STF afasta perito que vazou contrato de esposa de Moraes com Master
PF suspeita que perito repassou informações sigilosas da Operação Compliance Zero a jornalistas
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O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou do cargo o perito criminal da Polícia Federal (PF) João Cláudio Nabas por suspeita de violação de sigilo funcional durante a realização da Operação Compliance Zero. A operação apura as irregularidades milionárias do agora liquidado Banco Master, suspeito de ser uma organização criminosa com práticas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos.
Investigações da PF apontam que Nabas foi responsável por repassar a um jornalista informações sigilosas do início das investigações, obtidas a partir da análise do material apreendido na primeira fase da Operação. Segundo o Supremo, a investigação apura a conduta do perito, que, em tese, teria violado o dever funcional de resguardar informações sigilosas.
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De acordo com o Correio Braziliense, a acusação atesta que as informações repassadas pelo perito se referem ao contrato de R$ 129 milhões firmado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci, com o Banco Master. Os dados teriam sido enviados a jornalistas entre dezembro e janeiro deste ano. Apesar do valor total do contrato, a advogada, esposa do magistrado, teria recebido R$ 80 milhões.
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O perito João Cláudio Nabas também teria repassado o conteúdo de mensagens trocadas entre o magistrado e Daniel Vorcaro, no dia da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. Conversas divulgadas pelo jornal O Globo sugerem que o ex-banqueiro prestava contas ao ministro sobre o avanço das negociações para a venda do banco e falou sobre o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e o levou à prisão.
O afastamento é uma das medidas cautelares imposta por uma operação policial deflagrada na segunda-feira (18/5), autorizada pelo ministro André Mendonça a partir de uma representação da própria PF. Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão contra o investigado.
De acordo com o STF, as medidas não implicam investigação contra jornalistas ou veículos de imprensa, “permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”, diz trecho de comunicado.
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A Compliance Zero já está em sua sexta fase e apura as irregularidades milionárias da instituição financeira, suspeita de ser uma organização criminosa que praticava intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. A última ação da Polícia Federal (PF) sobre o caso prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel, outros seis investigados, e cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.