ELEIÇÕES 2026

Lula e Kalil em novo namoro, mas distante do casamento

Se Rodrigo Pacheco não disputar o governo de Minas, o pré-candidato do PDT pode ser o plano B para dar palanque ao petista no estado

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“Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem eu quiser”. Por trás da reação atravessada de Alexandre Kalil (PDT), expressa nas redes sociais logo após aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cogitarem um novo apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte ao governo de Minas, está uma relação que, nos últimos quatro anos, passou por aproximação, frustração, distanciamento e, mais recentemente, uma tentativa de reconstrução.

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Após um período de afastamento, Kalil reaparece como alternativa do campo progressista na disputa pelo Palácio Tiradentes, em meio às incertezas sobre a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB). Ao mesmo tempo em que seu nome também circula em conversas sobre uma possível ‘dobradinha’ ao Senado com Marília Campos (PT).

Preferido do Planalto para disputar o governo de Minas, Pacheco mantém em suspense se entrará na corrida eleitoral. Na última semana, indicou que pretende bater o martelo até o fim deste mês. Fato é que o senador tem que se decidir até o início de agosto, prazo máximo para o registro das chapas.

Sem palanque definido para Lula em Minas, a cinco meses das eleições, o PT, a cada momento, ventila oficialmente e nos bastidores um nome diferente para disputar o governo do estado. E Kalil, agora filiado ao PDT, reaparece entre os possíveis arranjos.

Hoje não há, contudo, demonstrações públicas de proximidade semelhantes às vistas em 2022, quando o próprio Lula fez acenos ao ex-dirigente do Atlético Mineiro e chegou a ceder a exigências impostas por Kalil durante a pré-campanha. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, em dezembro do ano passado, o presidente até citou Kalil, mas no meio de outros tantos nomes tidos como “planos B”.

“Nós temos o Kalil, que eu já apoiei aqui na eleição passada. Nós temos agora o Tadeuzinho. Nós temos duas prefeitas importantes, Juiz de Fora e Contagem, são duas prefeitas muito importantes. Nós ainda temos ministros, deputados. Ou seja, eu não tenho pressa, sabe? Quem tem pressa come cru”, disse à época.

Em Brasília, aliados defendem que Kalil continua sendo um dos poucos nomes com capilaridade para escapar ao antagonismo entre “direita e esquerda”, com forte presença em Belo Horizonte e capacidade de polarizar contra o grupo político do ex-governador Romeu Zema (Novo). Partidos da federação formada por PT, PCdoB e PV, além de Rede Sustentabilidade e Psol, já demonstraram disposição para apoiar uma eventual candidatura do pedetista.

O caminho até essa reaproximação, entretanto, foi marcado por desgaste. Em 2022, quando Kalil tinha o então deputado estadual André Quintão (PT) como candidato a vice na chapa, Lula apostou pessoalmente em seu nome para reconstruir a competitividade do campo petista em Minas. A aproximação entre os dois vinha sendo costurada desde o período da pandemia, quando Kalil ganhou projeção nacional por embates públicos com Jair Bolsonaro (PL) e pela defesa de medidas sanitárias restritivas durante a crise da COVID-19.

A aliança, contudo, exigiu costura de Lula dentro do próprio PT. Parte da legenda defendia candidatura própria ao governo. O então candidato à Presidência da República, porém, atuou diretamente para consolidar o acordo com Kalil, sob o argumento de que o partido não tinha, naquele momento, um nome competitivo para enfrentar a tentativa de reeleição de Romeu Zema (Novo).

Em troca da composição, o PT abriu mão da candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes ao Senado e cedeu espaço para a candidatura do apadrinhado de Kalil, Alexandre Silveira (PSD).

À época, pesquisas eleitorais mostravam que o apoio de Lula impulsionava a candidatura do ex-prefeito. O problema é que essa associação nunca foi totalmente confortável para Kalil. Ainda que “tenha feito o ‘L’” em eventos e dividido palanque com Lula, Kalil buscava equilibrar a associação sem perder espaço junto a parcelas do eleitorado mineiro mais refratárias ao petismo.

