CONDENADO A 27 ANOS DE PRISÃO

Zema defende novo julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe

Pré-candidato do Novo à Presidência diz ser contrário a golpes, mas questiona a legitimidade do STF para julgar o ex-presidente e propõe "rejulgamento"

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O pré-candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nessa segunda-feira (6/7) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser submetido a um novo julgamento no processo em que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Embora tenha reiterado ser favorável à democracia e contrário a iniciativas golpistas, o ex-governador de Minas Gerais questionou a legitimidade do Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar o caso.

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A declaração foi feita durante entrevista ao grupo Derrubando Muros, que deu início a uma série de sabatinas com pré-candidatos à Presidência. Ao ser questionado sobre sua defesa da anistia a Bolsonaro, Zema sugeriu a reavaliação do processo.

"Talvez deveria ter rejulgamento [do ex-presidente] para avaliar. Vamos colocar em pauta novamente, aprofundar com pessoas mais isentas", disse o ex-governador mineiro, que endureceu o tom contra os membros do Supremo Tribunal Federal durante a sua pré-campanha.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado. O julgamento foi conduzido pela Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes - um dos principais alvos de críticas de Zema.

Durante a entrevista, Zema comparou inicialmente o caso de Bolsonaro à anistia concedida a militantes que atuaram contra a ditadura militar. O mediador da sabatina observou, no entanto, que muitos desses militantes não tiveram direito a julgamento, diferentemente do ex-presidente, que exerceu ampla defesa.

Na sequência, o pré-candidato citou a Operação Lava-Jato. O entrevistador voltou a ponderar que os investigados não foram absolvidos, mas tiveram processos anulados em razão de falhas processuais ocorridas em instâncias inferiores.

Após os questionamentos, Zema passou a defender um novo julgamento para Bolsonaro e afirmou considerar que o processo teve influência política. "Agora, na minha opinião, teve mais condução política do que jurídica [no julgamento]", declarou.

Questionado sobre os impactos de uma eventual anistia para a segurança jurídica e para a imagem do país, Zema reconheceu os riscos. "[O risco] é muito grande. Concordo plenamente", disse, antes de reiterar a proposta de um "rejulgamento".

Distanciamento do bolsonarismo

Apesar da defesa de uma nova análise do caso, Zema procurou diferenciar sua posição da do ex-presidente e do bolsonarismo. Segundo ele, a associação entre ambos decorre do fato de ter sido eleito governador no mesmo período em que Bolsonaro presidia o país e por compartilhar posicionamentos à direita e de oposição ao PT.

"Por ter sido eleito junto com Bolsonaro, por ser de direita, por ser anti-PT, criou-se essa imagem [de ser bolsonarista]", enfatizou.

O ex-governador chegou a ser cotado para compor uma chapa como vice do senador Flávio Bolsonaro, mas se afastou do filho do ex-presidente após críticas ao envolvimento dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro solicitou recursos ao empresário para financiar um filme sobre a trajetória do pai, mas nega qualquer irregularidade na iniciativa.

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Democracia

O ex-governador também declarou ser "totalmente favorável à democracia" e "totalmente contrário a qualquer tentativa de golpe". Sobre o sistema eleitoral, ressaltou confiar nas urnas eletrônicas, embora defenda a adoção de um mecanismo de conferência por meio de impressão para auditorias. "Acho que deveria ter mecanismo impresso para poder fazer confirmação aleatória, uma auditoria. Todo mecanismo de melhoria é bem-vindo, mas confio. Fui eleito duas vezes", afirmou.

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