Um homem arrastado pelas enxurradas provocadas pelas intensas chuvas na Zona da Mata é procurado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) depois dos temporais de sexta-feira (30/10), no município de Guarará.

Apesar da esperança de buscas bem-sucedidas, se confirmada a morte, o homem pode ser a primeira vítima da temporada de chuvas que começou em outubro e vai até março de 2027, pela contabilidade da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec-MG).

As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata e principalmente o município vizinho a Guará, de Juiz de Fora, em fevereiro de 2026, causaram um total de 66 mortes no município, configurando uma das piores tragédias climáticas da história recente da Zona da Mata mineira.

Por volta das 21h desta sexta-feira, as fortes chuvas provocaram o transbordamento do córrego Guará, afluente do Rio Paraibuna, no perímetro urbano de Guarará, na Zona da Mata mineira.

A cheia atingiu as imediações da área central do município, próxima à rodovia AMG-3035 e ao entorno da Igreja Matriz do Menino Deus, onde o leito canalizado corre rente a vias públicas e residências.

No local, um homem ainda não identificado foi arrastado pela correnteza em direção a uma galeria de manilhas após pedir socorro a moradores, mobilizando equipes de emergência diante da força da água que invadiu as margens.

O grande volume de água concentrado em curto intervalo de tempo elevou rapidamente o nível do córrego e superou a capacidade de escoamento da calha urbana.

Populares relataram que avistaram a vítima tentando se segurar e pedindo auxílio enquanto descia o leito, mas a intensidade do fluxo a puxou para o interior da galeria subterrânea antes de qualquer intervenção dos moradores.

Militares do CBMMG iniciaram as buscas no trecho urbano e ao longo do curso do córrego logo após o acionamento.

As equipes vasculharam as saídas de galerias e margens acessíveis até a madrugada, enfrentando a forte turbidez da água e a correnteza.

“Bombeiros realizaram buscas e não conseguiram encontrar a vítima. Os trabalhos serão retomados agora pela manhã”, informou o CBMMG a respeito da operação.

Caso a morte seja confirmada após a localização do corpo, será o primeiro óbito registrado no período chuvoso 2026/2027 no estado.

Onde as chuvas também trouxeram destruição?

Os temporais também deixaram rastros de danos em outras regiões da Zona da Mata e no Vale do Aço.

Em Juiz de Fora, município vizinho a Guarará, uma residência que já se encontrava interditada desabou, sem registro de feridos.

Já no limite entre Piedade dos Gerais e Visconde do Rio Branco, a elevação repentina de um rio deixou uma pessoa ilhada sobre uma ponte, sendo resgatada sem ferimentos pelos socorristas. Em Coronel Fabriciano, o desmoronamento da escada de um imóvel bloqueou o acesso dos moradores, que precisaram de auxílio para sair do local.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a instabilidade climática causou o desmoronamento de uma parede recém-construída no bairro Santa Amélia, que caiu sobre parte de uma laje residencial sem deixar vítimas.

Em todo o território mineiro, o CBMMG contabilizou 50 ocorrências associadas às precipitações em 24 horas, das quais 46 envolveram vistorias e cortes emergenciais devido ao perigo de queda de árvores sobre vias e redes elétricas.

O balanço consolidado pela Cedec-MG aponta que 36 municípios sofreram impactos diretos desde o início da temporada de chuvas, somando cerca de 200 mil pessoas atingidas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Até o momento, 15 cidades declararam situação de emergência homologada, com 941 moradores desalojados e 52 desabrigados recebendo assistência em abrigos públicos.

Transbordamento e das operações de socorro

  • Precipitação concentrada na cabeceira da bacia: volume expressivo de chuva acumulado em curto intervalo durante a noite de sexta-feira
  • Transbordamento do córrego Guará: elevação rápida do nível do afluente que invadiu o perímetro urbano próximo à rodovia AMG-3035 e à Matriz
  • Arrastamento da vítima para galeria: homem levado pela correnteza sem possibilidade de socorro manual por testemunhas
  • Acionamento das guarnições do CBMMG: mobilização imediata de equipes de resgate para vistorias no curso d'água e bocas de galeria
  • Varreduras noturnas sob forte turbidez: buscas estendidas pela madrugada com baixa visibilidade e correnteza intensa
  • Retomada das buscas na manhã seguinte: foco das equipes nos trechos a jusante e nas saídas do sistema de manilhamento subterrâneo

 
Cuidados durante temporais e enxurradas

  • Evitar transitar a pé ou de carro: correntezas com lâmina d'água acima de 15 centímetros têm força para arrastar pedestres e desestabilizar veículos
  • Ficar longe de galerias e bueiros: grades e tubulações submersas formam pontos de sucção com fluxo violento
  • Não buscar abrigo sob copas de árvores: risco elevado de queda de galhos, tombamento de troncos e descargas elétricas atmosféricas
  • Desligar disjuntores ao notar água invadindo a residência: prevenção obrigatória para evitar choques elétricos e curtos-circuitos
  • Desocupar imóveis com sinais de trincas ou estalos: procurar abrigo seguro e acionar imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193
compartilhe