Máquinas e trabalhadores abrem espaço para esporte e lazer em antiga mina
Mina de Águas Claras, em Nova Lima, terá 93% da área destinada à conservação e será aberta gradualmente para novas ocupações
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Onde antes circulavam máquinas e trabalhadores em busca de minério de ferro, a natureza e o lazer começam a ganhar espaço. A antiga Mina de Águas Claras (MAC), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi reaberta neste sábado (26/9) e ficará disponível para a população aos fins de semana em um projeto conduzido pela Vale. Encerrada em 2002, a produção de minério de ferro deu lugar a novos usos para a área de mais de 1.900 hectares, com atividades de esporte, turismo e convivência e 93% do território destinado à conservação.
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A MAC fica na divisa com a capital mineira e atrás da Serra do Curral. A extensão do território equivale a aproximadamente 98 vezes a área do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro de Belo Horizonte. Entre as áreas protegidas estão a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Jambreiro, reservas legais e áreas de preservação permanente com vegetação de cerrado, campos rupestres e florestas estacionais.
A proposta da Vale é adotar uma nova abordagem para o fechamento da mina, com ações de segurança e recuperação ambiental realizadas ao mesmo tempo em que são definidos e implantados os usos futuros do espaço. A intenção é integrar a antiga área minerada ao entorno urbano e às áreas naturais da região.
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Um dos projetos previstos é a ampliação da trilha que liga a MAC ao Parque da Serra do Curral. Com a conexão, será possível percorrer o trajeto entre Nova Lima e Belo Horizonte a pé, passando pela área de natureza.
A transformação também envolve áreas que já foram incorporadas ao Parque da Serra do Curral. Por meio de acordos de comodato com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH, a Vale cedeu quase 108 mil metros quadrados de áreas verdes para conservação e lazer.
Participação da população
A definição dos novos usos da área vem sendo construída com participação de moradores e instituições de Nova Lima e Belo Horizonte. Segundo a Vale, mais de 22 mil pessoas já participaram de pesquisas de opinião, oficinas, visitas, reuniões públicas e outras ações de escuta.
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O processo também é realizado na Casa Uso Futuro, espaço localizado dentro da própria mina. Reinaugurada em 31 de agosto de 2026, a estrutura apresenta a história da MAC, as intervenções realizadas para o fechamento da unidade e as possibilidades de utilização do território. O local também funciona como espaço de diálogo entre comunidades, poder público, instituições e sociedade civil.
A área já começou a receber atividades ligadas ao esporte. Em julho deste ano, a MAC foi palco de uma etapa do XTerra Brasil, circuito de provas off-road que reúne modalidades como corrida em trilha, mountain bike e duatlo. O evento contou com mais de 3.500 atletas profissionais e amadores.
Outro projeto em desenvolvimento é a criação de um Bike Park em uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados. A estrutura planejada terá cerca de 2,5 quilômetros de trilhas, pista de terra para crianças e adultos, aluguel de bicicletas, lanchonete e espaços para eventos e projetos sociais ligados ao esporte.
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De área de mineração a espaço de convivência
A mina começou a produzir minério de ferro em 1972 e manteve as atividades por cerca de três décadas, até 2002. A unidade era operada pela Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), empresa adquirida pela Vale em 2006. Desde então, a mineradora passou a ser responsável pelas ações de recuperação ambiental e pelo processo de fechamento da área.
De acordo com a Vale, a transformação da MAC busca conciliar a recuperação do território com a criação de novas possibilidades de uso pela população. Além da conservação da biodiversidade, o projeto prevê espaços voltados a atividades de esporte, lazer, cultura e turismo sustentável.
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A diretora de Gestão de Territórios Sul/Sudeste e Reparação da Vale, Gleuza Jesué, afirma que a empresa pretende construir o processo em conjunto com órgãos públicos, autoridades e comunidades. Segundo ela, a proposta é conciliar segurança, recuperação ambiental e tecnologia com a abertura gradual do território à sociedade.