Juiz de Fora e Brumadinho: reconstrução une duas tragédias
A tragédia em Juiz de Fora pode trazer prejuízos sanitários próximos aos vistos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, diz secretário
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“Infelizmente o que vemos aqui em Juiz de Fora nos lembra imediatamente da devastação que Brumadinho sofreu com o rompimento da barragem, em 2019. Passamos por muitas etapas que Juiz de Fora e Ubá ainda terão pela frente, mas, se pudermos ajudar, que tenham uma travessia menos impactante no caminho para a sua reconstrução.”
A declaração é do secretário-adjunto municipal de Saúde de Brumadinho, Thauam Teófilo Ferreira Silva, integrante da equipe técnica de secretarias estratégicas, como a de Saúde, Proteção e Defesa Civil enviados pela prefeitura da cidade da Grande BH para se solidarizar com a administração e a população de Juiz de Fora e auxiliar nos processos até a reconstrução, usando a experiência de quem já se viu no centro de outra tragédia.
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Ainda em choque e sob a dor pela perda de dezenas de vidas, em meio a vias bloqueadas, acessos alagados, toneladas de entulho e lama sobre construções e pelas ruas, Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, enfrenta a fase inicial de um desastre que pode ter impacto comparado à magnitude do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, que há sete anos castigou Brumadinho.
De acordo com o secretário-adjunto, o momento é o de trazer acolhimento para os atingidos, pessoas desalojadas e desamparadas. “É o momento inicial, onde resgates ainda ocorrem, primeiro de pessoas e posteriormente de pertences. Como a destruição veio com inundações e contaminação da água que invadiu vias e residências, o risco imediato para as pessoas que ficaram, as que vão retornar e as equipes de resgate ou trabalhos de limpeza e recuperação é também com a saúde”, afirma, citando riscos como a contaminação, por exemplo, pelo contato com a urina de ratos, que pode provocar leptospirose.
Além da leptospirose, o Ministério da Saúde alerta que o contato com águas de inundação e esgoto expõe a população de Juiz de Fora a doenças como hepatite A, febre tifoide e doenças diarreicas agudas. A ingestão acidental de água contaminada ou o consumo de alimentos que tiveram contato com a enchente são as principais vias de infecção. A orientação é que qualquer indivíduo que apresente febre, vômito ou dor muscular após o contato com a água procure a unidade de saúde mais próxima.
Passado esse período mais crítico, muitas vítimas terão de ser direcionadas a outras moradias, distantes de áreas condenadas ou de risco em caso de novas chuvas. O acompanhamento psicológico e a assistência social são fundamentais para os atingidos de forma geral, no entendimento dos profissionais de Brumadinho em Juiz de Fora. “Outra questão é relativa a deixar sua casa, a vizinhança ou a comunidade do meio de vida que a pessoa tinham. Muitos nunca vão recuperar isso. A vida pode nunca mais ser a mesma. Vimos muito isso depois do rompimento da barragem, e é o grande desafio”, observa o secretário-adjunto Thauam Ferreira.
Ao mesmo tempo, Thauam lembra que o poder público terá desafios simultâneos de limpeza e desobstrução de vias públicas, pontes e passagens que foram danificadas. Sem falar que, quando a lama secar, poderá se transformar em poeira e trazer ainda mais problemas respiratórios e sujeira.
Mas um outro aspecto difere Brumadinho de Juiz de Fora: o município da Grande BH foi devastado por um empreendimento particular da Vale, e por isso não dependeu exclusivamente de investimentos públicos para se reerguer: contou também com intervenções diretas e bilhões de reais em recursos aplicados pela mineradora.
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“Há muitas formas de a prefeitura conseguir recursos para a reconstrução, do estado e federais. Então, passa a ser importante identificar quais fontes poderão beneficiar o município e articular essa aquisição. O que Brumadinho puder fazer para ajudar é trazer um pouco dessa experiência para Juiz de Fora, e nós o faremos. Somos muito solidários, somos irmãos e quando foi preciso, pessoas do Brasil todo nos ajudaram”, destaca o secretário-adjunto Thauam Ferreira.