Pesquisa sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no carnaval do Rio de Janeiro, mostra que a maioria das pessoas acredita que a apresentação configura propaganda eleitoral antecipada. Os dados são de um levantamento do Instituto Real Time Big Data divulgado nesta sexta-feira (20/2).
A agremiação desfilou com um enredo que conta a trajetória de Lula no país, desde o nascimento até a posição atual na Presidência. O ato contou com ala em que integrantes da escola desfilaram com roupas vermelhas com estrelas no peito, mas sem o número 13 do PT. O jingle "olê, olê, olá, Lula! Lula!" constou no enredo, bem como referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como palhaço e presidiário.
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A escola faz parte do Grupo Especial do Carnaval do Rio, que participa de um termo de colaboração assinado pela Embratur com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) que visa repasse de R$ 1 milhão do governo federal.
Três quartos das pessoas entrevistadas ficaram sabendo da homenagem, enquanto apenas 6% assistiram à apresentação.
Entre as pessoas que assistiram ao desfile pela TV, 23% delas disseram que sentiram admiração; 38% afirmaram que sentiram raiva e quase metade do grupo, 47%, disse que sentiu indiferença.
Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados disseram achar que o desfile foi uma propaganda eleitoral antecipada para a corrida presidencial de 2026.
A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 19 de fevereiro, com 1.200 entrevistados homens e mulheres, de todos os estados e Distrito Federal. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. Sem intenções de voto, a pesquisa não foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Propaganda irregular
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral antecipada acontece quando o pré-candidato ainda não formalizou o pedido de registro de candidatura, fazendo com que seja irregular e ilegal. Para identificação, são considerados se houve referência ao processo eleitoral, exaltação de qualidades do pré-candidato e pedido de votos, sem necessidade de serem constatadas simultaneamente.
Legalmente, a propaganda eleitoral é permitida a partir do dia 5 de julho. Caso seja constatada alguma irregularidade, pode haver a penalidade que varia entre R$ 5 mil e R$ 25 mil ou equivaler ao custo da propaganda.
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Na quinta-feira (12/2), o TSE rejeitou, em decisão unânime, pedido do Partido Novo de barrar o samba-enredo. A ministra Cármen Lúcia, porém, fez alerta sobre risco de abusos: "A festa popular do carnaval não pode ser fresta para ilícitos eleitorais de ninguém". Depois do desfile, o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, afirmou que vai ajuizar uma ação pedindo a inelegibilidade de Lula em razão do ato.
