ELEIÇÕES 2026

Esquerda aguarda Lula para definir segunda candidatura ao Senado em MG

Após confirmação de Marília Campos pelo PT, partidos do campo governista disputam espaço para compor chapa na eleição deste ano

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A definição da candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado nas eleições de 2026 abriu uma nova etapa nas articulações políticas em Minas Gerais. Agora, o foco se volta para a segunda vaga da chapa governista, que dependerá de negociações conduzidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela direção nacional do partido.

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Além de Marília, outros nomes do campo aliado ao governo se movimentam para disputar a vaga, como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), a ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL) e o deputado federal Mário Heringer (PDT). A possibilidade de uma “dobradinha” entre forças progressistas é tratada como estratégica para a reeleição de Lula, mas ainda esbarra em interesses partidários e na necessidade de acomodar aliados.

A candidatura de Marília foi confirmada pelo PT nacional na terça-feira (11/2), após semanas de pressões internas e articulações. O nome da prefeita havia sido avalizado previamente pelo grupo eleitoral do partido em Minas, mas a oficialização só ocorreu após negociações para unificar o campo petista em torno de uma candidatura única.

Segundo a presidente do PT em Minas, deputada Leninha, o partido já definiu sua prioridade para a disputa. “O PT já decidiu que o nome da Marília será o único nome que vamos lutar para que esteja na chapa. O segundo nome será definido nas articulações que Lula e o PT nacional irão fazer”, afirmou.

A própria prefeita condiciona a entrada na disputa ao apoio explícito do presidente. Em entrevista anterior à decisão, Marília afirmou que precisa ser a prioridade de Lula para deixar a prefeitura e concorrer ao Senado. “Uma delas é ser abraçada pelo presidente Lula. Eu quero que ele fale: ‘Ó, Marília, você é a minha candidata do meu coração’. Eu quero esse chamego do presidente Lula”, disse.

A petista também afirmou que o partido deve apostar em apenas um nome competitivo. “São duas vagas, mas concretamente nós vamos eleger apenas um candidato ou uma candidata. O partido precisa definir em quem vai apostar todas as fichas”, declarou. Segundo ela, o segundo nome da chapa não pode ter o mesmo perfil eleitoral ou ser do PT.

Entre os possíveis aliados, o ministro Alexandre Silveira é citado nos bastidores como potencial candidato. Ele, no entanto, evita falar em disputa eleitoral e diz que a decisão cabe ao presidente. “Não tenho nenhum apego a mandato”, afirmou. “Reforço a minha absoluta lealdade à reeleição do presidente Lula.”

Outra pré-candidata é a ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL), que defende uma chapa progressista para as duas vagas. Ela afirma trabalhar por uma dobradinha com Marília Campos e por uma aliança ampla em torno da reeleição do presidente. “A reeleição do presidente Lula é a nossa prioridade número um. Mas não adianta só eleger o presidente. A gente precisa eleger deputados e senadores comprometidos com o povo”, disse.

Áurea também citou o desempenho da esquerda em 2018 como exemplo da importância de uma estratégia conjunta. “Naquela eleição, o segundo voto de quem votou na Dilma se dispersou. Faltou uma estratégia de ganha-ganha. Agora temos a oportunidade de fazer diferente”, afirmou.

No PDT, o deputado federal Mário Heringer diz que o Senado é uma possibilidade, mas condiciona a candidatura a uma construção coletiva. “Eu não posso ser candidato de mim mesmo. Tenho que ser candidato de um segmento, de um grupo, de um contexto”, afirmou. Segundo ele, a definição dependerá da composição das chapas e das alianças partidárias. “Hoje o Senado existe como possibilidade, mas os pés no chão continuam dizendo: ‘Eu sou candidato a deputado federal, até que as coisas mudem’.”

Heringer também alertou para o risco de o campo conservador ampliar sua força no Senado. “A direita colocou como meta fazer a maioria do Senado. E nós temos que tomar cuidado com isso”, afirmou. Para ele, a definição das candidaturas precisa ocorrer com rapidez. “Minas Gerais está se organizando pela direita, enquanto nós estamos perdendo tempo para estabelecer quem serão nossos candidatos.”

Histórico desfavorável à esquerda

A disputa pelas duas vagas em 2026 também carrega um dado histórico que pesa nas estratégias partidárias. Desde a redemocratização, Minas Gerais nunca elegeu um senador de partidos de esquerda.

As eleições para o Senado ocorrem a cada quatro anos, com mandatos de oito anos e alternância no número de cadeiras em disputa. Em 2026, estarão em jogo as vagas ocupadas hoje por Rodrigo Pacheco (PSD) e Carlos Viana (Podemos). O terceiro senador mineiro é Cleitinho (Republicanos), cujo mandato vai até 2030.

Os melhores resultados da esquerda nas disputas ocorreram com terceiros lugares entre 1994 e 2014. Em 2018, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ficou em quarto lugar, mesmo liderando pesquisas em parte da campanha. Em 2022, o PSOL repetiu o desempenho com um quarto lugar.

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O histórico reforça a avaliação, entre lideranças do campo governista, de que a definição da chapa ao Senado dependerá diretamente das negociações conduzidas por Lula, que terá papel central na escolha do segundo nome da dobradinha em Minas.

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