'Pensei que ia sair tiro': vizinha de capitã da PM relata brigas constantes
O corpo de Michele Leão Azevedo foi velado na tarde desta quarta-feira (22/7) em uma funerária no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte
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O corpo da capitã da Polícia Militar (PMMG) Michele Leão Azevedo foi velado na tarde desta quarta-feira (22/7) em uma funerária no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte. A mulher foi morta na segunda-feira (20) e o principal suspeito é o companheiro dela, o sargento Eduardo Abner, que está preso preventivamente. Durante o velório, familiares e vizinhos reforçaram o histórico de brigas no apartamento da dupla.
À imprensa, a personal trainer e vizinha do casal, Daniela Soares da Silva, disse que as festas no imóvel duravam semanas, sem interrupção. "Músicas eletrônicas, e muitas pessoas do prédio pediam para diminuir e eles não respeitavam. Teve um carnaval que o prédio do lado denunciou, a polícia foi lá, eles tiraram a música, mas quando a polícia saiu, voltaram com a música de novo", relembrou.
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Ela contou que presenciou muitas brigas vindas do apartamento. "Muitos xingamentos, era constante. Na semana da Copa, no dia 13, teve uma briga muito feia. Eu pensei que ia sair tiro", afirmou. Segundo a vizinha, na maioria das vezes, a voz do homem prevalecia. "Era sempre assim, brigas e, depois, eles estavam bem, nada aconteceu. Não adiantava a gente denunciar, a gente ficava com medo também".
A relação da personal com a capitã não era íntima, mas quando se encontravam trocavam uma conversa educada. "Às vezes eu estava chegando e ela saindo, juntas no elevador. Ela me perguntava se eu era personal e que queria voltar a treinar. Já ele (o sargento), encontrei no máximo duas vezes", disse ela.
Incentivo ao término
Familiares, amigos e colegas de profissão se reuniram para se despedir e prestar homenagens à capitã Michele. Sempre alegre, divertida e amável: essa é a descrição feita pelos presentes, durante o velório, na Funerária Dom Bosco, no Bairro Lagoinha.
No velório, o tio da vítima, Marlon Leão, lamentou a perda da sobrinha. "Perdemos uma menina alegre, sempre de bem com a vida, sempre querendo ajudar as pessoas. É um trauma Lara a família", disse.
O parente em meio ao sentimento de tristeza, comentou a satisfação em receber a notícia da conversão da prisão do sargento em preventiva. "Quando uma pessoa como ele fica em liberdade, ela pode fazer qualquer coisa. Vai causar menos dano a sociedade", afirmou.
O tio ainda reafirmou o comportamento agressivo de Eduardo com a companheira. "Ela foi constantemente incentivada a largar o relacionamento e ele ia e persuadia ela. Uma pessoa manipuladora", relatou. Segundo ele, o casal vivia há cerca de 3 anos no mesmo apartamento.
A cerimônia contou com forte presença de outros policiais.
O que aconteceu?
A morte da capitã, constatada na noite dessa segunda-feira (20/7), mobilizou equipes das polícias Civil (PCMG) e Militar. O suspeito levou a vítima até o Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, região Noroeste de Belo Horizonte, alegando que ela havia sofrido uma queda da escada em casa, no Bairro Santa Cruz.
No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica e dos policiais. Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio.
Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.
Informações preliminares e testemunhas ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na corregedoria, a Polícia Militar informou que ainda não tem esse levantamento.
Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, os dois tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.
Sigilo e outros antecedentes
O caso corre em segredo de Justiça, decretado nessa terça-feira (21/7), conforme informado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Nesta quarta-feira (22/7), o juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte, decidiu pela conversão da prisão em flagrante para preventiva. Portanto, o sargento responderá ao processo preso.
O militar, que teve a prisão em flagrante por feminicídio e tráfico de drogas efetuada na segunda-feira (20/7), já havia sido preso em 2023 pelo crime de embriaguez ao volante.
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Em 2009, Eduardo foi expulso da PMMG por omitir em um formulário ter sido apreendido e respondido a um processo de ato infracional por porte ilegal de armas, cometido na adolescência. Na época da infração, ele prestou serviços à comunidade por seis meses. A omissão levou à exoneração. No entanto, posteriormente, ele foi reintegrado à corporação.