NOVAS DENUNCIAS

Duas novas vítimas denunciam chef de restaurante de BH por importunação

O chef Marcelo Haddad Guerra havia sido preso em flagrante nesta semana, após ser denunciado por importunação sexual por uma outra funcionária do estabelecimento

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Mais duas mulheres denunciaram o chef Marcelo Haddad Guerra, de 47 anos, por importunação sexual. As informações foram passadas pelos advogados das vítimas. O cozinheiro do restaurante Paladino, localizado no Bairro Braúnas, na região da Pampulha, em Belo Horizonte (BH), havia sido preso em flagrante na terça-feira (20/10), depois que uma funcionária de 20 anos o denunciou por importunação sexual. A Justiça concedeu liberdade provisória ao suspeito após audiência de custódia na quarta-feira (21/10).

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O escritório TCL, por meio dos advogados João Victor Fernandes, Priscila Carvalho e Robson Fernandes, é responsável por representar as duas vítimas.

“As importunações ocorreram, aproximadamente, entre 2023 e 2025. As vítimas chegaram a fazer reclamações a outras pessoas do restaurante, mas não foram bem acolhidas. A situação recente encorajou-as a também prestar queixa contra o chef”, contou a advogada Priscila Carvalho. Ela informou também que o restaurante não entrou em contato para prestar apoio às vítimas.

Ainda segundo a advogada, o poder financeiro do suspeito inibiu as vítimas de denunciar antes, e os episódios causaram a elas traumas emocionais. As duas deixaram o restaurante em 2025. “Vivemos em uma sociedade machista, que faz com que nos sintamos culpadas quando passamos por situações assim. Peço que, em caso de ocorrências como essa, busquem ajuda e denunciem”, finalizou.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que as investigações continuam e que novas informações sobre o caso serão divulgadas assim que possível.

A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a defesa do chef, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

O caso

Marcelo Haddad Guerra chegou a ser preso na última terça-feira, depois que uma jovem o denunciou por importunação sexual. De acordo com a PCMG, a funcionária atuava como recreadora infantil no estabelecimento e, no dia dos fatos, teria ido à sala onde eram armazenados materiais lúdicos, acompanhada pelo suspeito.

Ainda conforme o relato, durante uma conversa no local, o homem começou a fazer perguntas íntimas e tocou a funcionária de modo inapropriado. A jovem afirmou que se afastou e pediu que ele interrompesse os contatos físicos. Segundo a vítima, o suspeito ainda minimizou a situação, dizendo que “se tratava de uma brincadeira”.

Após receberem as informações, policiais da 3ª Delegacia de Polícia Noroeste foram ao restaurante e abordaram o suspeito quando ele deixava o estabelecimento. Questionado, o homem alegou que acreditava que “o contato físico era consentido”.

O celular do investigado foi apreendido, e ele foi encaminhado ao sistema prisional.

Nota do restaurante

Em nota no Instagram, o restaurante Paladino afirmou que, “após ter ciência da suspeita de prática ilícita envolvendo um de seus colaboradores, determinou que fosse feito o afastamento das atividades da empresa, até que os fatos sejam esclarecidos”.

No texto, o restaurante presta solidariedade à vítima e diz estar à disposição para o esclarecimento dos fatos.

A reportagem questionou o restaurante sobre as duas novas denúncias e sobre a falta de acolhimento às queixas, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Liberdade

Na quarta-feira (21/10), depois da audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória ao investigado, sem pagamento de fiança. A decisão levou em consideração, entre outros fatores, a primariedade do investigado, a ausência de outro registro de prisão e a manifestação favorável do Ministério Público de Minas Gerais à soltura.

Apesar da liberação, Marcelo deve cumprir medidas cautelares, com monitoramento eletrônico e a proibição de se aproximar da vítima a menos de 300 metros. Ele também está proibido de manter qualquer tipo de contato com a funcionária.

A decisão determinou o recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h, nos dias úteis, além da permanência em casa durante todo o dia aos sábados, domingos e feriados, pelo prazo de 90 dias.

O descumprimento das medidas cautelares pode resultar na decretação da prisão preventiva. O auto de prisão em flagrante tramita sob segredo de Justiça.

*Estagiário sob supervisão do editor-executivo João Renato Faria

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*Com informações de Murilo Fialho

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