Cleitinho é chamado de esquerdista por defender fim da escala 6x1
Seguidores afirmaram que Cleitinho está "cada dia mais canhoto" e o chamaram de "esquerdista dos infernos" e de "filhote de Lula"
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, segue na defesa do fim da escala 6x1. Por ser um projeto do Governo Lula (PT), o republicano está sendo criticado e chamado de esquerdista por seguidores nas redes sociais.
Os comentários foram feitos em uma publicação no X, antigo Twitter, feita pelo próprio senador, com um trecho de uma fala do parlamentar no plenário do Senado. No vídeo, Cleitinho critica a pensão recebida por filhas solteiras de militares, o que ele considera uma “mamata” para quem “nunca trabalhou na vida”, custeada pela classe trabalhadora.
Para acabar com a escala 6x1 tem que ter coragem e acabar com essa mamata de pensão para filhas solteiras de militares que nunca trabalharam na vida. pic.twitter.com/27TK4paCac
— Cleitinho (@cleitinhotmj) April 8, 2026
Para ele, este deveria ser um corte de gastos urgente feito pelo governo, com redução de impostos, principalmente porque, na visão do senador, “fonte de riqueza é o trabalhador e o empresário”, enquanto “fonte de despesa é os Três Poderes”.
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“Sabe quanto isso custou em 2025? R$ 6 bilhões. Essa turma aqui, essas filhas de militar aqui, ‘isso’ nunca trabalhou na vida. Isso é um verdadeiro escárnio, um murro na cara da população brasileira. Você, trabalhador, que tá fazendo essa escala 6x1, recebendo R$ 1.600, pegando ônibus lotado pra ir trabalhar, tem que manter isso aqui. Quem mantém essa turma são os empresários e trabalhadores”, criticou.
O senador também comentou sobre a escala seguida pelos próprios parlamentares como justificativa para um apoio. “Sou a favor do fim da escala 6x1, sou a favor da escala 5x2. Nenhum político da face da Terra, de vereador a presidente da República, tem moral para falar sobre não acabar com o fim da escala, porque aqui nós fazemos 3x4. Nunca vi o plenário trabalhar em dia de quinta”, argumentou.
Na postagem, a reação do público foi variada. Enquanto pessoas que normalmente não concordariam com os posicionamentos políticos do senador acabaram concordando “mais do que imaginaram”, outros usuários argumentam que os posicionamentos de Cleitinho o aproximam do campo político da esquerda, oposto ao partido que representa.
“Você é o clássico caso do cara que só se diz de direita porque não estudou o suficiente ainda. Vem pra esquerda, querido”, comentou um usuário. “Você é corajoso por ser de direita e defender pautas da esquerda que beneficiam o povo, um dos poucos. Máximo respeito, Cleitinho, você tá sendo político de verdade. As críticas ao governo ou ao lado oposto são totalmente válidas, democracia básica”. “Ele tá com discurso de esquerda. Será a eleição se aproximando?”, escreveram outros.
Outras pessoas também acreditam que o senador se aproxima da esquerda com o discurso, mas veem em tom de crítica. “Discurso de socialista, o povo vai fazer o que nos dois dias que ficar em casa? Porque os restaurantes, lojas, shoppings vão fechar, não tem empresa que aguente essa escala”, escreveu uma pessoa. Outro defensor da escala usou discurso bíblico como argumento: “A própria Bíblia diz que Deus trabalhou seis dias e no sétimo descansou, então desde que o mundo é mundo existe essa escala”.
Demais usuários chegaram a dizer que Cleitinho está "cada dia mais canhoto" ao se aproximar do discurso esquerdista e o chamaram de "esquerdista dos infernos" e de "filhote de Lula".
Fim da escala 6x1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e está em tramitação na Câmara dos Deputados. O documento altera o artigo 7º da Constituição, criando a jornada máxima de 36 horas semanais, que podem ser distribuídas ao longo da semana como o empregador achar melhor, com limite diário de oito horas.
A PEC de Hilton foi apensada à proposta de Reginaldo Lopes (PT-MG). Os trabalhadores poderão ter jornada de 5x2, segundo a PEC de Lopes, em setores como o de bancos, por exemplo, trabalhando sete horas diárias. Na de Erika, no entanto, são quatro dias de trabalho.
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Uma pesquisa recente divulgada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 63% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1. Ainda segundo a pesquisa, 22% se posicionaram contra o projeto mas, desses, 10% relataram que apoiam o fim da escala 6x1 se houver garantia de que os salários não serão reduzidos. Apesar da aprovação, apenas 12% disse entender o significado do projeto, 62% disseram que já ouviram falar e 35% não conhecem.