Sete Lagoas cancela festas de Natal e réveillon por queda na arrecadação
Prefeitura também suspendeu as comemorações do aniversário da cidade e anunciou medidas para reduzir despesas, incluindo cortes na folha de pagamento
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A queda na arrecadação municipal levou a Prefeitura de Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, a cancelar toda a programação de eventos prevista até o fim de 2026. A decisão atinge as tradicionais festividades de Natal, as comemorações do aniversário da cidade e o show de réveillon, além da decoração natalina. O anúncio foi feito pelo prefeito Douglas Melo (PSD) em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (7/11).
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Segundo o chefe do Executivo, a suspensão das festividades integra um pacote de medidas para conter despesas diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo município. Além do cancelamento dos eventos, a administração pretende reduzir os gastos com pessoal e diminuir a estrutura da máquina pública.
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"Cancelamos todos os eventos até o fim deste ano. Nós também estamos tendo que adotar medidas para redução da nossa folha. Temos que diminuir o tamanho da máquina", afirmou Douglas Melo.
O prefeito explicou que a prioridade, neste momento, é assegurar o pagamento dos servidores municipais e dos fornecedores, além de preservar a continuidade dos serviços oferecidos à população. De acordo com ele, as medidas foram definidas após uma avaliação das contas públicas, diante da retração das receitas municipais.
Indústria e repasses pressionam as contas
Dentre os fatores apontados por Douglas Melo para explicar a queda na arrecadação estão as dificuldades enfrentadas por setores importantes da economia de Sete Lagoas, especialmente a indústria, além da redução das transferências de recursos estaduais e federais.
O prefeito citou como exemplo a Iveco Defence Vehicles (IDV), fabricante de veículos militares instalada na cidade. Conforme o relato, a redução das compras de veículos pelo governo federal em relação ao volume inicialmente previsto para este ano provocou impactos na produção industrial e, consequentemente, na arrecadação do município.
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Outro segmento mencionado foi o siderúrgico. Segundo Douglas Melo, diversas empresas do setor encerraram as atividades desde 2025, enquanto outras seguem operando abaixo da capacidade esperada.
O prefeito também apontou dificuldades relacionadas à Caterpillar, associadas à redução das atividades de produção de locomotivas. Na avaliação dele, o cenário é influenciado pelos reflexos de conflitos internacionais.
Além dos efeitos sobre a atividade industrial, Douglas Melo afirmou que Sete Lagoas registrou quedas expressivas nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), receitas importantes para o financiamento da administração municipal.
Comissão já monitorava despesas
O anúncio dos cancelamentos dá continuidade a um conjunto de medidas de controle financeiro iniciado em outubro. No dia 20 do último mês, a prefeitura publicou um decreto com procedimentos para o encerramento financeiro do exercício de 2026 e instituiu uma Comissão de Gastos, responsável por avaliar solicitações de despesas apresentadas pelos diferentes órgãos municipais, podendo autorizá-las ou vetá-las.
O documento também estabeleceu uma comissão para acompanhar o cumprimento dos percentuais constitucionais de aplicação de recursos nas áreas de saúde e educação.
Durante o pronunciamento de sábado, o prefeito confirmou a criação de um comitê para monitorar as contas públicas e reforçou que os cortes anunciados fazem parte de uma estratégia para adequar as despesas à realidade da arrecadação.
Orçamento municipal é de R$ 1,84 bilhão
A situação financeira chama atenção pelo porte econômico de Sete Lagoas, considerada um dos principais polos industriais e urbanos da Região Central de Minas Gerais. Para 2026, o orçamento municipal previsto é de aproximadamente R$ 1,84 bilhão.
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Em prestação de contas apresentada à Câmara Municipal nos dias 21 e 22 de outubro, a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento informou que a arrecadação acumulada até agosto havia alcançado R$ 1,061 bilhão, o equivalente a 57,13% da previsão anual.
No mesmo período, as despesas empenhadas somavam R$ 1,117 bilhão, enquanto as despesas liquidadas totalizavam R$ 918,9 milhões. A despesa com pessoal correspondia a 55,94% da Receita Corrente Líquida ajustada, considerando os 12 meses anteriores.
Os números dimensionam o volume de receitas e despesas da administração, mas, isoladamente, não permitem concluir que a prefeitura esteja sem recursos disponíveis ou que encerrará o ano com déficit.
Ao justificar a necessidade de contenção, Douglas Melo afirmou que Sete Lagoas não é o único município a enfrentar dificuldades financeiras e mencionou que outras prefeituras também têm adotado medidas para reduzir gastos.
A expectativa do prefeito é que haja uma recuperação da economia e que o município consiga concluir 2026 com as contas reequilibradas, retomando a capacidade de investimento.
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Até o momento, a prefeitura não informou quanto pretende economizar com o cancelamento dos eventos de fim de ano nem detalhou os valores previstos para cada uma das medidas de contenção.