A pouco menos de quatro meses da ida dos eleitores às urnas, os mineiros ainda desconhecem parte dos nomes que estarão na disputa pelo Palácio Tiradentes em outubro. Até agora, seis partidos já oficializaram pré-candidaturas ao governo do Estado. Às vésperas do início das convenções, no entanto, a tônica das articulações nas principais forças partidárias ainda é a indefinição. Dois campos antagônicos, PT e PL, legendas que receberão as maiores fatias do fundo eleitoral para financiamentos das campanhas, ainda não bateram o martelo sobre seus candidatos.
Depois de esperar por quase um ano pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB), o PT agora avalia outros nomes, após oficializado o desinteresse do preferido do presidente Lula pela disputa ao Palácio Tiradentes. A legenda deve priorizar a construção de uma candidatura própria para, nas palavras da presidente estadual da legenda, deputada Leninha, “não ficar refém de decisões de fora do partido”.
A avaliação passa por três nomes de perfis diferentes: o da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart, recém-filiada ao PT; do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG); e do deputado estadual Mário Henrique Caixa (PV), narrador esportivo, cujo partido, assim como o PCdoB, é federado ao PT.
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À imprensa, Leninha tratou de frisar que esse projeto não é irrevogável. “Se tiver que recuar nessa candidatura própria até a convenção, vamos recuar. Se tiver que avançar com ela, vamos avançar. Para nós, a prioridade é a eleição do Lula. Sem nenhuma vaidade, estamos muito acertados internamente para definir a melhor tática”, afirmou. “Não queremos chegar à convenção sem ter um nome para apresentar para a cabeça de chapa em Minas”, disse.
Paralelamente, o PT mantém outras frentes de negociação. Uma delas envolve o PSB, partido de Rodrigo Pacheco. Outra aposta é a formação de uma frente ampla, expandindo a aliança ao centro, com o MDB, que já lançou a pré-candidatura do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo ao governo. Outra opção é desenhar uma nova aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).
PSB analisa nomes
Mesmo sem Pacheco, o PSB, que recebeu a filiação do senador em abril deste ano, movimento interpretado como um sinal de anuência à candidatura, manteve o projeto de disputar o Palácio Tiradentes. A legenda já realiza prévias para escolher seus representantes. Os postulantes, até agora, são o ex-procurador de Justiça Jarbas Soares Júnior; o empresário Josué Gomes da Silva; o ex-senador Clésio Andrade e Julvan Lacerda, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM).
A vinda do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a Minas, aguardado para eventos oficiais do governo federal no interior, a partir de quarta-feira (10/6), também deve incluir conversas voltadas à construção de um palanque para a candidatura à reeleição de Lula no estado. O partido, por outro lado, têm reiterado que pretendem manter uma candidatura própria, mesmo diante de eventual lançamento de um nome petista.
A direção estadual prepara ainda um encontro para reunir filiados e debater os rumos da sigla em Minas, incluindo a formação das chapas proporcionais. O resultado das prévias deverá ser anunciado em julho, às vésperas das convenções que oficializarão as candidaturas.
PL à espera de Cleitinho
Assim como o PT esperou por Pacheco, agora é a vez do PL aguardar a decisão do também senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A legenda decidiu no mês passado priorizar uma aliança com Cleitinho para a disputa ao governo, deixando em segundo plano as conversas em torno da reeleição do governador Mateus Simões (PSD). De lá para cá, não houve avanços e, na última semana, o PL deu um ultimato ao senador, que pediu prazo de dez dias “para conversar com a família e terminar de avaliar”.
Poucos dias depois do acerto, uma entrevista publicada pelo jornal “O Globo” sinalizou que o cronograma não será atendido. Nela, Cleitinho minimizou a pressão por resposta e disse que o mistério em torno da candidatura é deliberado. “Se eu fico falando que sou, perde o encanto. [...] É tudo estratégia minha”, declarou. “Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, afirmou.
O “plano B” do PL, em caso de recusa de Cleitinho, será lançar, como caminho mais provável, um nome do próprio partido, entre dois dos recém-filiados: o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli e o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
A legenda tenta evitar que a indefinição se estenda até o período das convenções partidárias. “Não podemos deixar isso para a véspera. Porque, se porventura o Cleitinho não for, a gente tem uma responsabilidade com Minas e com o Brasil. A gente tem que tomar uma decisão”, afirmou Domingos Sávio ao Estado de Minas, sem fechar nenhuma porta, nem mesmo para a retomada das conversas em torno da reeleição de Simões.
Nomes já colocados
Historicamente, Minas costuma chegar à urna com algo entre sete e 10 candidaturas ao governo. Em 2022, foram dez postulantes. Em 2018, nove. Já em 2014, sete nomes disputaram o comando do Estado.
A corrida de 2026 já conta com duas pré-candidatas mulheres. Pela Unidade Popular (UP), Indira Xavier tenta novamente chegar ao Palácio Tiradentes. Natural de Alagoas, ela ajudou a fundar o partido em 2019 e foi candidata ao governo em 2022, quando recebeu 15.604 votos, o equivalente a 0,14% do total.
Já Maria da Consolação, a Consola, foi lançada pela federação Psol-Rede. Uma das fundadoras da legenda, ela acumula oito candidaturas sem vitórias. Disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2012 e 2016; uma vaga na Câmara Municipal em 2020 e 2024; uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2022; e mandatos na Câmara dos Deputados em 2010, 2014 e 2018.
O campo da esquerda ainda conta com a pré-candidatura do professor Túlio Lopes, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele foi candidato do partido ao governo do estado em 2014, tendo recebido 0,26% ou 26.023 votos na época, o que o colocou em quinto lugar na disputa. Em 2018, foi candidato ao Senado Federal pela Frente Minas Socialista, formada por PCB, Psol e UP, e ficou em 10º lugar na disputa por duas vagas, com 0,52% dos votos (92.165).
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No centro, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que volta à disputa após ser derrotado por Romeu Zema (Novo) em 2022, e o estreante na disputa Gabriel Azevedo (MDB). Herdeiro político de Romeu Zema (Novo), o governador Mateus Simões (PSD) desponta hoje como o principal nome da direita na sucessão estadual. O campo conservador também conta com a pré-candidatura do influenciador digital Ben Mendes, lançado pelo partido Missão.