Em diversas agendas, tentou enfatizar sua identidade própria, apresentando-se mais como gestor do que como representante ideológico da esquerda. “Ele (Kalil) sempre resistiu à ideia de ser absorvido pelo PT ou tratado apenas como representante do lulismo em Minas”, disse um interlocutor ao EM.

A eleição terminou com um saldo ambíguo para a aliança. Lula venceu em Minas Gerais na disputa presidencial, mas Kalil acabou derrotado por Zema ainda no primeiro turno. Após derrota eleitoral em Minas, no entorno do ex-prefeito, havia expectativa de que ele fosse incorporado ao governo federal. Interlocutores ouvidos pela reportagem defendem que Kalil havia assumido um risco político ao se associar a Lula em um estado dividido eleitoralmente e, por isso, esperava algum tipo de acomodação na Esplanada dos Ministérios.

Os nomes mais comentados nos bastidores eram os ministérios do Esporte, devido à projeção de Kalil no futebol, e das Cidades, associado à experiência administrativa acumulada na Prefeitura de Belo Horizonte. Isso nunca se concretizou. Kalil acabou fora do primeiro escalão enquanto aliados próximos, como Alexandre Silveira, assumiram posições estratégicas no governo federal.

O esfriamento da relação com Lula então passou a ser perceptível ao longo de 2023. Kalil reduziu as aparições ao lado do presidente e deixou de participar de agendas ligadas ao governo federal. Em maio de 2024, o próprio ex-prefeito admitiu, em coletiva de imprensa, que não falava com Lula desde a eleição e disse, embora sem descartar novas alianças, “considerar difícil que ele e o petista voltassem a caminhar juntos”.

Reaproximação

Kalil nunca rompeu com Lula, mas, nos últimos anos, tentou recalibrar sua posição de aliado orgânico ao governo. Em entrevista ao EM, em agosto de 2024, afirmou que votaria novamente em Lula em uma eventual disputa contra Jair Bolsonaro. Ao mesmo passo, disse que o governo federal tinha “um monte de problema” e tratou o apoio ao presidente como uma decisão política, não ideológica.

Agora, em 2026, a indefinição em torno do senador Rodrigo Pacheco, tratado por Lula como prioridade na disputa ao Palácio Tiradentes, reacendeu o interesse em Kalil. Desde o fim do ano passado, dirigentes petistas passaram a intensificar gestos públicos em direção ao ex-prefeito de Belo Horizonte.

Um dos primeiros movimentos ocorreu em novembro, quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, participou de um jantar com Kalil, à época recém-filiado ao PDT e já autodeclarado pré-candidato ao Palácio da Liberdade. A conversa, intermediada pela Rede Sustentabilidade, foi o pontapé inicial na tentativa de reeditar a aliança das eleições de 2022.

As tratativas ganharam novos capítulos nos meses seguintes. Em fevereiro deste ano, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou, após reunião com Edinho Silva, que o PT mineiro apoiaria a candidatura de Kalil ao governo estadual. A declaração, publicada nas redes sociais, indicava que a formalização da aliança estaria próxima. O movimento, porém, provocou desconforto entre lideranças petistas e foi rapidamente desautorizado. Kalil também rechaçou a costura.

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Mais recentemente, a direção nacional petista passou a discutir outro desenho político para Kalil: uma ‘dobradinha’ para o Senado ao lado da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Durante passagem por Minas em março deste ano, Edinho Silva classificou a possível aliança como a “chapa dos sonhos” do partido. “Respeito muito a história dele, o que ele fez em Belo Horizonte; já conversei com ele e sigo em diálogo. E a chapa dos sonhos seria com essas pessoas: Marília, Pacheco e Kalil”, afirmou o dirigente petista.

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