Uma confusão envolvendo estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e a equipe de segurança do vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) terminou com agressões físicas, feridos e registro de boletim de ocorrência nessa quarta-feira (4/3). O tumulto aconteceu na Cidade Universitária, na capital paulista.

O caso foi registrado como “vias de fato” e “agressões mútuas” na Polícia Civil, no 93º Distrito Policial do Jaguaré. Dois alunos ficaram feridos e passarão por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). 

Segundo os estudantes, o vereador estava acompanhado no campus pela vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano (PL), por apoiadores e seguranças privados. Ele montou uma tenda em uma área de grande circulação de estudantes próxima ao prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.  Ainda segundo os estudantes, durante a ação, o parlamentar teria provocado alunos e afirmado que estava “desafiando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP”, dizendo que nenhum estudante conseguiria debater com ele.

Ao portal g1, Pavanato afirmou que estava promovendo um debate sobre seus projetos e comparou a iniciativa a ações do ativista conservador Charlie Kirk em universidades dos Estados Unidos.

Relatos de estudantes apontam que, após as falas do vereador, alunos que circulavam pelo local passaram a se concentrar em frente à tenda. Cerca de uma hora depois, quando o número de estudantes aumentou, seguranças que acompanhavam o parlamentar avançaram para bloquear a passagem e iniciaram empurrões e agressões físicas contra manifestantes.

Durante a confusão, Pavanato foi retirado do local e colocado em um carro, enquanto os seguranças formavam um cordão de isolamento.

Feridos

O estudante de Letras Francisco Napolitano, diretor do DCE da USP e integrante do Coletivo Rebeldia, disse que foi empurrado diversas vezes e atingido por dois golpes na cabeça, um no olho e outro na boca, o que teria causado hematomas, corte e sangramento. Ele também relatou ter sido atingido por spray de pimenta lançado por um dos seguranças ao tentar ajudar colegas.

Lucas Pavanato negou que sua equipe tenha iniciado agressões e afirmou que os seguranças agiram em legítima defesa. Segundo ele, Campopiano, que o acompanhava, teria levado um soco na boca de um estudante. Nas redes sociais, ela contou que registrou um boletim de ocorrência e que o homem que a agrediu foi preso.

Vereadora Eduarda Campopiano (PL) e o estudante de Letras Francisco Napolitano ficaram feridos na confusão

Redes sociais

Após ser questionado pelo g1 sobre eventual afastamento de integrantes da segurança, o vereador afirmou que, ao contrário, “premiaria” a equipe e disse que “quem deve ser afastado da universidade é o vagabundo que agrediu uma mulher”.

Após a confusão, estudantes acompanharam o chefe da equipe de segurança até uma base da Polícia Militar. Segundo relatos, policiais disseram que não tomariam providências naquele momento devido às diferentes versões sobre o ocorrido.

Quatro alunos compareceram posteriormente ao distrito policial para registrar boletim de ocorrência. O vereador e os seguranças não foram ao local.

Versões oficiais

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado como “vias de fato” e “agressões mútuas” no 93º Distrito Policial do Jaguaré. 

“A Polícia Civil registrou a ocorrência como vias de fato no 93º Distrito Policial (Jaguaré). Segundo as informações, houve uma briga generalizada entre estudantes e um vereador que havia instalado uma tenda e caixas de som na Praça do Relógio da Universidade de São Paulo.

Dois alunos ficaram feridos e passarão por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). Quatro estudantes compareceram ao distrito policial para registrar a ocorrência. O vereador e os seguranças não foram ao local. Ninguém foi detido.”

Em nota oficial, a Universidade de São Paulo afirmou que repudia episódios de violência no campus.

“Na Universidade de São Paulo consideramos que a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias são princípios basilares da vida acadêmica. A Universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo.

A Universidade é um ambiente em que diferentes opiniões têm o direito de se expressar, resguardados, obviamente, os princípios da convivência democrática mutuamente respeitosa. A USP repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana.

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Tivemos a informação de que um aluno foi atendido no Hospital Universitário, mas já foi liberado.”

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