CRISE COM OS MUNICÍPIOS

Presidente da AMM diz que Simões foi 'baixo e rasteiro' com deputada

Luis Eduardo Falcão afirmou que vice-governador mandou 'unilateralmente' devolver para a Prefeitura os servidores que atuavam na Polícia Civil

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O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (sem partido), afirmou que o vice-governador Mateus Simões (PSD) teve uma atitude “baixa e rasteira” com a deputada estadual Lud Falcão (Podemos), vice-líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

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Falcão é casado com a parlamentar que, em vídeo publicado na noite dessa quarta-feira (21/02) em suas redes sociais, afirmou ter sido alvo de uma ameaça por parte de Simões, após críticas feitas pelo marido à atuação do governo estadual na relação com as prefeituras. No vídeo, a deputada afirma que recebeu uma ligação de Simões na qual o vice-governador teria condicionado o atendimento de demandas apresentadas por ela ao Executivo estadual a um pedido de desculpas de seu marido. Em entrevista ao Estado de Minas, ela relatou que Simões ligou "aos berros" e que ela não disse uma palavra durante o telefonema. A deputada afirmou ainda que o vice-governador foi machista e desrespeitoso com ela, que compõe a base governista.

“Alguém que ocupa o cargo de vice-governador e pretende ser governador agir dessa forma baixa, pequena, rasteira... E antes mesmo de dizer uma palavra sequer na ligação. Por que ligar para ela ao invés de ligar para mim?”, questionou Luís Eduardo Falcão.

O contato, de acordo com o presidente da AMM, ocorreu após ele publicar um vídeo criticando uma fala de Simões. Na ocasião, o vice-governador mencionou, em tom de ironia, que mandou cortar o convênio com um município e descobriu que o apoio oferecido pela prefeitura se resumia à cessão de “dois estagiários”.

Luís Eduardo Falcão acredita que, mesmo sem ter sido citado nominalmente, a fala foi dirigida à Prefeitura de Patos de Minas. Segundo ele, Simões ordenou a suspensão, há cerca de dez dias, do convênio que o município mantinha com a Polícia Civil para ajudar a custear a operação, deixando a cidade sem funcionários para atender a população. O prefeito afirma que, após cobrar que o estado assuma gastos de sua responsabilidade, Simões determinou a devolução de todos os 13 funcionários mantidos pela prefeitura que atuavam na delegacia local — sendo 11 estagiários e dois servidores. Além disso, a administração municipal também deixará de pagar o aluguel da delegacia. O gestor informou ainda que o convênio com a Polícia Militar também deverá ser interrompido.

“O estado devolveu os 13 funcionários de forma unilateral, sem conversar com a prefeitura e sem repor esses servidores. O serviço ficará mais precário em uma cidade polo com 170 mil habitantes. Já temos a informação de que o mesmo ocorrerá em relação à Polícia Militar”, afirmou o presidente da AMM. Ele ressaltou esperar que todos os órgãos estaduais em Patos de Minas passem a ser custeados pelo próprio estado, “mas sem precarização”.

Falcão acredita que o imbróglio começou após outro vídeo publicado por ele: “Nesse vídeo, parabenizo a Polícia Civil pela atuação e ressalto que os municípios continuam custeando atividades das forças policiais, fazendo o que o próprio estado deveria fazer. Parece que o vice-governador não gostou da postagem”, afirmou.

Disputa eleitoral

Cotado como pré-candidato ao governo de Minas, Falcão nega que as cobranças tenham motivação eleitoral. Além do ressarcimento de despesas, ele critica a privatização da Copasa, que, em sua avaliação, ocorre sem diálogo com as prefeituras. Falcão acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) questionando os impactos da venda da estatal. A Corte de Contas criou uma mesa de negociação para tratar do assunto.

Segundo o prefeito, embora seu nome seja citado por apoiadores para 2026, o foco atual é a prefeitura e a AMM. “Não vou transformar um fato lamentável como esse em algo político. Mas vou continuar trabalhando na AMM para que a privatização da Copasa não prejudique os municípios e cobrando que o estado assuma suas despesas”, concluiu.

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Procurado pela reportagem, Mateus Simões não comentou as declarações.

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