FAMÍLIA BOLSONARO

Flávio Bolsonaro pede prisão de Lula por fala sobre ‘traidores da pátria’

Senador reagiu a declaração do presidente durante cerimônia na Câmara de BH e afirmou que petista fez ameaça contra ele e seus aliados

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (2/6), em Belo Horizonte, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “deveria estar preso” por ter, segundo ele, incentivado ameaças contra adversários. Durante discurso na Câmara Municipal, onde recebeu o título de cidadão honorário da capital mineira, o parlamentar disse que o petista teria dado um “apito de cachorro” para que facções criminosas agissem contra ele e seus aliados.

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“Eu, de verdade, peço a Deus que não tenha sido essa a intenção, porque se foi, esse cara tinha que estar preso”, declarou. A reação ocorreu após uma fala de Lula durante evento em Goiás. Ao criticar a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos, em meio à discussão sobre sanções econômicas ao Brasil, o presidente classificou o senador e seus aliados como “traidores da pátria” e fez referência à Inconfidência Mineira.

“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem”, afirmou Lula. O presidente cometeu um erro histórico em seu discurso ao afirmar que o delator foi enforcado. Na verdade, o enforcado na Inconfidência Mineira foi o próprio Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), enquanto Silvério dos Reis foi perdoado e recompensado pela Coroa Portuguesa.

Poucas horas depois, diante de apoiadores reunidos na Câmara Municipal de Belo Horizonte, Flávio respondeu às declarações do presidente. O senador afirmou que a fala extrapolou os limites da disputa política e sugeriu que poderia incentivar ações violentas.

“Bastou eu atuar contra o PCC e o Comando Vermelho, bastou eles serem modulados como grupos terroristas pelo governo americano, que ele dá uma espécie de apito de cachorro para as facções criminosas executarem”, afirmou.

Ele prosseguiu dizendo que não se deixará intimidar pelas declarações do presidente. “Não vai ser uma ameaça de morte para a minha pessoa ou para os meus aliados que vai me fazer desistir do meu Brasil", disse. Em outro momento, dirigiu-se diretamente ao presidente. "Você não vai me tirar dessa luta, Lula. Pode desistir”, disse.

Como provocação, Flávio ainda chegou à cerimônia vestindo, sob o terno, uma camisa verde e amarela com a inscrição "Libertas quae sera tamen" (liberdade ainda que tardia), lema dos inconfidentes que, posteriormente, foi incorporado à bandeira de Minas Gerais

Mais cedo, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro informou que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente, acusando-o dos crimes de ameaça e incitação ao crime. Aliados do senador sustentam que a fala presidencial poderia estimular atos violentos contra opositores, lembrando o atentado sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

Opositores e apoiadores em lados opostos da Câmara

A entrega do título de cidadão honorário a Flávio foi acompanhada por manifestações dentro e fora da Câmara. Enquanto apoiadores do parlamentar se concentraram na entrada principal do Legislativo e lotaram as galerias do plenário, grupos contrários à homenagem realizaram um protesto pacífico do lado de fora do prédio.

O ato foi organizado pela Força Atleticana Revolucionária (FAR), torcida ligada ao Atlético Mineiro, que convocou a mobilização para expressar repúdio à concessão da honraria. Segundo os organizadores, a intenção não era impedir a realização da cerimônia, mas manifestar discordância em relação à homenagem concedida ao “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Presidente da FAR, o enfermeiro Marcelo Saad, de 43 anos, questionou os motivos que levaram à concessão da homenagem. “O que o Flávio Bolsonaro fez por Belo Horizonte? Por que essa medalha para ele?”, indagou.

Na lateral da Câmara, manifestantes exibiram faixas, bonecos e utilizaram carro de som para fazer discursos e entoar palavras de ordem contra o senador. Um caminhão de som da CUT-MG permaneceu estacionado próximo ao grupo, que também contou com a presença de vendedores ambulantes.

O deputado federal Rogério Correia (PT) participou do ato e afirmou que a mobilização extrapolava o universo das torcidas organizadas. Segundo ele, pessoas com diferentes perfis e preferências esportivas aderiram ao protesto.

“Representamos muito mais que uma torcida. Tem gente aqui torcedora do Cruzeiro, do América. Porque essa homenagem é um tapa na cara. Estamos correndo o risco, no Brasil, de perder o Pix, risco de sermos ultratarifados, porque ele, Flávio Bolsonaro, foi até o Trump pedir isso”, declarou.

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A segurança no entorno da Câmara foi reforçada devido à expectativa de manifestações favoráveis e contrárias ao senador. A Polícia Militar acompanhou a movimentação, e os grupos permaneceram separados durante toda a programação. Não houve registro de confrontos ou incidentes.

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