O senador Flávio Bolsonaro (PL) está sendo atacado nas redes sociais por ter votado a favor de projeto de lei que prevê pena maior para o crime de ódio contra mulheres. 

O texto foi aprovado por unanimidade na Casa e será apreciado pela Câmara dos Deputados. O documento define misoginia como “a conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino". Com isso, propõe alterar a Lei do Racismo para tipificar a misoginia como crime de discriminação. As penas relativas ao crime variam de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa, sem possibilidade de fiança.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é um dos parlamentares que criticou o projeto. Em publicação nas redes sociais, ele o considerou uma “aberração e afirmou que vai trabalhar contra o projeto no parlamento.

Em comentários de publicações de Flávio em seus perfis oficiais, usuários chamaram o filho 01 de Jair Bolsonaro de “traidor”. “Traidor, limitando cada dia mais nossa liberdade de expressão, que já é limitada”, afirmou um usuário, que considera o crime de ódio contra mulheres um mero ato de liberdade de expressão.

“Passei anos defendendo seu pai e lutando pela eleição e pela reeleição dele e estava fazendo o mesmo por você. Mas se for verdade que você votou a favor do PL feminista Flavio, Adeus”, escreveu um usuário do X, antigo Twitter. 

O apoio a Flávio Bolsonaro também foi colocado à prova. “Não voto em esquerdista feminista que se desculpou com o centrão!”, disse uma pessoa. “Pra quê votar sim naquela bosta de projeto, cara? A gente vai te defender e fazer campanha como? P*rra!”, disse outra. “Parabéns Flávio! Você é inimigo da sua base. Rindo da sua burrice”, escreveu mais um.

Apesar das críticas feitas nesta quarta-feira (25/3), uma pesquisa divulgada hoje pela Atlas/Bloomberg mostra que o apoio de eleitores para Flávio na Presidência é positivo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa no primeiro turno, o levantamento mostra Flávio Bolsonaro como um dos nomes do campo conservador que poderia empatar com o presidente em um cenário de segundo turno.

Os comentários também utilizam-se de inteligência artificial. Em uma montagem, Flávio Bolsonaro é visto  segurando uma bandeira da comunidade LGBTQIA+ e uma placa a favor de direitos feministas. 

O PL 896/2023 é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e foi relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Na tribuna da Comissão de Constituição e Justiça, Thronicke disse que o texto reforça o enfrentamento a grupos que afirmam supremacia biológica, física e intelectual de homens sobre as mulheres, principalmente em espaços como a internet.

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"Nós brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violência contra mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém, a violência começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia", argumentou. Para ela, o projeto de lei é importante para “matar essas atitudes abjetas e desumanas no nascedouro e tranquilizar quem não está cometendo misoginia”.

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