A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL Mulher) se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “irmão em Cristo” em meio a discurso a apoiadores bolsonaristas, nessa terça-feira (19/5).

Moraes é visto como o maior inimigo da cúpula bolsonarista por ser relator do caso que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e trama golpista e por ter mantido Bolsonaro preso sob custódia da federação, e não em regime domiciliar. 

Durante evento de lançamento da campanha da doceira Maria Amélia, pré-candidata a deputada distrital pelo Distrito Federal, Michelle comentou sobre a permissão dada ao marido de ter o cabelo cortado por um cabeleireiro e falou sobre a expectativa de transformação de Moraes em um símbolo bom para a direita.

“Nosso ministro, vou profetizar aqui porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro e ele [Jair] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, com aqueles olhos azuis brilhando!”, comentou Michelle. 

Posteriormente, a ex-primeira-dama comentou que a fala foi uma brincadeira e seguiu falando sobre o próprio movimento de pré-campanha na corrida ao Senado pelo DF. 

“Brincadeiras à parte, a gente está aqui no momento importante para o nosso Distrito Federal. Eu quero falar para vocês que eu aceitei um desafio muito grande de percorrer o Brasil e não era porque eu queria uma candidatura nacional, não, era justamente para isso acontecer”, disse, referindo-se ao pré-lançamento de Maria Amélia. 

Nas redes sociais, apoiadores bolsonaristas criticaram a fala. “Incrível como ela não se ajuda. Irmão? O cara mandou prender inocentes”, escreveu uma pessoa. “Essa moça caiu no abismo da subserviência ao sistema, covarde e piegas. Não a vejo como antes. Ela tem tentado rivalizar com os filhos de Bolsonaro, todos políticos experimentados, ela é só a esposa do capitão, nada mais, não é líder de nada”, criticou um usuário.

Outras pessoas defenderam Michelle, dizendo que ela chamou Moraes de “irmão” depois de dizer que se tratava de uma profetização. “Quando ela diz: "vou profetizar aqui", ela não afirma que ele é. Isso significa que ela espera que ele se torne. Naturalmente, se isso acontecer, ele deixará práticas que a incomodam. É só isso”, escreveu um apoiador. “A mulher está salvando o marido, e vocês criticando”, escreveu outro. 

“Ela é evangélica e para o evangélico todos somos irmãos em Cristo”, disse mais um. “Isso é amar os nossos inimigos”, disse outra pessoa. Outros comentários afirmam que ela é a pessoa “com mais visão política” em toda a família Bolsonaro.

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A fala ganha força nas críticas após uma primeira aproximação pública entre os Michelle e Moraes, registrada durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada no início da última semana. Na ocasião, Michelle e Moraes se cumprimentaram com um “beijinho” no rosto e a cena foi capturada em uma foto da reportagem do portal Metrópoles. Para apoiadores, o cumprimento deveria ter sido evitado, mesmo “sendo contra a etiqueta”.

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