Chefe de gabinete de vereadora de BH é denunciado por importunação sexual
Mulher alega que assessor tocou no pênis durante atendimento na Câmara Municipal. Chefe de gabinete nega a acusação e diz que foi chamado de "idoso safado"
compartilhe
SIGA
Uma ativista da defesa animal, de 66 anos, denunciou o chefe de gabinete da vereadora Janaina Cardoso (União Brasil), de BH, por importunação sexual. De acordo com o relato da vítima, oficializado em um boletim de ocorrência, o assessor foi grosseiro com ela, além de ter tocado no pênis – com ereção – diversas vezes enquanto falava com ela. O braço direito da vereadora, contudo, nega qualquer ato de conotação sexual contra a mulher.
Segundo Paula (nome fictício), o caso ocorreu no dia 29 de julho, quando ela procurou a parlamentar, que defende a causa animal, para falar sobre o próprio trabalho. Ela se dirigiu à Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) com a intenção de tentar divulgar os itens para pets que faz. Dentro do gabinete, foi atendida pelo assessor, que alegou à reportagem que estava à espera de uma ligação.
Conforme o relato de Paula, ela também havia ficado no cadastro de reserva em um edital da Prefeitura de BH em 2024 e gostaria de ter mais informações a respeito. No dia em questão, a vítima contou que o homem a recebeu, mas durante o atendimento, que não estava agendado, ele atendeu uma ligação que acreditou tratar-se de uma conversa amorosa.
Leia Mais
Segundo a mulher, o assessor chamou a pessoa que estava do outro lado da linha de “bebê”, além de falar sobre ter “uma tarde prazerosa” e passar um valor no Pix, o que causou desconforto à ativista. Diante da situação, a vítima o confrontou e questionou se aquela era a melhor forma de atender um eleitor, além de dizer que ele não deveria namorar em horário de trabalho.
“Eu disse a ele que eu e a secretária (que também estava presente) não éramos obrigadas a presenciar aquela cena. Ele estava, sim, com o órgão com o volume. Com bastante volume, porque estava incomodando a ponto dele ficar pegando, então falei que não era hora dele namorar, que ele estava me atendendo, que ele deveria me respeitar e ele disse que namoraria em qualquer horário, inclusive no horário de trabalho”, contou Paula.
Ainda de acordo com a ativista, ela também pediu para o assessor se recompor, mas ele foi se irritando cada vez mais, faltando com educação também com a secretária dele. A discussão teria escalado até o momento em que o coordenador de gabinete mandou ela se retirar, que não a atenderia e que também não passaria o pedido dela à vereadora.
“Saí de lá transtornada, pedi ajuda em um gabinete próximo, fui na ouvidoria, fiz uma reclamação, abri um boletim de ocorrência, que não foi nada fácil. Posteriormente, registrei para que o inquérito fosse aberto”, desabafa Paula, que teve sintomas físicos causados pelo estresse nos dias seguintes ao acontecimento, como dor de cabeça, mal-estar e insônia.
Após o ocorrido, a vítima foi procurada por Janaina Cardoso, que expressou preocupação com ela e alegou que estava cuidando da situação, tentando lidar com o caso da melhor forma possível, “apurando tudo corretamente”. Segundo Paula, ela se declarou surpresa com a denúncia devido aos muitos anos de trabalho com o chefe de gabinete, mas ressaltou que não estava desconsiderando o relato dela.
O que diz o outro lado?
Ao Estado de Minas, a parlamentar reforçou que sempre esteve à frente de pautas em defesa das mulheres, além da causa animal, e que dessa vez não seria diferente. “Não tolero esse tipo de comportamento em meu gabinete. Como defensora ativa do respeito e apoio às mulheres, líder da bancada feminina e mãe de duas mulheres, quero demonstrar que as mulheres têm liberdade para estar onde quiserem sem sofrer qualquer tipo de desrespeito”, pontuou.
Janaina disse que tomaria uma medida “ponderada”, pois trata-se de um funcionário antigo, com quem trabalha há mais de 10 anos. A contradição entre as versões, segundo ela, torna ainda mais necessário a apuração de todos os fatos. “Nunca o vi cometer qualquer falta de respeito com alguém, seja homem ou mulher”, concluiu.
O chefe de gabinete, por outro lado, nega veemente ter cometido importunação sexual contra a ativista. De acordo com ele, por volta das 10h do dia 29, Paula chegou à Câmera e solicitou para falar com a vereadora. A secretária dele estava em outra linha no momento e não conseguiu atender o telefone a tempo e, então, o próprio segurança a levou até o gabinete.
Ele contou que a chamou para a sala, com a porta aberta e com a secretária ao lado, e perguntou o assunto, mas que precisou atender a ligação que já estava programada e chamou a amiga de bebê. Segundo o chefe de gabinete, ele perguntou a ela como foi a reunião com determinada pessoa, mas a vítima interpretou a conversa de maneira equivocada. Nesse momento, Paula teria se exaltado e chamado ele de “idoso safado”, deixando-o revoltado.
“Eu disse a ela que era casado, que (a alegação) não fazia sentido. Ela me chamou de ‘idoso safado’, fiquei fora de mim, porque achei um absurdo, então mandei ela sair da sala. Pedi pra ela sair da sala e tiraria ela na porrada, se precisasse, porque não aceito ser desrespeitado já que em tantos anos de trabalho nunca faltei com o respeito com ninguém”, disse.
O assessor nega que tenha cometido importunação sexual dita pela vítima, nem em nenhum outro momento na vida. Porém, ele confirmou que ficou extremamente irritado e que foi ríspido com a mulher, porque ela o irritou com a acusação.
A reportagem questionou a CMBH sobre a forma como lidam com esse tipo de denúncia e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Como denunciar?
Ambos os crimes podem ser denunciados em qualquer delegacia de polícia, preferencialmente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams). É importante registrar um Boletim de Ocorrência o mais rápido possível. A vítima também pode ligar para o Disque 100 (Direitos Humanos) ou para o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) para receber orientação e fazer denúncias.