Ex-deputado federal e ex-diretor da Abin do governo de Jair Bolsonaro (PL), Alexandre Ramagem atacou a Polícia Federal e seu diretor-geral, Andrei Rodrigues, no início da tarde desta sexta-feira (17/4), em entrevista ao canal do YouTube Conversa Timeline.
Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), na última segunda-feira (13/4), por “questões migratórias”. Ele foi solto na última quarta-feira (15/4), de forma administrativa, sem necessidade de pagamento de fiança.
Na conversa com o jornalista Allan dos Santos, Ramagem afirmou que “a Polícia Federal de Andrei Rodrigues” (diretor-geral) é “uma polícia de jagunço”. “Eles querem fazer esse trabalho sorrateiro, e é isso o que eles fazem. Eles querem fazer perseguição”, disse.
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A Polícia Federal divulgou ao Portal G1 que Ramagem havia sido levado a um centro de detenção na cidade de Orlando, no estado da Flórida. Quando detido, o diretor-geral da PF teria afirmado que a prisão foi possível graças a um trabalho conjunto entre os países.
“A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil–Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular", afirmou Andrei Rodrigues.
Segundo Ramagem, Andrei se gabou pela prisão “de idosos, pais e mães de família”, envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, “chamados de terroristas”. O ex-deputado questionou “a moralidade” do diretor-geral: “É o mesmo cara que fez aquela fala terrível de querer sair no Guinness Book (livro de recordes mundiais) com a maior prisão de todas. Que está do lado de Lula para não classificar facções violentas, como o PCC e o Comando Vermelho, como terroristas. É esse diretor-geral da PF que está vinculado ao Vorcaro, com passagem e despesas pagas pelo Master, amigo íntimo de Lula!”, disse.
Andrei Rodrigues está na lista dos participantes do evento “1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, que teve patrocínio do Banco Master em setembro de 2024 em Londres, capital da Inglaterra. O evento contou com cerca de 40 autoridades brasileiras, incluindo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O custo total do evento foi de cerca de US$ 6 milhões – R$ 31 milhões, na cotação atual.
O ex-diretor da Abin também afirmou que pessoas como Andrei “estão acabando com a Polícia Federal” e disse que o diretor-geral deveria ser afastado do cargo. “Ele coordenou a segurança do Lula mas pode estar como diretor da Polícia Federal. E como coordenador de segurança do Bolsonaro, não pude. É isso o que acontece no Brasil”, concluiu.
A Polícia Federal foi procurada para um pronunciamento sobre o caso e ainda não nos respondeu. O espaço segue aberto.
Regularidade comprovada
O ex-deputado esclareceu que sua esposa, Rebeca Ramagem, foi responsável por comprovar a regularidade da permanência do marido nos Estados Unidos e garantir sua liberdade. Ela foi considerada "uma guerreira" pelo entrevistador.
“Entrei nos Estados Unidos em setembro do ano passado de forma perfeitamente irregular. Passaporte válido, visto válido e sem condenação nenhuma. Em seguida, entramos com pedido de asilo”, afirmou.
Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão e a perda de mandato por tentativa de golpe de Estado em 11 de setembro de 2025, mesmo dia em que deu entrada no país estadunidense. “Não estou me escondendo nos EUA. A administração americana sabe onde eu vivo”, alegou. Segundo o ex-deputado, ele está com o processo de asilo em andamento no país, o que garante sua permanência em solo americano e sua não-deportação.
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Segundo a Câmara dos Deputados, à época da ida aos EUA, Ramagem apresentou atestados para licença médica, mas não comunicou saída do país.
