EM ENTREVISTA

Áurea quer levar progressismo ao Senado por Minas pela primeira vez

Em entrevista ao EM, Áurea Carolina (PSOL) diz que quer mudar o cenário de um estado que nunca elegeu senadores progressistas desde a redemocratização

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Pré-candidata ao Senado pelo PSOL, a ex-deputada federal Áurea Carolina afirmou, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, que trabalha pela construção de uma chapa progressista para as duas vagas em disputa em Minas Gerais em 2026. O plano, segundo ela, passa por uma dobradinha com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e por uma aliança ampla para garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma base mais alinhada no Congresso.

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Áurea disse que decidiu voltar à disputa após um período fora da política institucional, quando optou por não concorrer à reeleição para a Câmara dos Deputados em 2022. Na época, a ex-deputada teve votação expressiva: foi eleita em 2018 com 162.740 votos, conquistando a cadeira na Câmara com a quinta maior votação de Minas Gerais naquela eleição. Segundo ela, a escolha foi motivada pela maternidade, pelo desgaste emocional do mandato e pela necessidade de reorganizar a trajetória política.

A ex-deputada afirma que continuou atuando na sociedade civil, em iniciativas de mobilização social e defesa de pautas ambientais, democráticas e de direitos humanos, e que o período serviu para amadurecer sua visão sobre a comunicação com a população. “A política nunca foi um projeto de carreira. Eu precisava parar, cuidar do meu filho, cuidar da minha saúde e entender melhor como dialogar com o povo. Volto agora mais fortalecida, mais consciente dos limites e com mais preparo para essa disputa.”

Para ela, o principal fator para o retorno é o cenário nacional. “O Senado está na mira da extrema direita. Existe um projeto explícito de ocupação da Casa para minar o Supremo e aprovar medidas desastrosas para o povo. Essa eleição será histórica para o futuro da democracia brasileira.”

Dobradinha com Marília

Áurea disse ver com entusiasmo a possibilidade de uma “dobradinha” com a prefeita de Contagem, Marília Campos, e defendeu uma estratégia conjunta entre as forças progressistas. Segundo ela, o campo de esquerda errou na eleição de 2018 ao não estruturar uma boa dobradinha para o Senado. “Naquela eleição, o segundo voto de quem votou na Dilma se dispersou. Faltou uma estratégia de ganha-ganha. Agora temos a oportunidade de fazer diferente.”

Ela afirmou que, apesar das indefinições partidárias, o mais importante é construir uma aliança em torno da reeleição de Lula e de um Congresso mais alinhado ao governo. “A reeleição do presidente Lula é a nossa prioridade número um. Mas não adianta só eleger o presidente. A gente precisa eleger deputados e senadores comprometidos com o povo.”

Câmara como trampolim

Questionada sobre o uso de cargos legislativos como plataforma eleitoral, Áurea afirmou que isso ocorre quando a política é tratada como projeto individual. “A Câmara Municipal pode ser, sim, um trampolim nesse sentido mais negativo, quando o projeto é eleitoreiro, é um projeto de usar o poder político para se dar bem, para tentar fazer valer interesses. É um jogo de interesses.”

Ela disse que sua trajetória foi construída coletivamente. “Eu fui eleita deputada federal durante o mandato de vereadora e continuei trabalhando muito comprometida com Belo Horizonte. Formamos a Gabinetona, fiz a sucessão, a Bella Gonçalves, que era suplente, assumiu o mandato de vereadora e hoje é deputada estadual.”

Para a pré-candidata, cabe ao eleitor diferenciar projetos individuais dos coletivos. “A população tem que fazer a sua avaliação, premiar aquelas pessoas que têm trabalho real para demonstrar. Não é gente que fica fazendo espetáculo de rede social, esbravejando, gravando vídeo e ofendendo os outros.”

O primeiro cargo eletivo de Áurea Carolina foi o de vereadora de Belo Horizonte. Ela foi eleita em 2016 com 17.420 votos, a maior votação daquela eleição, e, à época, considerada a vereadora mais votada da história, posto superado apenas em 2020 por Duda Salabert (PDT) e, posteriormente, em 2024, por Pablo Almeida (PL).

Extrema direita e cenário político

Áurea afirmou que a ascensão da extrema direita em Minas faz parte de um fenômeno global baseado no medo e na desinformação. “A resposta não está no ódio nem na divisão. Está na solidariedade, na organização comunitária e no trabalho de formiguinha.

Ela citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos articuladores desse movimento. “O Bolsonaro se tornou um dos grandes artífices de catalisar esse sentimento antissistêmico, mesmo sendo um cara que sempre participou do sistema político. Ele se apresentava como outsider, e isso colou.

Para ela, a extrema direita constrói sua narrativa com notícias falsas. “A extrema direita tem uma capacidade de vender gato por lebre, de contar a realidade de uma forma completamente mentirosa. Não é à toa que é uma extrema direita que se baseia em notícias falsas, em fábrica de desinformação.

Críticas à gestão de BH

Áurea também criticou a administração municipal de Belo Horizonte e a condução do debate sobre transporte público pelo prefeito Álvaro Damião (União). “Belo Horizonte tem um quadro meio complexo, porque a prefeitura é uma formação de uma colcha de retalhos politicamente. Isso já vem desde gestões anteriores, mas, no governo do Álvaro Damião, isso está muito mais deflagrado, muito mais difícil.

“Quando a gente foi debater a tarifa zero em Belo Horizonte, o prefeito foi muito hostil, não abriu espaço para conversar com o movimento, não fez um esforço para compreender as propostas que vinham da sociedade civil.

Segundo ela, a gratuidade parcial aos domingos e feriados não é solução estrutural. “Se estivesse querendo debater seriamente a tarifa zero para a população ter o transporte como um direito, para poder circular, trabalhar e viver a cidade, a gente não estaria com uma medida tão limitada.

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Escala 6x1

Entre as pautas que pretende defender no Senado, Áurea citou o fortalecimento do SUS, o enfrentamento à violência contra as mulheres, a agenda climática e a redução da jornada de trabalho. Ela defendeu o fim da escala 6x1. “A escala 6 por 1 é desumana. As pessoas não têm tempo para viver. A vida não é só trabalhar.

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