua candidatura.

Antes da ruptura, a campanha trabalhava com a possibilidade de reunir nove partidos e ainda atrair PL e Republicanos, alcançando cerca de 60% do tempo de propaganda. Com a reorganização das alianças, o PSD deverá concentrar aproximadamente 8,24% desse tempo. O Novo, partido de Romeu Zema, não participa da divisão por não cumprir a cláusula de desempenho.

Cenário permanece indefinido

As movimentações ocorrem enquanto o senador Cleitinho Azevedo mantém o discurso de que seguirá como pré-candidato ao governo de Minas. Na quarta-feira (29/7), ele ponderou que disputará a eleição e negou qualquer desistência ou apoio a Marcelo Aro.

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Horas antes, o Republicanos divulgou nota cobrando uma definição do parlamentar e sinalizando que a legenda poderá adotar outro caminho caso a indefinição persista. Cleitinho ressaltou que o anúncio foi adiado em razão do luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia no último dia 18 de julho, e disse que pretende se reunir com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para buscar a oficialização de sua candidatura.

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