Nos EUA, esposa de Alexandre Ramagem diz sofrer perseguição política
Rebeca Ramagem afirmou que trabalha remotamente desde 2016 e que a necessidade de trabalhar presencialmente no Brasil configura perseguição
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A servidora pública Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro Alexandre Ramagem (PL-RJ), diz sofrer perseguição política ao receber a ordem de trabalhar presencialmente em Roraima.
A mulher e as filhas moram nos Estados Unidos desde novembro de 2025. Elas foram ao país para encontrar Ramagem, que fugiu do Brasil após condenação de 16 anos e um mês pela participação dos atos golpistas de 8 de janeiro. O ex-político recebeu uma ordem de prisão preventiva do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi encontrado em um condomínio de luxo em North Miami, na Flórida. Ramagem teve o mandado cassado em dezembro passado e é considerado foragido da Justiça.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Rebeca disse lidar com a ordem com “profunda tristeza” e que “precisa enfrentar um leão por dia”. Ela afirmou que trabalha em regime de teletrabalho desde 2016, exercendo funções estritamente virtuais, e que a ordem do Procurador-Geral do Estado de que ela trabalhe de forma presencial no Brasil configura perseguição política do estado roraimense.
“Primeiro, a junta médica inviabiliza a perícia através da telemedicina. Em sequência, o Procurador-Geral do Estado suspende meu exercício funcional em regime de teletrabalho e determina minha presença física para a realização de atividades que são integralmente on-line. Os sistemas judiciais são digitais. Protocolos, audiências, despachos e reuniões ocorrem virtualmente. Não há justificativa técnica operacional para exigir presença física quando a própria natureza do trabalho é remota”, afirmou.
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A servidora pública também alegou que um terço dos procuradores do estado trabalham de forma remota, em um modelo aceito e regulamentado, mas que não está disponível para ela. Para ela, há uma "quebra da isonomia".
"Eu estou pedindo para trabalhar, mesmo com salário suspenso. Mantenho minha disposição de exercer minhas funções por compromisso com o serviço público. Ainda assim, tentam me impedir de contribuir”, disse a esposa de Ramagem.
Rebeca trabalhou como delegada em Roraima e atualmente é procuradora. Ela teve atuação como advogada representando o marido em ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Rebeca se descreve no Instagram como “mãe de duas princesas” e publica periodicamente críticas ao governo Lula, além de publicações a favor da anistia aos condenados pela trama golpista.
A servidora teve as contas bloqueadas no âmbito das investigações relacionadas a Alexandre Ramagem no final de 2025.
PGE-RR diz que Rebeca não tem autorização para trabalho remoto
Procurada pela reportagem, a Procuradoria-Geral do Estado de Roraima afirmou que não procede a alegação de perseguição política. Conforme nota enviada ao Estado de Minas, a PGE-RR informou que Rebeca não trabalha remotamente desde o ano de 2020, quando pediu transferência para a Coordenadoria da PGE em Brasília, onde deveria estar trabalhando presencialmente e não tinha autorização de trabalho remoto.
Conforme o Governo de Roraima, Rebeca apresentou um atestado médico que não foi homologado em razão de não comparecimento a perícias médicas, que teria validade até 19 de fevereiro. A servidora também pediu férias acumuladas a partir desta sexta-feira (20/2), com um total de 78 dias.
Ainda segundo o comunicado, o regime de teletrabalho na PGE-RR é regulamentado, mas passa por revisão normativa, o que não permite novas adesões.
Leia a nota completa:
“A Procuradoria-Geral do Estado de Roraima esclarece que não procede a alegação de perseguição política à procuradora Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues. A atuação institucional pauta-se exclusivamente por critérios técnicos, legais e administrativos.
A PGE-RR informa que, formalmente, a procuradora não se encontra em regime de teletrabalho. O regime de teletrabalho anteriormente concedido, precariamente, à Rebeca Teixeira Ramagem foi revogado, a pedido da própria procuradora no dia 12 de agosto de 2020, ocasião em que ela também requereu remoção definitiva para a Coordenadoria da PGE em Brasília (DF), pedido que foi deferido.
Desde então, a lotação oficial da procuradora é presencial na Coordenadoria de Brasília, unidade integrante da estrutura da PGE-RR.
Desta forma, a PGE-RR reitera que não houve suspensão recente de teletrabalho, uma vez que a procuradora já não estava formalmente autorizada a atuar remotamente desde 2020.
Sobre a perícia médica
A Secretaria de Gestão Estratégica e Administração esclarece que a realização de perícia médica para fins de homologação de licença é atribuição da Junta Médica, vinculada à própria Segad.
Conforme manifestação formal da Segad no dia 26 de janeiro de 2026, não há previsão normativa para realização de perícia médica por telemedicina nos casos de avaliação de capacidade laborativa, além de inexistir estrutura técnica adequada para essa modalidade no âmbito do Estado.
Foram agendadas duas perícias presenciais, às quais a procuradora não compareceu em nenhuma. Desta forma, não houve homologação da licença médica, situação que é objeto de apuração administrativa própria.
Sobre a situação funcional atual
O atestado médico apresentado (não homologado) teve vigência até 19 de fevereiro de 2026. Como não houve homologação pela Junta Médica da Segad (sem devido comparecimento da servidora às perícias), não há, portanto, afastamento formal reconhecido no período.
Registre-se, ainda, que a procuradora requereu a concessão de férias acumuladas, com efeitos a partir de 20 de fevereiro de 2026, totalizando 78 dias de férias:
- 18 dias relativos ao exercício 2023-2024;
- 30 dias relativos ao exercício 2024-2025;
- 30 dias relativos ao exercício 2025-2026.
Sobre o regime de teletrabalho na PGE
O teletrabalho na PGE-RR é regulamentado por Resolução do Conselho de Procuradores, e atualmente passa por revisão normativa, motivo pelo qual encontram-se suspensas novas adesões ao regime.
Em dezembro de 2025, foi instituída comissão para atualização e uniformização das regras, com a suspensão de novas análises de adesão até deliberação do Conselho de Procuradores, órgão legalmente competente para apreciação da matéria.
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A PGE-RR reafirma que todas as decisões administrativas observam estritamente a legislação vigente e os atos normativos regulamentares internos."