Lula após novo tarifaço: ‘Filhos de Bolsonaro são piores que o pai’
Presidente associou possível taxação de 25% sobre produtos brasileiros à aproximação de Flávio e Eduardo com Trump
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionou a possibilidade de os Estados Unidos imporem novas tarifas sobre produtos brasileiros com a relação de Flávio e Eduardo Bolsonaro, ambos do PL, com o governo Trump. Durante discurso em Catalão (GO), nesta terça-feira (2/6), Lula afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são “piores do que ele”, classificando-os como “vendilhões da pátria” e “traidores”.
A declaração foi feita um dia após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluir uma investigação comercial e recomendar à Casa Branca a aplicação de tarifas de até 25% sobre uma série de produtos brasileiros. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer, alto e bom som: são traidores”, afirmou o presidente.
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Lula associou a recomendação americana à recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aos Estados Unidos. Os dois estiveram em agendas com integrantes do governo norte-americano e registraram encontros relacionados ao presidente Donald Trump.
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Ao comentar a atuação dos adversários políticos, o presidente afirmou que a eventual taxação prejudicaria não apenas o governo federal, mas também empresas e trabalhadores brasileiros. “Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros e o nosso agronegócio”, declarou.
Em outro trecho do discurso, Lula fez uma das críticas mais duras já dirigidas à família Bolsonaro desde o retorno ao Palácio do Planalto. “A gente está lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu. Eu já fiz muita campanha política, já enfrentei muita gente de direita, do centro, mas nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022”, disse.
O presidente também mencionou o episódio histórico envolvendo Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira, para reforçar as acusações de traição. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merece os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país?”, questionou.
Investigação dos EUA
A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos foi anunciada na segunda-feira (1º/6), quando o USTR divulgou as conclusões de uma investigação aberta em 2025 sobre práticas comerciais brasileiras.
O relatório considera que determinados atos, políticas e práticas do Brasil seriam “irracionais” e “sobrecarregariam ou restringiriam” o comércio americano. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, regras relacionadas ao comércio digital, tarifas consideradas preferenciais, políticas de combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ligadas ao desmatamento ilegal.
Apesar da proposta de novas tarifas, o documento exclui diversos produtos estratégicos das possíveis sanções, incluindo carne bovina, café, frutas, verduras, além de minerais e metais como alumínio, níquel, carvão e cobalto. A recomendação ainda depende de aprovação da Casa Branca. Antes da decisão final, o governo norte-americano deverá realizar consultas públicas e audiências. O prazo previsto para a definição das medidas é 15 de julho.
Flávio diz que pediu para não haver taxação
Flávio afirmou ter pedido diretamente a Trump que não aplicasse tarifas contra empresas brasileiras. Segundo Flávio, o pedido foi feito durante encontros que teve com o presidente americano, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
"Eu pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz o Lula", declarou o senador nas redes sociais.
De acordo com Flávio Bolsonaro, ele argumentou junto às autoridades americanas que o Brasil possui setores estratégicos que devem ser preservados, como o agronegócio, a produção de etanol e o desenvolvimento tecnológico nacional.
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"A partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo. Não é justo taxar as nossas empresas. A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, a gente tem que valorizar o nosso Pix, a gente tem que valorizar o nosso etanol", prometeu.