ELEIÇÕES 2026

Distribuição de fundo eleitoral evidencia dança das cadeiras no Congresso

Mudanças nas ocupações do Congresso levou ao crescimento do PL na fatia do fundo eleitoral, que receberá mais de R$ 880 milhões, e na baixa de outros partidos

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na última quarta-feira (3/6) a divisão dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral. Ao todo, cerca de R$ 4,9 bilhões serão distribuídos entre 30 partidos para as eleições deste ano, em uma divisão que evidencia a dança das cadeiras promovida a partir dos partidos eleitos nas eleições de 2022 e pode definir a performance dos partidos em outubro.

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A distribuição dos valores leva em consideração critérios definidos pela Lei Orçamentária, como o tamanho das bancadas das siglas na Câmara dos Deputados e no Senado, além do desempenho obtido nas últimas eleições. Por concentrarem as maiores representações no Congresso Nacional, o Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT) ficaram com as maiores parcelas dos recursos.

O União Brasil, o Partido Social Democrático (PSD), Partido Progressista (PP), Movimento Democrático Brasileiro (MDB) aparecem na sequência de maiores partidos, seguidos do Partido Republicanos, Podemos, Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O dinheiro poderá ser utilizado em despesas de campanha, como produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, contratação de equipes, aluguel de espaços para eventos, transporte e serviços de comunicação.

O fundo eleitoral foi fixado em exatamente R$ 4.961.519.777,00. Do total, 2% são repartidos igualmente entre todos os partidos com estatutos registrados no TSE. Outros 35% são distribuídos entre as legendas com representação na Câmara dos Deputados, de forma proporcional à votação obtida na última eleição para a Casa.

A maior parcela, correspondente a 48% dos recursos, é dividida de acordo com o número de deputados federais de cada partido. Os 15% restantes são repartidos conforme a bancada de cada legenda no Senado Federal, considerando os parlamentares titulares.

Para ter acesso aos recursos, os partidos precisam definir internamente os critérios de distribuição dos valores. A decisão cabe à direção executiva nacional de cada legenda, que deve aprovar e divulgar publicamente as regras para a aplicação da verba.

Mudanças nas cadeiras

O valor total distribuído é o mesmo disponibilizado para o último pleito eleitoral, mas com mudanças significativas nas fatias. Nas últimas eleições, o União Brasil era o maior partido do país, com 85 deputados federais e 10 senadores, e havia recebido 15,77% do fundo, com R$ 782,5 milhões recebidos para a campanha eleitoral. 

Desta vez, ocupa a terceira posição de grandeza, com um valor recebido 32,75% menor – em um cálculo que considera a ocupação de três cadeiras no Senado e 51 na Câmara.

O caso é parecido com o da atual liderança, ocupada pelo PL. Em 2022, ano em que tentava a reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL), o partido recebeu R$ 288,5 milhões para fomentar as campanhas – valor considerando uma bancada de dois senadores e 37 deputados federais, sendo o sexto maior partido. 

Hoje, com uma bancada que conta com 16 senadores e 97 deputados federais, o partido bolsonarista recebe um valor aproximadamente 205,6% maior do que o anterior, o que pode impulsionar ainda mais a campanha presidencial do filho do último presidente, Flávio Bolsonaro (PL), que considera que “herdou” a trajetória política do pai. O dinheiro recebido pelo partido representa 15,77% do total.

Sigla do atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) terá a terceira maior parcela do fundo eleitoral. No último pleito, que resultou na eleição do petista, o partido contava com 62 cadeiras ocupadas no Congresso Nacional, sendo 56 na Câmara e seis no Senado, e recebeu o valor de R$ 503,36 milhões do fundo, como o segundo maior partido.

No atual pleito, o partido receberá R$ 615,367 milhões, valor 22,25% superior ao repasse anterior. Os recursos deverão financiar as campanhas da legenda, incluindo uma eventual candidatura do presidente Lula à reeleição, o que representaria seu quarto mandato à frente do país e o segundo consecutivo, caso seja eleito.

A mudança nas cadeiras também provocou mudanças significativas nos valores recebidos pelos MDB, PSD, PP, e PSB, que antes ocupavam o segundo, terceiro, quarto e sexto lugares, respectivamente, na lista de partidos com maior presença no Congresso Nacional.

Antes em segundo lugar, com 34 deputados e 11 senadores, o MDB havia recebido R$ 363,284 milhões. A bancada elegeu 38 deputados federais e 9 senadores, o que fez com que sua parcela no fundo eleitoral chegasse a R$ 400 milhões, representando um aumento de 10,19%.

Já PSD, que ocupava o terceiro lugar de grandeza em 2022 com 36 cadeiras na Câmara e 8 no Senado, recebeu o valor de R$ 349,916 milhões no pleito anterior. Hoje, é o quarto maior partido do país, com 48 deputados e 14 senadores, e terá R$ 421,008 milhões destinados às campanhas. O aumento é de 20,32%.

O Progressistas, que antes contava com uma bancada com 40 deputados e seis senadores, recebeu 6,95% de todo o fundo, com um total de R$ 344,793 milhões destinados às campanhas. No atual pleito, a bancada é de 48 deputados e oito senadores, o que fez também com que o fundo chegasse a R$ 417.067 milhões – 20,96% a mais.

Por outro lado, o PSB, que tinha uma bancada no Congresso com 32 deputados e dois senadores e havia recebido R$ 268,889 milhões, teve queda no valor destinado à sigla devido à diminuição dos parlamentares eleitos. Hoje, conta com 17 cadeiras ocupadas na Câmara e oito no Senado e receberá uma parcela de apenas 3,07% do fundo eleitoral – R$ 152,252 milhões, o que representa uma redução de 43,38%.

Já o Novo, que teria destinados ao partido R$ 90,108 milhões em 2022, recusou o repasse. Neste ano, o valor destinado à legenda chega a R$ 37,044 milhões. 

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Veja a comparação de 2022 e 2026, considerando os 10 maiores partidos

Veja a comparação de 2022 e 2026, considerando os valores recebidos pelos 10 maiores partidos, conforme dados disponibilizados pelo TSE
Veja a comparação de 2022 e 2026, considerando os valores recebidos pelos 10 maiores partidos, conforme dados disponibilizados pelo TSE Giovanna de Souza/EM/D.A. Press

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