Fundo Eleitoral: veja quanto cada partido receberá dos R$ 4,9 bi para 2026
PL, PT e União Brasil concentramcom cerca de 40% do total. Tendência de partidos é investir na reeleição de parlamentares
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Três partidos vão morder cerca de 40% do Fundo Eleitoral, que este ano será de R$ 4,9 bilhões. O PL levará a fatia maior, de R$ 881,6 milhões. Em seguida aparecem o PT, com R$ 615,3 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Os valores para cada uma das 30 legendas do país foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite dessa quarta-feira (3/6).
Com a divisão do bolo, a federação União Progressista (formada pelo União Brasil e pelo PP) terá à disposição quase R$ 1 bilhão do montante do oficialmente chamado Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições deste ano.
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), destacou que a concentração de recursos do Fundo Eleitoral em poucos partidos empodera os líderes das legendas. "A distribuição passou a ser uma das decisões mais estratégicas do processo eleitoral. Quem controla o cofre, controla boa parte das condições de competição. Os presidentes de partido acumulam hoje uma capacidade de influência superior à de diversos ministros de Estado", frisou.
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Medeiros ressaltou que o valor do fundo triplicou desde 2018 e isso terá impactos diretos nos nomes que pleitearão mandatos nas eleições em outubro. "O Fundo Eleitoral influencia a distribuição de poder antes mesmo de o primeiro voto ser depositado na urna", disse. Com isso, na visão do especialista, a renovação do Congresso Nacional vai depender da decisão de cada sigla em investir em um candidato ou candidata. Contudo, a tendência é de que os partidos continuem enviando recurso para aqueles que já possuem mandato, ou seja, disputarão a reeleição.
"O cálculo dos partidos é racional. Direcionam recursos para candidatos que apresentam maiores probabilidades de vitória. E isso normalmente significa destinar recursos para quem já ocupa mandato. A tendência estrutural é que a renovação ocorra de forma mais lenta e controlada, cada vez mais dependente das cúpulas partidária", afirmou.
Impeachment no STF
O Senado será a Casa com maior relevância para os partidos no pleito deste ano, principalmente para o PL, PT e seus aliados. Em 2026, 54 senadores deverão buscar um novo mandato, renovação de 2/3 das cadeiras. Para os bolsonaristas, eleger o maior número de senadores é essencial para eleger um presidente da Casa em fevereiro de 2027 que paute os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, o nome mais cotado para esse comando é o do senador e líder da oposição na Casa, Rogério Marinho (PL-RN). Internamente, a decisão do PL em manter Marinho no Senado e não lançá-lo como pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte foi pensando na cadeira no ano que vem.
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Na Câmara, o PL tem hoje a maior quantidade de cadeiras: são 97 deputados, contra 65 do PT. Partidos do campo da esquerda e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como PSB, PDT, PSol e Rede, esperam aumentar o número de deputados nestas eleições com objetivo de diminuir o poder de barganha do Centrão para votação de projetos de interesse do Executivo.
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Veja quanto os partidos vão receber
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- PL:R$ 881.657.477,34
- PT:R$ 615.367.980,20
- União Brasil:R$ 526.242.858,11
- PSD:R$ 421.008.404,89
- PP:R$ 417.067.738,40
- MDB:R$ 400.002.399,99
- Republicanos:R$ 348.587.815,77
- Podemos:R$ 245.969.763,68
- PDT:R$ 169.285.643,92
- PSB:R$ 152.252.956,07
- PSDB:R$ 147.895.172,40
- PSOL:R$ 131.506.284,42
- Solidariedade:R$ 88.526.669,83
- Avante:R$ 72.516.777,19
- PRD:R$ 71.819.227,37
- Cidadania:R$ 60.714.157,11
- PCdoB:R$ 60.531.914,25
- PV:R$ 45.183.873,26
- Novo:R$ 37.044.203,26
- Rede:R$ 35.803.821,03
- Agir:R$ 3.307.679,85
- DC:R$ 3.307.679,85
- Democrata:R$ 3.307.679,85
- Missão:R$ 3.307.679,85
- Mobiliza:R$ 3.307.679,85
- PCB:R$ 3.307.679,85
- PCO:R$ 3.307.679,85
- PRTB:R$ 3.307.679,85
- PSTU:R$ 3.307.679,85
- UP:R$ 3.307.679,85
Criado pela Lei nº 13.487/2017, o fundo é constituído com Orçamento da União em ano eleitoral e tem a finalidade de custear as campanhas. A distribuição dos recursos observa os seguintes critérios: 2% são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE; 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na última eleição geral para a Câmara dos Deputados; 48% são repartidos de acordo com o número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados; e 15% são divididos conforme a representação dos partidos no Senado Federal.