ENEM

Como a nota do Enem é calculada? Entenda a TRI

Até candidatos que acertam o mesmo número de questões acabam tendo notas diferentes; entenda o método anti-chute e saiba como ele afeta sua pontuação

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Muitos estudantes se surpreendem ao descobrir que acertar o mesmo número de questões que um colega no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode resultar em notas finais completamente diferentes. A explicação para isso está no método de correção utilizado: a teoria de resposta ao item (TRI), um sistema que vai além da simples contagem de acertos.

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Diferentemente das provas escolares e dos vestibulares tradicionais, em que cada questão tem um valor fixo, a TRI funciona como um modelo estatístico. Ao buscar avaliar a coerência das respostas do candidato, o sistema identifica se o padrão de acertos e erros de um participante é consistente com um determinado nível de conhecimento.

O Enem, instituído em 1998, tornou-se uma das principais avaliações educacionais do Brasil, principalmente a partir de 2010, quando foi instituída a primeira edição do sistema de seleção unificada (Sisu), a principal porta de entrada para o ingresso nas universidades federais.

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Como a coerência afeta a pontuação?

O Inep, responsável pela prova, classifica as questões em três níveis de dificuldade: fácil, médio e difícil. A TRI parte do princípio de que um candidato com bom desempenho deve acertar as questões fáceis e médias e, talvez, errar as mais difíceis. Esse padrão é considerado coerente e valorizado pelo sistema.

Por outro lado, se um participante erra muitas questões fáceis, mas acerta algumas difíceis, o algoritmo interpreta esse padrão como inconsistente. A probabilidade de esses acertos em questões complexas terem ocorrido por acaso, ou seja, no “chute”, é alta. Como resultado, essas respostas recebem um peso menor, e a nota final do candidato é reduzida.

Essa lógica funciona como um mecanismo “anti-chute”. O objetivo é medir com mais precisão o real domínio do estudante sobre o conteúdo, valorizando a consistência do conhecimento demonstrado ao longo da prova. Por isso, focar em garantir os acertos nas perguntas mais simples é uma das estratégias mais importantes.

As notas de cada área

A TRI é aplicada de forma independente nas quatro provas objetivas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Matemática e suas Tecnologias. Por esse motivo, as notas máximas e mínimas variam a cada ano e entre as áreas do conhecimento.

A redação é a única parte do exame que não utiliza a TRI. A nota do texto vai de zero a 1.000 e é calculada com base em cinco competências específicas, avaliadas por dois corretores de forma independente. A nota final do Enem, usada em programas como Sisu, ProUni e Fies, é a média aritmética simples das quatro provas objetivas e da redação.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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